{"id":19395,"date":"2010-01-04T18:00:48","date_gmt":"2010-01-04T21:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=19395"},"modified":"2012-03-08T11:59:19","modified_gmt":"2012-03-08T14:59:19","slug":"ong-as-apta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/ong-as-apta\/","title":{"rendered":"ONG AS-APTA"},"content":{"rendered":"<div>\n<table style=\"background-color: #f92c05; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><strong>&#8220;Se o governo lhe pedisse, que provasse em fatos e n\u00fameros, por que \u00e9 mais vantajoso para o pa\u00eds n\u00e3o promover os transg\u00eanicos, como o sr. responderia?&#8221;<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: medium;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Planeta Org\u00e2nico entrevista Jean Marc von der Weid e Flavia Londres, da ONG AS-APTA. Jean Marc von der Weid tamb\u00e9m faz consultorias para a FAO e ao PNUD na \u00e1rea de desenvolvimento sustent\u00e1vel, na \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina.\u00a0 Em 98 criou a Campanha Por um Brasil Livre de Transg\u00eanicos. Atualmente participa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>&#8220;Se o governo lhe pedisse, que provasse em fatos e n\u00fameros, por que \u00e9 mais vantajoso para o pa\u00eds n\u00e3o promover os transg\u00eanicos, como o sr. responderia?&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de mercado muito simples. Tomemos o caso da soja, cuja libera\u00e7\u00e3o para cultivo comercial no Brasil est\u00e1 em disputa judicial: temos que os Estados Unidos, o Brasil e a Argentina concentram 80% da produ\u00e7\u00e3o mundial de soja, que representam 90% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de soja. Estas exporta\u00e7\u00f5es t\u00eam como destino principal a Europa, o Jap\u00e3o e a China, mercados que t\u00eam rejeitado os produtos transg\u00eanicos e imposto restri\u00e7\u00f5es cada vez maiores ao seu consumo. Os EUA e a Argentina j\u00e1 produzem transg\u00eanicos em larga escala e o Brasil \u00e9, atualmente, o \u00faltimo grande produtor e exportador de soja limpa, livre de transg\u00eanicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta condi\u00e7\u00e3o tem garantido ao Brasil uma vantagem comparativa jamais experimentada no mercado internacional. As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja triplicaram nos \u00faltimos cinco anos. Com a crescente demanda da Europa por soja n\u00e3o transg\u00eanica, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras pularam de 11 milh\u00f5es de toneladas, em 1999, para 14 milh\u00f5es de toneladas em 2000, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es americanas estagnaram. De 2000 para 2001, a exporta\u00e7\u00e3o de soja brasileira cresceu 13%, enquanto a dos Estados Unidos continuou estagnada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a soja certificada como n\u00e3o transg\u00eanica est\u00e1 recebendo dos compradores europeus pr\u00eamio de at\u00e9 11 d\u00f3lares por tonelada, enquanto os pre\u00e7os dos produtos transg\u00eanicos ca\u00edram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se isso n\u00e3o bastasse, temos que considerar que o que existe hoje no mercado s\u00e3o dois &#8220;tipos&#8221; de plantas transg\u00eanicas que em realidade n\u00e3o s\u00e3o, como as empresas divulgam, mais econ\u00f4micas, mais ecol\u00f3gicas ou mais produtivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-19396\" title=\"sojabig\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/sojabig.gif\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"134\" \/>O primeiro &#8220;tipo&#8221; \u00e9 o das plantas resistentes a herbicidas. \u00c9 o caso da soja transg\u00eanica Roundup Ready (RR), da empresa Monsanto, resistente ao herbicida Roundup, da mesma empresa. Esta tecnologia permite que o agricultor pulverize o agrot\u00f3xico \u00e0 vontade, sobre a lavoura, matando todas as esp\u00e9cies de plantas existentes no local e deixando as plantas de soja transg\u00eanica intactas. Em plantios convencionais os agricultores s\u00e3o obrigados a manejar estes produtos com muito cuidado, sob o risco de prejudicar a pr\u00f3pria lavoura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que o resultado das planta\u00e7\u00f5es de soja transg\u00eanica vem sendo o maior uso de herbicidas. Primeiro, devido \u00e0 facilidade de manejo que este sistema proporciona e, segundo, porque ao se usar sempre e em grande quantidade um mesmo agrot\u00f3xico, o mato adquire resist\u00eancia, obrigando o agricultor usar maiores quantidades do produto para compensar sua perda de efic\u00e1cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro &#8220;tipo&#8221; de transg\u00eanico existente no mercado s\u00e3o as plantas inseticidas. Estas plantas receberam genes de uma bact\u00e9ria que produz toxinas inseticidas e se tornaram, elas mesmas, letais para os insetos que delas se alimentam. \u00c9 o caso do milho e do algod\u00e3o Bt (o nome vem de Bacillus thuringiensis, bact\u00e9ria da qual se extraiu o gene), que s\u00e3o t\u00f3xicos para as lagartas e insetos que os atacam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que da mesma forma que o mato adquire resist\u00eancia ao herbicida, os insetos adquirem resist\u00eancia \u00e0s plantas Bt. O problema \u00e9 que, como a toxina est\u00e1 presente em todas as c\u00e9lulas da planta Bt, a exposi\u00e7\u00e3o das pragas ao &#8220;veneno&#8221; \u00e9 muito maior, o que acelera o desenvolvimento da resist\u00eancia. O resultado \u00e9 que muito rapidamente estas plantas perdem sua efic\u00e1cia e obrigam os agricultores a usar outros inseticidas at\u00e9 mais fortes do que os que usavam originalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro dado importante \u00e9 que nem as plantas resistentes a herbicidas e nem as inseticidas s\u00e3o mais produtivas que seus pares convencionais (a soja RR, ao contr\u00e1rio, \u00e9 ligeiramente menos produtiva do que a convencional).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a tecnologia usada para se desenvolver as sementes transg\u00eanicas \u00e9 car\u00edssima e, como forma de garantir o retorno de seus investimentos, as ind\u00fastrias cobram, al\u00e9m de &#8220;taxas de tecnologia&#8221;, direitos de patente sobre suas sementes. Isto significa que quando o agricultor as compra, ele assina um contrato que o pro\u00edbe de reutiliz\u00e1-las em safras seguintes (pr\u00e1tica de guardar sementes, tradicional da agricultura) assim como de comercializ\u00e1-las, troc\u00e1-las ou pass\u00e1-las adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, al\u00e9m do agricultor ter que pagar taxas de tecnologia e pre\u00e7os mais elevados (as sementes transg\u00eanicas s\u00e3o em m\u00e9dia 30% mais caras do que as convencionais), ele fica proibido de reproduzir sementes e obrigado a compr\u00e1-las todos os anos. Percebemos que ele \u00e9 colocado numa condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o aos seus insumos b\u00e1sicos, o que fragiliza ainda mais sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes fatores, aliados \u00e0s quest\u00f5es de mercado expostas no in\u00edcio, explicam porque \u00e9 muito mais vantajoso para o Brasil n\u00e3o permitir o cultivo comercial de transg\u00eanicos em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>Algumas pessoas, de diversos setores (desde pesquisa at\u00e9 produ\u00e7\u00e3o) consideram um atraso a resist\u00eancia a produtos transg\u00eanicos. O que o sr. tem a dizer sobre este argumento?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o dos produtos transg\u00eanicos que existem no mercado est\u00e1 nas m\u00e3os de um pequeno n\u00famero de poderos\u00edssimas empresas transnacionais. Cada variedade transg\u00eanica \u00e9 protegida por v\u00e1rias patentes, \u00e0s quais tanto os agricultores como os pesquisadores t\u00eam que se sujeitar. Como estas empresas dominam o mercado de sementes (n\u00e3o s\u00f3 transg\u00eanicas) em quase todos os pa\u00edses, elas ficam livres para colocarem no mercado s\u00f3 as sementes que querem (atualmente, nos EUA, \u00e9 dific\u00edlimo encontrar sementes de soja convencional de qualidade no mercado) e pelo pre\u00e7o que querem. Os agricultores ainda s\u00e3o proibidos de multiplicar as sementes, sendo obrigados a recorrer a estas empresas todos os anos para a compra de novas sementes. Neste modelo de agricultura biotecnol\u00f3gica, quase todo o processo de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os das empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o adotarmos os transg\u00eanicos agora n\u00e3o estaremos deixando de desenvolver tecnologia. A tecnologia j\u00e1 est\u00e1 vindo pronta de fora, e poder\u00e1 ser importada a qualquer momento, se avaliarmos que isto ser\u00e1 interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, como j\u00e1 dissemos acima, n\u00e3o h\u00e1 vantagens comparativas em se adotar os cultivos transg\u00eanicos em detrimento dos convencionais. H\u00e1, sim, os riscos (para a sa\u00fade e para o meio ambiente) que os transg\u00eanicos trazem consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos que haja mais investimentos para pesquisas de interesse p\u00fablico. Em verdade, sabe-se muito pouco sobre os efeitos da transgenia e \u00e9 necess\u00e1rio se aprofundar o conhecimento cient\u00edfico nesta \u00e1rea. \u00c9 urgente que se comece a investir pesado em pesquisas de avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental e de avalia\u00e7\u00e3o de efeitos na sa\u00fade humana e animal devido ao consumo de alimentos transg\u00eanicos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>As empresas multinacionais de transg\u00eanicos e seus simpatizantes alegam que estes alimentos s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para a fome mundial. O sr. concorda?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da fome n\u00e3o pode ser resolvida pelo cultivo de plantas transg\u00eanicas. A fome n\u00e3o existe por falta absoluta de alimentos no mundo, mas pela falta de recursos para importar alimentos nos pa\u00edses mais pobres com d\u00e9ficit de produ\u00e7\u00e3o e, nas fam\u00edlias mais pobres, para comprar alimentos ou produzi-los. Para resolver o problema da fome, a estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 aumentar a produ\u00e7\u00e3o em termos absolutos, mas sim nos pa\u00edses deficit\u00e1rios. Por outro lado, n\u00e3o basta aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos nestes pa\u00edses, mas faz\u00ea-lo com custos baixos o suficiente para permitir o acesso da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. \u00c9 claro que sem uma distribui\u00e7\u00e3o de renda e pol\u00edticas de pleno emprego sempre haver\u00e1 fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande parte dos famintos \u00e9 das zonas rurais, que n\u00e3o conseguem produzir o suficiente para comer e\/ou para vender nos mercados. Outra estrat\u00e9gia de supera\u00e7\u00e3o da fome passa por dar condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o para este setor, tanto para resolver sua situa\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia alimentar, como para ampliar a oferta de alimentos baratos no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste setor a tecnologia dos transg\u00eanicos n\u00e3o tem o menor sentido. \u00c9 uma tecnologia cara e arriscada para agricultores que vivem em situa\u00e7\u00f5es de risco ambiental significativo. A soja Roundup Ready, por exemplo, tem como objetivo facilitar o uso de herbicidas pelos agricultores, mas o nosso p\u00fablico alvo n\u00e3o usa herbicidas por n\u00e3o poder compr\u00e1-los. O milho ou o algod\u00e3o Bt podem representar uma economia no uso de pesticidas, mas o nosso p\u00fablico n\u00e3o costuma us\u00e1-los, pelas mesmas raz\u00f5es acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ampliar a oferta de alimentos a solu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vem dando certo \u00e9 o emprego da agroecologia. Como esta tecnologia n\u00e3o implica no uso de caros insumos externos, ela tem menores riscos para o produtor. Sua efici\u00eancia est\u00e1 comprovada com resultados atingindo, numa m\u00e9dia mundial de casos analisados por pesquisadores da Universidade de Essex, na Inglaterra, 100% de aumento da produtividade. \u00c9 interessante notar que nos casos mais avan\u00e7ados analisados na pesquisa, ou seja, os que corresponderam \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o integral dos conceitos e do conjunto das t\u00e9cnicas da agroecologia, os aumentos de produtividade chegaram a 500%. Mesmo que os transg\u00eanicos n\u00e3o oferecessem riscos ambientais e para a sa\u00fade do consumidor, eles decididamente n\u00e3o resolveriam os problemas da fome no mundo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>Como o sr. v\u00ea o mercado brasileiro e o mercado mundial de alimentos e da agricultura, com rela\u00e7\u00e3o aos subs\u00eddios na Europa e nos Estados Unidos, no presente momento e num futuro pr\u00f3ximo?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso americano, os novos subs\u00eddios aprovados para a agricultura s\u00e3o mais um reflexo da inefici\u00eancia de seu modelo de produ\u00e7\u00e3o, para o qual a biotecnologia n\u00e3o trouxe melhorias. As grandes monoculturas homog\u00eaneas &#8211; e transg\u00eanicas &#8211; americanas s\u00e3o absolutamente insustent\u00e1veis e n\u00e3o podem sobreviver e competir no mercado internacional sem gordos subs\u00eddios do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos pa\u00edses europeus vieram, ao longo dos \u00faltimos anos, adotando uma pol\u00edtica agr\u00edcola suicida, reduzindo o n\u00famero de pequenas propriedades de produtores diversificados para o abastecimento do mercado interno e se voltando para a grande produ\u00e7\u00e3o de comodities de exporta\u00e7\u00e3o. Este modelo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel em pa\u00edses onde a terra \u00e9 barata e vasta. Para os pa\u00edses europeus ele ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe e tamb\u00e9m s\u00f3 sobreviver\u00e1 a custas de grandes subs\u00eddios.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>Que caminhos o Brasil deveria tomar para firmar-se como auto-sustent\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>A agroecologia vem mostrando capacidade de produzir com rendimentos por hectare iguais ou superiores aos sistemas convencionais, transg\u00eanicos ou n\u00e3o. Seus custos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais baixos e sua estabilidade frente a varia\u00e7\u00f5es ambientais muito maior que nestes \u00faltimos. Por outro lado, a agroecologia n\u00e3o provoca danos ambientais nem destr\u00f3i recursos naturais n\u00e3o tendo, portanto, custos indiretos a contabilizar.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>O grande &#8220;problema&#8221; da agroecologia \u00e9 que ela n\u00e3o pode ser utilizada em grande escala em fazendas, empregando mecaniza\u00e7\u00e3o pesada, exatamente por operar atrav\u00e9s de sistemas diversificados de uso do espa\u00e7o. Agroecologia rima com diversidade, enquanto agroqu\u00edmica e transg\u00eanicos rimam com homogeneidade. Agroecologia ajusta-se perfeitamente \u00e0 agricultura familiar, que usa m\u00e3o de obra contratada de forma complementar e pontual. Como s\u00e3o sistemas complexos, eles exigem uma capacidade de gest\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo de trabalho dificilmente aplic\u00e1vel em grande escala com m\u00e3o de obra alugada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas este &#8220;problema&#8221; \u00e9, na verdade, uma solu\u00e7\u00e3o. Em um pa\u00eds como o Brasil, em que boa parte de sua popula\u00e7\u00e3o ativa n\u00e3o tem expectativa de encontrar emprego e renda suficientes e est\u00e1veis para uma vida digna, a ideia de um sistema agr\u00edcola baseado em propriedades familiares \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o (talvez a \u00fanica) para resolver o problema da marginaliza\u00e7\u00e3o crescente da popula\u00e7\u00e3o. A agricultura familiar resultante de uma radical redistribui\u00e7\u00e3o da propriedade fundi\u00e1ria ser\u00e1 perfeitamente capaz de produzir alimentos e outros produtos agr\u00edcolas para as necessidades do consumo interno e das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<table style=\"background-color: #006600; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\"><strong><span style=\"font-size: medium;\">O QUE \u00c9 AS-PTA<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A AS-PTA \u00e9 uma Ong, fundada em 1989, que procura promover o desenvolvimento rural sustentado com base na agricultura familiar e na agroecologia. Ela atua orientando processos participativos de desenvolvimento local em duas micro-regi\u00f5es, no Nordeste (envolvendo 15 munic\u00edpios) e no Sul do Pa\u00eds (22 munic\u00edpios). A partir dos resultados t\u00e9cnicos, econ\u00f4micos e sociais alcan\u00e7ados nestes programas a AS-PTA extrai subs\u00eddios para orientar propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas que permitam gener<strong>alizar estas experi\u00eancias para outros programas de desenvolvimento local de agricultores<\/strong> familiares. O efeito de demonstra\u00e7\u00e3o obtido nestes programas \u00e9 o elemento-chave para influenciar os mais variados atores (poderes p\u00fablicos, organiza\u00e7\u00f5es de agricultores, pesquisadores, professores, extensionistas, ONGs, etc.) sobre as vantagens da agroecologia e das metodologias participativas na promo\u00e7\u00e3o de uma agricultura sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para cumprir a miss\u00e3o que assumiu, a AS-PTA colabora com in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Entre elas encontram-se entidades de agricultores familiares das \u00e1reas em que atua, mas tamb\u00e9m entidades nacionais, dezenas de ONGs, pesquisadores da Embrapa e de entidades estaduais de pesquisa, al\u00e9m de participar do Conselho Nacional Assessor da Embrapa, do Conselho Assessor do Centro Nacional de Pesquisa em Agrobiologia e de representar as ONGs no Conselho Nacional para o Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel, do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio. Colabora tamb\u00e9m com professores das Universidades Federal Rural do Rio de Janeiro, Federal da Para\u00edba e Federal de Pernambuco e da Universidade Estadual de Londrina (PR). No plano internacional a AS-PTA colabora com a FAO na organiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o e participa do comit\u00ea executivo do F\u00f3rum Global para a Pesquisa Agr\u00edcola.<\/p>\n<\/div>\n<div>__________________________________________________________________________________________________________________<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jean Marc von der Weid e Flavia Londres<br \/>\nJulho 2002<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19395"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19395"}],"version-history":[{"count":10,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19406,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19395\/revisions\/19406"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}