{"id":10794,"date":"2010-01-16T09:50:49","date_gmt":"2010-01-16T12:50:49","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=10794"},"modified":"2010-05-13T15:07:34","modified_gmt":"2010-05-13T18:07:34","slug":"agropalma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/agropalma\/","title":{"rendered":"Agropalma"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10795\" title=\"foto\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/foto.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"212\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/foto.jpg 600w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/foto-300x106.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ma<strong>rcello Brito \u00e9 Diretor-Comercial da Agropalma e foi palestrante da Expo Sustentat 2005 com o tema BIODIESEL. Segundo Marcello, &#8220;estamos falando de um mercado de bilh\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 em litros, como tamb\u00e9m bilh\u00f5es financeiros! &#8220;<\/strong><\/p>\n<p><div><strong><div id=\"attachment_10796\" style=\"width: 352px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10796\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10796\" title=\"agrop05-4\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/agrop05-4.jpg\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"235\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/agrop05-4.jpg 342w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/agrop05-4-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><p id=\"caption-attachment-10796\" class=\"wp-caption-text\">Marcello Brito( de muleta) recebendo o Presidente Lula na visita \u00e0 fazenda do Grupo Agropalma <\/p><\/div><\/strong><\/div>\n<\/p>\n<p><strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 2005 Marcello Britto recebeu diversas autoridades do Governo, inclusive o Presidente Lula, para a inaugura\u00e7\u00e3o da\u00a0 usina de biodiesel do Grupo Agropalma. A unidade de produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel usar\u00e1 como mat\u00e9ria-prima o fruto da palma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O presidente Lula tamb\u00e9m visitou, a fazenda do Grupo Agropalma entre os munic\u00edpios paraenses de Moju e Tail\u00e2ndia, para ver planta\u00e7\u00f5es de palma (esp\u00e9cie de palmeira que produz frutos oleaginosos) e conheceu o projeto de agricultura familiar que vem sendo desenvolvido em \u00e1rea de 600 hectares.<\/strong><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Voc\u00ea poderia come\u00e7ar esta entrevista explicando o que \u00e9 Biodiesel?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong>\u2013 Biodiesel \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o que se provoca entre uma base vegetal ou animal, como a banha, manteiga, sebo ou qualquer \u00f3leo vegetal em presen\u00e7a de um \u00e1lcool, que pode ser metanol ou etanol. Metanol \u00e9 proveniente de g\u00e1s e o etanol proveniente da cana de a\u00e7\u00facar, beterraba ou do milho, na presen\u00e7a de um catalisador, provocando uma rea\u00e7\u00e3o. Como produtos finais teremos um \u00e9ster que pode ser \u00e9ster met\u00edlico se for feito com metanol ou \u00e9ster et\u00edlico se for feito com etanol mais glicerina. Este \u00e9ster \u00e9 o biodiesel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Gostaria que voc\u00ea desse um salto um pouco maior e nos falasse do Biodiesel como combust\u00edvel.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong>\u2013 Neste caso vamos falar quimicamente: \u00e9 o \u00e9ster et\u00edlico ou met\u00edlico, ou seja, produzido pela rota met\u00edlica ou et\u00edlica. No mundo o mais produzido \u00e9 o Biodiesel met\u00edlico. Aqui no Brasil estamos trabalhando para preferencialmente utilizarmos a rota et\u00edlica. Embora estejamos ainda produzindo com metanol, pois a tecnologia et\u00edlica ainda n\u00e3o est\u00e1 100% dominada. Mas em pouco tempo chegaremos l\u00e1 e teremos um Biodiesel 100% sustent\u00e1vel. O \u00e1lcool que vai ser utilizado \u00e9 de uma fonte 100% renov\u00e1vel que \u00e9 a cana de a\u00e7\u00facar e n\u00e3o do g\u00e1s proveniente da extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo &#8211; metanol aqui no Brasil, o que n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, por n\u00e3o ser regener\u00e1vel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Voc\u00ea acha que esta mudan\u00e7a vai acontecer em curto prazo?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">MB\u2013 Em nossa usina produzimos pelas duas rotas mas, por raz\u00f5es de custo, estamos dando prefer\u00eancia ao metanol. A estrutura fiscal brasileira \u00e9 complicada. Como nosso registro \u00e9 de produtor de biodiesel e n\u00e3o de distribuidor de combust\u00edveis, para comprar \u00e1lcool et\u00edlico no mercado n\u00f3s temos que comprar \u00e1lcool para outros fins na classifica\u00e7\u00e3o fiscal. Desta forma ele nos custa 30% mais caro por causa dos impostos. Ainda nesta mesma lei, com rela\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de Biodiesel com etanol, o produto final ser\u00e1 biodiesel mais \u00e1lcool hidratado.\u00a0 S\u00f3 que n\u00f3s n\u00e3o podemos vender este \u00e1lcool hidratado para as distribuidoras de combust\u00edveis,\u00a0 temos que revend\u00ea-lo para uma usina de \u00e1lcool. Ent\u00e3o algu\u00e9m teve esta \u201cbrilhante\u201d id\u00e9ia:\u00a0 voc\u00ea compra o etanol, leva para sua usina, utiliza no processo e depois o vende na forma hidratada de volta a usnia de \u00e1lcool, agregando mais o custo de log\u00edstica, impostos e etc. Logicamente o resultado fica inviabilizado. Esta reclama\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi feita em Bras\u00edlia e em quase todos os eventos onde se discuti o programa nacional de biodiesel. A utiliza\u00e7\u00e3o da rota et\u00edlica deveria ser o grande diferencial do Biodiesel brasileiro no exterior. O atrativo que n\u00f3s queremos mostrar \u00e9 um biodiesel totalmente renov\u00e1vel, a parte graxa e o etanol da cana de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 A Agropalma ficou quanto tempo na pesquisa para chegar a este ponto?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Quando produzimos o \u00f3leo de palma, durante o refino, na verdade o que se tem \u00e9 uma coluna de destila\u00e7\u00e3o onde nesse processo se retira tudo que \u00e9 conhecido como o \u201cOff flavors\u201d, ou seja, tudo que provoca cor, sabor e odor a qualquer \u00f3leo vegetal. Na destila\u00e7\u00e3o destes compostos s\u00e3o captados na forma de res\u00edduos graxos ou simplesmente, \u00e1cidos graxos. Esse res\u00edduo n\u00f3s vend\u00edamos para a ind\u00fastria de sab\u00e3o em barra popular, de baixo valor agregado. Aquele sab\u00e3o pintado, muito conhecido no Norte e Nordeste. Isto porque o produto tem um odor e cor muito forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressalte-se que a produ\u00e7\u00e3o \u00f3leo-qu\u00edmica no Brasil \u00e9 ainda muito incipiente, ou seja, n\u00e3o ter\u00edamos\u00a0 a vantagem que tem os asi\u00e1ticos em vender o \u00e1cido graxo deles para a ind\u00fastria em geral a pre\u00e7os bem mais altos devido a aus\u00eancia de produtos concorrentes como \u00e9 o caso do sebo aqui no pa\u00eds. O Brasil ainda importa cerca 80% da \u00f3leo-qu\u00edmica que consome. Ent\u00e3o tabela-se o pre\u00e7o deste \u00e1cido graxo no Brasil em m\u00e9dia de 50% do valor do sebo, porque o sebo \u00e9 uma mat\u00e9ria prima muito melhor para fazer sab\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado disto \u00e9 que o sebo no Brasil est\u00e1 muito barato pois o pa\u00eds \u00e9 um grande exportador de carne, o maior de todos. Infelizmente quando voc\u00ea mata o boi, voc\u00ea produz carne mais o sebo. O sebo \u00e9 muito barato e automaticamente o \u00e1cido graxo ficou muito barato. As pessoas que a princ\u00edpio compravam o \u00e1cido graxo para substituir o sebo perderam o interesse, pois havia sebo suficiente a baixo custo.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO- Chegaram a um impasse&#8230;<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> -T\u00ednhamos que arranjar alguma solu\u00e7\u00e3o para resolver o problema. N\u00e3o pod\u00edamos continuar como estava, n\u00e3o pod\u00edamos simplesmente jogar fora, em qualquer lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos a desenvolver pesquisas para agregar valor naquele produto. Um amigo nos indicou que convers\u00e1ssemos com o professor de qu\u00edmica Donato Aranda da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).\u00a0 Coloquei 1kg do produto de baixo do bra\u00e7o e fui para o Rio de Janeiro. Foi excelente nossa conversa. O professor \u00e9 uma pessoa excepcional! Se o Brasil tivesse mais pessoas como o Donato, estar\u00edamos numa situa\u00e7\u00e3o bem melhor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixei o produto com ele. Ele avaliou, estudou, e, passados alguns meses,\u00a0 mandou um relat\u00f3rio para a Agropalma sugerindo algumas op\u00e7\u00f5es e uma delas era produzir o Biodiesel. Dependeria da nossa ousadia. Ele tinha o projeto da pesquisa. Uma inova\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tinha em lugar nenhum do mundo e que poderia dar resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muita conversa resolvemos bancar a pesquisa. Fizemos um contrato com a Universidade (UFRJ) e com a Escola de Qu\u00edmica. Foi um contrato com a Universidade n\u00e3o com a pessoa dele. O resultado desta pesquisa foi o desenvolvimento de um novo catalisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00eas sabem para produzir o Biodiesel s\u00e3o necess\u00e1rios o \u00f3leo, o \u00e1lcool e um catalisador que acelere a rea\u00e7\u00e3o. Este catalisador desenvolvido \u00e9 s\u00f3lido e regener\u00e1vel. Isto significa que no nosso processo de produ\u00e7\u00e3o de Biodiesel, onde a mat\u00e9ria-prima \u00e9 o \u00e1cido graxo e n\u00e3o o \u00f3leo, desta forma n\u00e3o havendo a glicerina para separar, utiliza a esterifica\u00e7\u00e3o, assim o \u00fanico subproduto que temos \u00e9 \u00e1gua. O catalisador \u00e9 reutilizado porque n\u00f3s o regeneramos.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Isto foi em que ano?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Tudo isso come\u00e7ou em 2001. Foram 4 anos de estudos. Este catalisador \u00e9 produzido com ni\u00f3bio, pela CBMM na cidade de Arax\u00e1 em Minas Gerais. Ou seja, \u00e9 um catalisador produzido no Brasil. At\u00e9 ent\u00e3o os outros catalisadores eram importados da Alemanha, dos Estados Unidos. Portanto t\u00ednhamos o catalisador pronto, t\u00ednhamos o processo avaliado em planta piloto, ent\u00e3o registramos o pedido da patente.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Como ficou a negocia\u00e7\u00e3o entre a Agropalma e o Professor Donato?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 A patente \u00e9 da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O direito de uso exclusivo \u00e9 nosso pela vida da patente. N\u00f3s como empresa privada n\u00e3o queremos ser donos da patente, n\u00f3s queremos o direito do uso da mesma e para Universidade \u00e9 muito importante. N\u00f3s acertamos e desta forma e pagamos \u201croyalty\u201d para a Universidade. Nos pr\u00f3ximos 20 anos semestralmente estaremos pagando royalty para a Universidade e todos que participaram de projeto ir\u00e3o se beneficiar.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 A hist\u00f3ria \u00e9 formid\u00e1vel!.. Qual foi o pr\u00f3ximo passo?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Bom, terminado esta parte come\u00e7amos a pensar numa maneira de viabiliz\u00e1-la, transform\u00e1-la num projeto de engenharia, j\u00e1 que \u00e9 uma tecnologia nova e n\u00e3o \u00e9 produzida em qualquer lugar. Contatamos v\u00e1rias empresas e gostamos do pacote da Dedini que j\u00e1 tem uma experi\u00eancia muito grande com o biocombust\u00edvel \u00e1lcool. A maior dificuldade era que, quem aceitasse desenvolver o projeto de engenharia teria que assinar um contrato com a Agropalma aceitando o nosso direito intelectual sobre o projeto. Esta empresa\u00a0 n\u00e3o poderia vender essa usina para outros sem a nossa autoriza\u00e7\u00e3o, porque o desenvolvimento da tecnologia era nosso.<\/p>\n<div id=\"attachment_10800\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10800\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10800\" title=\"bioagrop2\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/bioagrop2.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"299\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/bioagrop2.jpg 400w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/bioagrop2-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-10800\" class=\"wp-caption-text\">A usina de biodiesel da Agropalma<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois das negocia\u00e7\u00f5es, a Dedine aceitou e fez um pacote de engenharia espetacular. Criou-se uma usina eficiente e compacta, de baixo custo. N\u00e3o existe ainda um mercado aberto para biodiesel; ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia vai fazer investimento de 10 a 15 milh\u00f5es de euros (o que seria o pre\u00e7o de uma usina de biodiesel normal na Europa). Aqui no Brasil tem que ser um neg\u00f3cio barato. Ent\u00e3o todo o projeto foi feito visando o investimento poss\u00edvel para n\u00f3s. E a Dedini apresentou um projeto que custou menos de 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares; um projeto todo computadorizado, com todos os itens de seguran\u00e7a imagin\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da tela de um micro voc\u00ea controla a usina toda fazendo um biodiesel que atende 100% das especifica\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias e americanas.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO- Ou sejam, voc\u00eas est\u00e1 capacitados para exportar biodiesel<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; H\u00e1 alguns meses estivemos fazendo uma palestra sobre biodiesel na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil Alemanha. O \u00faltimo \u201cslide\u201d que apresentamos foi um comparativo dos resultados do palmdiesel (que \u00e9 como chamamos o nosso biodiesel) com a norma europ\u00e9ia e brasileira. N\u00f3s temos folga em todos os \u00edndices da norma europ\u00e9ia, o que nos habilita a vender este produto no exterior. Resumindo: voc\u00ea tem uma fonte renov\u00e1vel de base \u2013 a planta\u00e7\u00e3o. Desta planta\u00e7\u00e3o retira-se o \u00f3leo, refina-se o \u00f3leo para a ind\u00fastria aliment\u00edcia, o que sobra deste \u00f3leo produz-se combust\u00edvel e combust\u00edvel volta para a fazenda para locar os equipamentos e fechar o ciclo. Foi um projeto sensacional da UFRJ, o profissionalismo da equipe foi t\u00e3o positivo, que j\u00e1 estamos com outras pesquisas em andamento.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Voc\u00eas lan\u00e7aram um desafio para eles e eles trouxeram uma resposta brilhante.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Foram \u00f3timos e ainda trouxeram mais id\u00e9ias novas. As id\u00e9ias s\u00e3o as mais extravagantes. Se algum dia algu\u00e9m nos pedir um biodiesel org\u00e2nico, at\u00e9 isso, n\u00f3s temos condi\u00e7\u00f5es de fazer, pois produzimos o \u00f3leo org\u00e2nico. Pegar\u00edamos o \u00f3leo e extrair\u00edamos primeiro a glicerina. Ningu\u00e9m faz isto hoje porque quando voc\u00ea extrai primeiro a glicerina o que sobra \u00e9 \u00e1cido graxo. N\u00f3s poderemos num futuro pr\u00f3ximo, extrair uma glicerina org\u00e2nica que \u00e9 a \u00fanica no mundo e os 90% de \u00e1cido graxo n\u00f3s transformaremos em Biodiesel. Um biodiesel de base altamente sustent\u00e1vel. Seria 100% sustent\u00e1vel com uma base muito grande org\u00e2nica (mais ou menos 80% de mat\u00e9ria prima org\u00e2nica).<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Mais uma novidade para o setor org\u00e2nico em 2005?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Ainda n\u00e3o vamos produzir isto agora mas j\u00e1 temos o projeto pronto. No ano que vem devemos produzir glicerina org\u00e2nica. Demos uma checada no mercado, com 2 empresas: uma alem\u00e3 e uma americana. As duas aceitam mas querem a compra exclusiva do produto. Seria a \u00fanica glicerina org\u00e2nica para ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos. O que acontece com o Biodiesel normal? Quando se produz o biodiesel normal, voc\u00ea produz muita glicerina, at\u00e9 onde o mercado vai ter condi\u00e7\u00e3o de absorver esta glicerina? Os pre\u00e7os j\u00e1 ca\u00edram assustadoramente, principalmente na Europa, que num passado remoto era importador de glicerina, hoje tamb\u00e9m \u00e9 exportador. Por isso vamos fazer uma glicerina diferenciada.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Qual o impacto que o Biodiesel tem na economia brasileira.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong>\u2013 O principal problema do biodiesel \u00e9 o custo que voc\u00ea ainda tem. Como estamos come\u00e7ando, ainda n\u00e3o temos escala de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 lembrarmos como foi com o \u00e1lcool. No come\u00e7o o \u00e1lcool custava mais caro do que a gasolina. \u00c9 o mesmo que acontece hoje com o Biodiesel. Quando voc\u00ea n\u00e3o tem escala de produ\u00e7\u00e3o voc\u00ea tem um custo muito alto. Hoje \u00e9 dif\u00edcil num mercado competitivo voc\u00ea chegar para uma Petrobr\u00e1s, Ipiranga, Texaco etc. oferecendo um produto maravilhoso, sustent\u00e1vel, ecol\u00f3gico mas ele custa 70% mais caro que o diesel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 E ainda temos que informar o consumidor o que \u00e9 biodiesel.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; O consumidor brasileiro n\u00e3o est\u00e1 preparado para pagar este valor. Voc\u00ea tem que come\u00e7ar a procurar outras fontes para come\u00e7ar a ganhar escala. Para levar este diesel que gera energia el\u00e9trica a certos lugares na Amaz\u00f4nia, o custo de 1 litro chega a custar o equivalente a 3 litros. Ou seja, voc\u00ea gasta o custo de 3 litros de diesel para levar 1 litro de diesel para aquela regi\u00e3o, por causa das dist\u00e2ncias, da log\u00edstica. Todos merecem ter energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta seria uma forma inteligente. Ter uma produ\u00e7\u00e3o de Biodiesel regionalizada, onde seu custo de log\u00edstica cai muito. Deve-se lembrar que quem paga este s\u00e3o os consumidores. Dentro do pre\u00e7o do diesel comprado no Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo ou qualquer outro lugar do Brasil, est\u00e1 incluso o acr\u00e9scimo que subsidia o diesel que vai de uma regi\u00e3o para outra.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Como voc\u00ea v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o Biodiesel e agricultura familiar?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Se fizermos um programa de biodiesel visando somente a agricultura familiar n\u00e3o vai dar em nada. Se fizermos um programa de biodiesel visando somente a energia possivelmente tamb\u00e9m n\u00e3o vai dar em nada porque o mundo n\u00e3o est\u00e1 em crise de energia, apesar do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. O Brasil \u00e9 praticamente auto-suficiente. N\u00e3o \u00e9 como na \u00e9poca em que surgiu o \u00e1lcool que est\u00e1vamos numa crise energ\u00e9tica. Temos que buscar um equil\u00edbrio, sabendo que, n\u00e3o se produz um programa da magnitude do programa brasileiro de Biodiesel, com produ\u00e7\u00e3o de agricultura familiar. D\u00e1 para iniciar bem por a\u00ed.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-10803\" title=\"bioagrop6\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/bioagrop6.jpg\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"107\" \/>O Biodiesel de mamona, que o governo est\u00e1 querendo implementar no Nordeste, tem algumas restri\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<br \/>Voc\u00ea n\u00e3o poder\u00e1, provavelmente, misturar mais de 5% de biodiesel de mamona no diesel. Isto ainda \u00e9 muito pol\u00eamico. O biodiesel de mamona n\u00e3o atende \u00e0s normas\u00a0 europ\u00e9ia nem \u00e0 norma americana e \u00e9 muito caro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Biodiesel de mamona, que o governo est\u00e1 querendo implementar no Nordeste, tem algumas restri\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Voc\u00ea n\u00e3o vai poder, provavelmente misturar mais de 5% de biodiesel de mamona no diesel. Isto ainda \u00e9 muito pol\u00eamico. O biodiesel de mamona n\u00e3o atende as normas europ\u00e9ia nem americana e \u00e9 muito caro. N\u00e3o temos not\u00edcia de quem vai subsidiar isto. Voc\u00ea vai sair de uma mat\u00e9ria prima muito cara para produzir um produto barato. Voc\u00ea pode come\u00e7ar com isto nestes 2%, mas com o crescimento da demanda voc\u00ea vai ter que partir para a soja e para a palma na regi\u00e3o norte. Porque s\u00e3o os dois que v\u00e3o trazer escala de produ\u00e7\u00e3o. A palma vai trazer escala de produ\u00e7\u00e3o pela alta produtividade que tem por hectare, de 4 e 5.000 kg de \u00f3leo por ano. A produtividade de \u00f3leo da soja \u00e9 equivalente ao da mamona em torno de 500 a 600 kg, s\u00f3 que o volume de soja que voc\u00ea tem \u00e9 monstruoso e o Brasil domina todo o ciclo, ao contr\u00e1rio da mamona que ainda sabemos muito pouco. Para ganhar escala e passar esses 2%, se n\u00e3o investirmos em soja e palma o programa ir\u00e1 morrer. Tem que se aproveitar este nicho, esta largada para fazer este investimento no nordeste. Agora, novamente precisa-se saber quem vai subsidiar este programa, porque mesmo isentado o PIS, COFINS para o agricultor familiar, conforme est\u00e1 no programa, n\u00e3o d\u00e1 custo.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 A Agropalma trabalha muito com o agricultor familiar?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 No nosso caso \u00e9 diferente. Enquanto empresa privada nosso 1\u00ba foco n\u00e3o \u00e9 benemer\u00eancia social. Quem faz benemer\u00eancia social \u00e9 o governo com os impostos que o setor privado e os contribuintes pagam. Se a iniciativa privada investe em parcerias de agricultura familiar \u00e9 porque o programa \u00e9 bom e est\u00e1 dando resultado, n\u00f3s ganhamos dinheiro, e o parceiro ganha tamb\u00e9m. Voc\u00ea traz consegue trazer desenvolvimento para uma regi\u00e3o com gastos reduzidos aos participantes envolvidos num projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje nestes projetos, a iniciativa privada tem condi\u00e7\u00e3o de expandir sua \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o, sem imobilizar capital em terras, sem aumentar o quadro de funcion\u00e1rios. No nosso caso, entre encargos e benef\u00edcios custa quase 102% do sal\u00e1rio que n\u00f3s pagamos. O agricultor tamb\u00e9m ganha por produzir com seguran\u00e7a, sabendo que o que produzir vai gerar renda, com venda garantida, assist\u00eancia t\u00e9cnica e melhoria de venda. O governo precisar\u00e1 intervir menos nas regi\u00f5es onde estes programas avan\u00e7arem, reduzindo os gastos em programas de renda m\u00ednima, cestas b\u00e1sicas etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vida, tudo que fica raro atrai interesse. A \u00fanica floresta preservada que existe na nossa regi\u00e3o \u00e9 a da Agropalma e se n\u00e3o cuidarmos logo poder\u00e1 ser alvo da cobi\u00e7a de madeireiros ilegais ou posseiros, por isso resolvemos fazer um plano piloto com 50 fam\u00edlias de agricultores familiares da regi\u00e3o. Cada fam\u00edlia receberia 10 hectares e o projeto foi assim dividido. O governo do estado entrou com a terra, Agropalma entrou com a produ\u00e7\u00e3o das mudas, que leva de 15 a 18 meses para estarem aptas ao plantio, a infra-estrutura inicial, aux\u00edlio na capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, primeira aduba\u00e7\u00e3o, e a garantia de compra dos produtos. O pre\u00e7o \u00e9 calculado em um percentual do valor do \u00f3leo bruto no mercado europeu. Mercado de bolsa, que circula sem inger\u00eancia nenhuma nossa. O problema \u00e9 que a palma leva de 3 a 4 anos para come\u00e7ar a produzir.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Como esses agricultores v\u00e3o viver at\u00e9 come\u00e7ar a produzir?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Calma&#8230; A\u00ed entrou o Banco da Amaz\u00f4nia, outro parceiro, e fez um financiamento para os agricultores. Eles pagam um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas para cada uma dessas 50 fam\u00edlias. Note bem, n\u00e3o \u00e9 dado, \u00e9 financiado. O \u00faltimo parceiro \u00e9 a Prefeitura do munic\u00edpio que \u00e9 respons\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e pela contrata\u00e7\u00e3o de um agr\u00f4nomo permanente. Quando eles come\u00e7arem a produzir e a Agropalma come\u00e7a a pagar esses cachos para eles, uma parte deste pagamento vai ser retido e depositado numa poupan\u00e7a no Banco da Amaz\u00f4nia em nome deste produtor, que n\u00e3o vai poder mexer neste dinheiro. Terminando o per\u00edodo de car\u00eancia esse dinheiro vai ser utilizado para pagar o financiamento desse sal\u00e1rio m\u00ednimo e dos insumos que ele recebeu nestes 4 anos.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Uma parceria e tanto&#8230;<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong>&#8211; Voc\u00ea tem a iniciativa privada, o governo estadual, o governo federal e o governo municipal todos envolvidos. Todos tem suas responsabilidades, direitos e deveres em contrato assinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os produtores foram reunidos numa associa\u00e7\u00e3o. Ele foi um piloto para 50. No ano seguinte assentamos mais de 50 fam\u00edlias, e no ano passado mais 50. J\u00e1 temos 1.500 hectares. As primeiras que foram assentadas cuidaram t\u00e3o bem da planta\u00e7\u00e3o que iniciou precocemente, quase um ano antes do que esper\u00e1vamos.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Quando eles come\u00e7am a receber seus sal\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Este ano j\u00e1 come\u00e7aram a receber. O que eles receberam nestes primeiros 3 meses do ano deu uma m\u00e9dia de R$800,00 para cada um. N\u00e3o se esque\u00e7a que a renda m\u00e9dia desta regi\u00e3o n\u00e3o ultrapassa a R$65,00 por m\u00eas. N\u00e3o existe nenhum programa de agricultura familiar na regi\u00e3o Norte do Brasil que chegue pelo menos a metade disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se esque\u00e7a tamb\u00e9m que \u00e9 emprego permanente porque a cultura \u00e9 perene, ou seja, ela vai estar produzindo ali pelos pr\u00f3ximos 30 anos. Ent\u00e3o pelos pr\u00f3ximos 30 anos o cidad\u00e3o tem emprego. Como \u00e9 uma cultura que n\u00e3o necessita de tratos culturais di\u00e1rios, voc\u00ea pode dividir essa \u00e1rea, que n\u00e3o sejam todos 10 hectares de palma e sim 6 hectares de palma e 4 hectares de qualquer outra cultura, ou fruticultura que o solo permita para que a pessoa possa ter de seu trabalho direto, uma cultura de subsist\u00eancia com complemento e n\u00e3o como fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos negociando este projeto com o MDA (Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio) mas as barreiras burocr\u00e1ticas s\u00e3o grandes. Somente em volta da Agropalma n\u00f3s temos mais de 1.000 fam\u00edlias assentadas pelo INCRA, a maioria em condi\u00e7\u00f5es muito ruins. Isto \u00e9 uma quebra de paradigma.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Por que?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Porque fala-se que no Brasil n\u00e3o se tem condi\u00e7\u00e3o de fazer culturas extensivas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prova de que tal fa\u00e7anha \u00e9 poss\u00edvel \u00e9 o que vemos na Agropalma. Tendo contrapartida d\u00e1 para fazer um grande projeto com agricultores familiares. Um grande diferencial \u00e9 que os produtores na Europa e EEUU e Canad\u00e1 sabem que podem produzir porque ter\u00e3o renda certa pelos subs\u00eddios oferecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea fizer um assentamento hoje, no Brasil, com produtores plantado arroz, feij\u00e3o, milho ou outra coisa qualquer, se houver uma quebra de safra, eles n\u00e3o ter\u00e3o para quem vender nem aonde recorrer. No nosso projeto, por tr\u00e1s dos agricultores existe uma empresa forte, preparada a enfrentar as intemp\u00e9ries normais de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Par\u00e1 eles fizeram uma produ\u00e7\u00e3o de mandioca para a produ\u00e7\u00e3o de amido. S\u00f3 que a ind\u00fastria n\u00e3o foi constru\u00edda. A mandioca est\u00e1 pronta para ser colhida. E agora,\u00a0 v\u00e3o fazer o que com a mandioca?<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Por isso tem que casar a oferta com a demanda.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Como disse o governador do Estado do Par\u00e1 no dia da Inaugura\u00e7\u00e3o da nossa usina de Biodiesel, o Par\u00e1 est\u00e1 mostrando uma forma de reforma agr\u00e1ria que se auto-sustenta. Ela recupera uma \u00e1rea degradada. Voc\u00ea nunca far\u00e1 um assentamento numa \u00e1rea de floresta pois j\u00e1 tem \u00e1rea degradada em demasia. Na cultura da Palma voc\u00ea tem condi\u00e7\u00e3o de retornar ao solo em termo de biomassa, algo em torno de 35 toneladas por hectares\/ano. Isto \u00e9 mais biomassa do que qualquer floresta natural produz. Naturalmente n\u00e3o tem a biodiversidade que tem uma floresta. Voc\u00ea traz uma iniciativa que cria uma cobertura verde, inibe lixivia\u00e7\u00e3o, eros\u00e3o e faz uma prote\u00e7\u00e3o de solo, trazendo desenvolvimento social, econ\u00f4mico. O projeto da Agropalma est\u00e1 aberto a visita\u00e7\u00e3o. Semanalmente temos visitas. Recentemente tivemos uma miss\u00e3o do governo da Tail\u00e2ndia. Tivemos tamb\u00e9m visitantes da Codevasf \u2013 Vale do S\u00e3o Francisco l\u00e1 de Pernambuco que est\u00e1 vindo para conhecer este modelo para ver se \u00e9 adapt\u00e1vel l\u00e1 na bacia do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Este modelo da para ser adaptado em outras regi\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 D\u00e1 para ser adaptado a uma s\u00e9rie de culturas. O neg\u00f3cio \u00e9 a quebra do paradigma. O pessoal que est\u00e1 envolvido com a agricultura familiar deixar a ideologia guardada e ter um projeto\u00a0 de pa\u00eds. Isto \u00e9 pressup\u00f5e-se que algu\u00e9m produz, algu\u00e9m compra e algu\u00e9m vende. \u00c8 um equ\u00edvoco dizer que a agricultura familiar n\u00e3o pode estar unida a uma empresa. Pelo contr\u00e1rio, deve estar unida a uma pequena, m\u00e9dia ou grande empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto agr\u00edcola da Mal\u00e1sia se sustentou e cresceu. Um pa\u00eds que \u00e9 do tamanho do estado de S\u00e3o Paulo \u2013 tem mais de 10 produtos agr\u00edcolas que est\u00e3o entre os 3 mais produzidos no mundo. Justamente por isso, toda a parte agr\u00edcola foi feita casada com a parte industrial. A parte industrial que agrega valor e vende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tivemos uma reuni\u00e3o que perguntaram. Quais s\u00e3o os planos para o financiamento do Biodiesel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco do Brasil tem uma linha de financiamento para a produ\u00e7\u00e3o rural de oleoginosas, visando o Biodiesel. O pessoal do BNDS tem uma linha de financiamento para constru\u00e7\u00e3o de usinas. Resta saber quem \u00e9 que vai comprar este produto. Porque hoje voc\u00ea vai produzir muito mais caro do que o mercado est\u00e1 pagando. Quem vai comprar? Qual \u00e9 a outra parte deste processo?<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Como voc\u00ea v\u00ea o mercado para o Biodiesel?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Acho um mercado espetacular. J\u00e1 \u00e9 uma realidade na Europa. Tem algumas interfer\u00eancias que precisam ser avaliadas: existe um subs\u00eddio monstruoso neste setor. Na Alemanha o subs\u00eddio termina em 2009. A\u00ed \u00e9 que veremos como vai ficar. Quando voc\u00ea acompanha o ciclo de Produ\u00e7\u00e3o do Biodiesel na Europa hoje, voc\u00ea v\u00ea a Fran\u00e7a fazendo o oposto da Alemanha. Enquanto a Alemanha \u00e9 um mercado fechado (eles n\u00e3o podem importar Biodiesel), estamos vendo investimento franc\u00eas nesta \u00e1rea, inclusive no Brasil, para futura exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 N\u00e3o h\u00e1 o risco de uma \u201cfebre de biodiesel?\u201d<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Como se fala muito em biodiesel,\u00a0 todos est\u00e3o pensando que \u00e9 f\u00e1cil produzir. Todos querem plantar mamona, palma, etc. Produzir biodiesel tecnicamente pode at\u00e9 ser considerado f\u00e1cil. Produzir biodiesel dentro das especifica\u00e7\u00f5es de mercado \u00e9 muito dif\u00edcil e muito caro. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a ind\u00fastria. Voc\u00ea tem que ter os equipamentos para controlar, para analisar e tem que ter log\u00edstica, que n\u00e3o \u00e9 a mesma log\u00edstica do diesel. N\u00e3o \u00e9 simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos sido chamado para semin\u00e1rios por pessoas querendo fazer um neg\u00f3cio para produzir o biodiesel. Existe at\u00e9 prefeitura se reunindo para fazer coleta de \u00f3leo de fritura para produzir biodiesel. Estamos falando de um mercado de 2 bilh\u00f5es de litros por ano, e o pessoal est\u00e1 querendo fazer biodiesel com \u00f3leo de coleta? Isto \u00e9 muito interessante para ser feito por uma empresa, cooperativas de trabalho ou mesmo prefeituras, se fizerem uma coleta na cidade e tiverem uma parceria com um produtor de biodiesel, que possa transformar este \u00f3leo e utilizar, por exemplo, na frota cativa da cidade. Isto seria um programa vi\u00e1vel, sustent\u00e1vel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Voc\u00ea falou na Amaz\u00f4nia, como voc\u00ea v\u00ea essas declara\u00e7\u00f5es que tem sa\u00eddo na m\u00eddia, como a do Pascal Lamy por exemplo, sobre a\u00a0 internacionaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Se tem algu\u00e9m falando isso \u00e9 porque n\u00f3s demos espa\u00e7o para falar. N\u00f3s somos incompetentes o suficiente de deixar tudo isto acontecer. Se analisarmos a forma como foram feitos os investimentos na Amaz\u00f4nia, desde o primeiro plano de desenvolvimento que foi o SPVEA, l\u00e1 pela d\u00e9cada de 50, todos eles fracassaram. De uma forma ou de outra, todos eles foram radicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se pegarmos o plano da SUDAN, na \u00e9poca de 70 e 80 vemos que era um plano absurdo, porque o governo subsidiava para que as pessoas, as empresas fossem para l\u00e1 derrubar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de floresta que conseguisse. Naquela \u00e9poca, como n\u00e3o existia este conceito de ecologia, todos foram para a Amaz\u00f4nia, empresas nacionais e internacionais tamb\u00e9m. O conceito na \u00e9poca era outro. At\u00e9 que chegou um momento quando se constatou que aquele modelo n\u00e3o funcionava. Quem fez investimento em alguma coisa que pudesse ser sustent\u00e1vel, ficou. Quem n\u00e3o fez foi embora. \u00c9 s\u00f3 olhar aqueles investimentos que foram para l\u00e1 e verificar quantos ficaram. Ainda hoje n\u00e3o h\u00e1 controle adequado na Amaz\u00f4nia pois as principais atividades econ\u00f4micas relacionadas a floresta est\u00e3o nas m\u00e3os de pol\u00edticos ou pessoas de alguma forma ligadas a ele.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; N\u00e3o tem alguma iniciativa do governo para este controle? Pode explicar um pouco mais a Medida Provis\u00f3ria 2166?\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 A M.P. 2166 \u00e9 a lei dos 80\/20. A Amaz\u00f4nia \u00e9 t\u00e3o importante para o Brasil que uma medida provis\u00f3ria que impacta um territ\u00f3rio que \u00e9 mais de 50% do territ\u00f3rio brasileiro continua como medida provis\u00f3ria desde 1999. Desde ent\u00e3o ela n\u00e3o \u00e9 discutida, pelo menos como deveria ser. Se eles considerassem importante j\u00e1 teria sido discutida. Mas ningu\u00e9m quer o \u00f4nus disto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece que as leis para a Amaz\u00f4nia come\u00e7aram a serem melhoradas no governo Sarney quando este tirou os subs\u00eddios para desmatamento. Ali \u00a0j\u00e1 foi um passo interessante. Em 99 criaram a lei dos 80\/20. Voc\u00ea conhece alguma empresa privada que tenha interesse em chegar em \u00e1rea de mata e derrubar 80% para plantar? N\u00e3o h\u00e1, pois a empresa n\u00e3o vai vender este produto em lugar nenhum. O conceito hoje \u00e9 diferente. Independentemente de voc\u00ea ser empres\u00e1rio consciente ou n\u00e3o, as press\u00f5es sejam elas nacionais ou internacionais, principalmente por parte dos clientes s\u00e3o crescentes e ningu\u00e9m mais, que seja s\u00e9rio, quer derrubar a floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida se voc\u00ea tem uma \u00e1rea que foi desmatada h\u00e1 anos e anos e que esteja abandonada, que n\u00e3o produz riqueza, n\u00e3o produz renda e no aspecto ambiental \u00e9 zero, e voc\u00ea quiser investir nesta \u00e1rea, a lei diz que se pode utilizar 20% desta terra, os outros 80% tem\u00a0 que ser reflorestada por conta e risco do empres\u00e1rio e ainda pagando imposto pelos 100% da \u00e1rea. Por exemplo, se algu\u00e9m invadir aquela \u00e1rea e derrubar a floresta que voc\u00ea plantou, voc\u00ea \u00e9 punido judicialmente, voc\u00ea vai preso. Porque, segundo a lei, voc\u00ea tem a obriga\u00e7\u00e3o de proteger aquela \u00e1rea, o que deveria ser obriga\u00e7\u00e3o do governo j\u00e1 que l\u00e1 n\u00e3o se pode investir. Criaram uma lei no Brasil e que: \u201cEm prol da comunidade mundial, todos os propriet\u00e1rios de terra da Amaz\u00f4nia Brasileira, v\u00e3o ter que dar 80% de sua terra sem nada em troca\u201d O Brasil falou que n\u00f3s vamos pegar 80% da Amaz\u00f4nia Brasileira e vamos doar pelo bem estar da comunidade internacional, esquecendo que naquela regi\u00e3o temos mais 20 milh\u00f5es de pessoas que l\u00e1 moram, e como qualquer cidad\u00e3o do mundo tamb\u00e9m querem e merecem almejar pelo conforto de uma vida melhor e mais digna.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Qual a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Acontece o seguinte: Voc\u00ea tem os opostos: os radicais ambientalistas que esquecem as externalidades econ\u00f4micas e os radicais econ\u00f4micos que esquecem as externalidades ambientais e a coisa n\u00e3o anda. O meio tremo existe e precisa ser praticado. O governo tem que cumprir sua obriga\u00e7\u00e3o de legislar.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; E o extrativismo?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-10804\" title=\"bioagrop5\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/bioagrop5.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" \/>MB<\/strong> &#8211; Extrativismo, \u00e9 uma maravilha para voc\u00ea alimentar 50 fam\u00edlias mas n\u00e3o para a quantidade de gente que vive na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 que haja um equil\u00edbrio, e entender que, a medida que voc\u00ea desenvolve sustentavelmente a regi\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 inibindo depreda\u00e7\u00f5es. Quanto as depreda\u00e7\u00f5es ilegais, isto \u00e9 uma quest\u00e3o de pol\u00edcia.\u00a0 N\u00f3s temos o SIVAN, temos sat\u00e9lite em cima da Amaz\u00f4nia, enfim, temos todos os recursos para controlar a devasta\u00e7\u00e3o, o que falta \u00e9 vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Com esta press\u00e3o internacional voc\u00ea n\u00e3o tem medo que chegue a um ponto, em que esta imagem negativa do desmatamento repercuta nos produtos da Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 Exatamente. E \u00e9 por isso que temos que mudar o paradigma. Temos que ter uma lei, uma pol\u00edtica de desenvolvimento s\u00f3cio\/econ\u00f4mico\/ambiental que mostre que pode ser diferente. A Agropalma \u00e9 uma prova disso. N\u00f3s estamos no meio da Amaz\u00f4nia, dentro de uma regi\u00e3o pobre, produzindo riqueza de uma forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado fizemos alguma coisa errada? Claro que sim. Todo mundo fez. Errado para o conceito de hoje. No conceito do passado n\u00e3o era. A grande vantagem do ser humano em qualquer neg\u00f3cio, \u00e9 voc\u00ea se adaptar as necessidades da \u00e9poca em que voc\u00ea vive. A nossa necessidade hoje \u00e9 que seja sustent\u00e1vel e n\u00f3s estamos mostrando que d\u00e1 para fazer. N\u00f3s convidamos voc\u00ea a nos visitar para conhecer a estrutura e ver o que est\u00e1 acontecendo, conversar com as pessoas empregadas, e ver a quantidade de micro-empres\u00e1rios que j\u00e1 surgiu na regi\u00e3o. Depois , viajamos uns 30 quil\u00f4metros para vermos a realidade local dos arredores e vamos ver muita mis\u00e9ria, pobreza, ignor\u00e2ncia, analfabetismo e alta mortalidade infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos produzido alt\u00edssimas quantidades, porque n\u00f3s temos sol, clima, \u00e1gua o ano inteiro. Por um lado n\u00f3s comemoramos o sucesso da nossa agroind\u00fastria, mas por outro lado, sofremos cr\u00edticas por vezes infundadas. Falam que o estado do Mato Grosso \u00e9 o maior destruidor da floresta\u00a0 Amaz\u00f4nica. Se n\u00e3o me engano o estado do Mato Grosso tem 90 milh\u00f5es de hectares e tem 2 ou 3\u00a0 ou mesmo 6 milh\u00f5es de hectares de soja ou seja menos de 10% da \u00e1rea. Ent\u00e3o a verdade, \u00e9 relativa. Depende da forma que \u00e9 mostrada. A m\u00eddia explora do jeito que lhe interessa mais.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Como voc\u00ea v\u00ea a quest\u00e3o do cr\u00e9dito de carbono neste reflorestamento?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong>&#8211; Nesse plano, as florestas validadas em planos de sequestro de carbono s\u00e3o aquelas plantadas ap\u00f3s o ano 2000. Isso \u00e9 um ponto favor\u00e1vel para\u00a0 o governo brasileiro, o grande projeto que temos que fazer, \u00e9 um grande programa de reflorestamento nas \u00e1reas degradadas ,que al\u00e9m do ganho ecol\u00f3gico e econ\u00f4mico com os frutos desta produ\u00e7\u00e3o, se ganhar\u00e1 tamb\u00e9m com o sequestro de carbono. O volume de floresta plantada no Brasil ainda \u00e9 muito pequeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o sequestro de carbono \u00e9 mais uma oportunidade para o Brasil fazer alguma coisa potencialmente grande em termos ambientais. Se pegarmos nossas emiss\u00f5es das ind\u00fastrias, somada \u00e0s das queimadas e de outras mais, o Brasil n\u00e3o seria beneficiado. S\u00f3 estamos sendo beneficiados agora por sermos ainda considerados um pa\u00eds em desenvolvimento. O momento \u00e9 esse. Temos que aproveitar agora. Vamos somar, vamos adicionar o sequestro de carbono pela utiliza\u00e7\u00e3o do Biodisel na substitui\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel f\u00f3ssil ou renov\u00e1vel. \u00c9 mais um ganho.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO- Voc\u00ea considera este momento estrat\u00e9gico para o Brasil?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> &#8211; Tudo isto \u00e9 uma quest\u00e3o de \u201cintelig\u00eancia estrat\u00e9gia\u201d. O que faltou no Brasil no passado e que est\u00e1 alimentando toda esta destrui\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia foi falta de intelig\u00eancia estrat\u00e9gica.\u00a0\u00a0 O Brasil est\u00e1 sofrendo. Se nada for feito e deixarmos do jeito que est\u00e1 \u00e9 mais uma gera\u00e7\u00e3o que se foi. Toda cultura perene \u00e9 de longo prazo, e at\u00e9 voc\u00ea criar, plantar e chegar a idade adulta j\u00e1 se foram mais 10, 12 anos.Cada governo que entra e que n\u00e3o faz nada deixa a situa\u00e7\u00e3o continuar do mesmo jeito na verdade esta contribuindo para a piora do quadro. No segundo mandato do governo passado quando foi editado a Lei 80\/20, em 99, nada foi feito. No governo atual tamb\u00e9m nada foi discutido a respeito. Se tiverem a intelig\u00eancia de transformar o que \u00e9 mal\u00e9fico em um projeto de benef\u00edcios, seria o ideal. Deixar como est\u00e1 \u00e9 complicado e fazer um monte de reserva florestal para atender a press\u00e3o internacional n\u00e3o adianta nada. Cria-se a reserva mas n\u00e3o se cria a forma de sustent\u00e1-la.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO \u2013 Voc\u00ea falou que h\u00e1 um mercado enorme de Biodisel. Quanto movimenta este mercado?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MB<\/strong> \u2013 O programa atual do Brasil que diz usar 2% de biodiesel\u00a0 no diesel.. A partir de 2008 vai ser obrigat\u00f3rio. Por enquanto \u00e9 volunt\u00e1rio. Quando passar a ser obrigat\u00f3rio, n\u00f3s estamos falando de um mercado que vai ter que produzir em torno de 1 bilh\u00e3o de litros por ano. Se colocarmos por\u00a0 R$1,40 por litro, vemos que \u00e9 um mercado respeit\u00e1vel. Isto somente a 2%.Quando a obrigatoriedade passar para 5% vai ser maior ainda. Isto em se falando de Brasil. Na Europa em 2008 vai passar para 5.75% a obrigatoriedade de uso de Biodisel no diesel. Portanto estamos falando de um mercado de bilh\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 em litros, como tamb\u00e9m bilh\u00f5es financeiros!<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccffcc; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><a href=\"http:\/\/www.agropalma.com.br\/\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10806\" title=\"logo\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/logo.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"89\" \/><\/a><\/p>\n<p>________________________________________________________________________________________________<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcello Brito<br \/>\nAgropalma<br \/>\nAgosto 2005<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10794"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10794\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}