{"id":19700,"date":"2010-01-04T17:15:51","date_gmt":"2010-01-04T20:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=19700"},"modified":"2012-03-13T16:44:00","modified_gmt":"2012-03-13T19:44:00","slug":"fundbrasileira-pdesenvsust","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/fundbrasileira-pdesenvsust\/","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o Brasileira p\/Desenvolvimento Sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-19701\" title=\"israel2\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/israel2.gif\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"186\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin \u00e9 presidente da FBDS, Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Engenheiro, p\u00f3s-graduado pelo Instituto de Ci\u00eancias Pol\u00edticas &#8211; Fran\u00e7a, presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o das Industrias Klabin de Papel e Celulose e foi Prefeito do Rio de Janeiro no entre 1979 e 1983.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Desde 1992 Israel Klabin passou a dedicar-se integralmente ao meio ambiente, o qual, segundo suas pr\u00f3prias palavras,\u00a0 ser\u00e1 o vetor para novo sistema macro econ\u00f4mico do planeta. Confira a entrevista deste ambientalista convicto que prop\u00f5e um novo vetor para o modelo econ\u00f4mico: o vetor \u00e9tico.<\/strong><\/p>\n<p><br class=\"spacer_\" \/><\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Sua veia ambientalista sempre esteve latente?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui criado em neg\u00f3cio de florestas, plantando \u00e1rvores. Fui o primeiro a instalar no Brasil, enquanto prefeito no Rio de Janeiro, a quest\u00e3o da consci\u00eancia ambiental. Em 1992 larguei tudo que estava fazendo e me dediquei somente a FBDS. Tudo se liga no modelo econ\u00f4mico, havendo \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o. No FBDS n\u00f3s n\u00e3o somos especializados em agricultura. Nossas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o est\u00e3o relacionadas com florestas, sistemas h\u00eddricos, recupera\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, biodiversidade e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; A FBDS foi a primeira a alertar sobre a urg\u00eancia de provid\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Israel Klabin &#8211; Alertamos desde 1992. A FBDS olha os problemas t\u00e1ticos e estrat\u00e9gicos. N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o definitiva, r\u00e1pida e global. Existem solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Todas elas baseadas em projetos operacionais e a FBDS trabalha nesses projetos. As solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o de tr\u00eas esp\u00e9cies:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1\u00ba<\/strong> &#8211; Absor\u00e7\u00e3o de Carbono: s\u00e3o florestas de crescimento r\u00e1pido. O Brasil tem toda a infra-estrutura para grandes reflorestamentos. Existem v\u00e1rios projetos que podem incrementar a base florestal j\u00e1 existente no pa\u00eds. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tem \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es para absor\u00e7\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2\u00ba<\/strong> &#8211; Efici\u00eancia energ\u00e9tica, ou seja, como o Brasil pode alcan\u00e7ar este reclamo nacional e internacional. Como podemos preservar, conservar e economizar energia. A FBDS, associada com a FIESP instalou um n\u00facleo de projetos de Desenvolvimento Limpo. Este centro localizado na sede da Av. Paulista \u00e9 organizado em torno do que h\u00e1 de melhor no Brasil sobre o assunto. Coordenado pelo professor Goldenberg, sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolver, juntamente com o setor industrial, oportunidades para execu\u00e7\u00e3o de projetos de controle de emiss\u00f5es e sequestro de g\u00e1s carb\u00f4nico &#8220;dentro do esp\u00edrito do Protocolo de Kyoto&#8221;, utilizando-se do mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que ainda est\u00e1 em fase de implementa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Estamos trabalhando nisso. Temos j\u00e1 programados uma s\u00e9rie de workshops, al\u00e9m de v\u00e1rias oportunidades de projetos de ponta sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> 3\u00ba<\/strong> &#8211; As energias alternativas s\u00e3o o grande salto, mas, infelizmente, ainda estamos muito atrasados. A FBDS est\u00e1 trabalhando com a energia termosolar, que \u00e9 a alternativa mais promissora. Temos um acordo com o Instituto Weizman de Pesquisas, em Israel, e com o CEPEL (Centro de Pesquisas da Eletrobr\u00e1s). Atrav\u00e9s de uma tecnologia inovadora, este projeto resolve um dos problemas centrais da produ\u00e7\u00e3o de energia solar, que \u00e9 o armazenamento e a possibilidade de transport\u00e1-la. A FBDS foi o principal articulador desta iniciativa e hoje faz parte do Grupo Coordenador.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; E onde ser\u00e1 implantado este projeto?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; O primeiro projeto era previsto para a Bahia, que seria um projeto piloto de 10 mgw. Isto est\u00e1 em andamento mas a burocracia brasileira atrasa muito.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Como o sr. v\u00ea a quest\u00e3o dos transg\u00eanicos?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; O problema dos organismos geneticamente modificados, o OGM, \u00e9 o problema de ponta da ci\u00eancia, que ainda n\u00e3o est\u00e1 resolvido. Trata-se de um processo em evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica mas j\u00e1 atingiu um patamar fant\u00e1stico. No Brasil, temos v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o \u00e0 frente de grandes grupos de pesquisa internacionais. A Embrapa, e outros tantos centros de pesquisa avan\u00e7ados, trabalhando em diferentes \u00e1reas da engenharia gen\u00e9tica, mostram-se promissores no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados. Por seu lado, a CTN BIO com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica e da ind\u00fastria, tem criado regras para o controle de OGM. Portanto o Brasil n\u00e3o deve nada \u00e0 institui\u00e7\u00f5es &#8220;alien\u00edgenas&#8221; que possam chegar aqui divulgando novidades em mat\u00e9ria de ci\u00eancia. Mas digamos que, eventualmente n\u00f3s n\u00e3o tiv\u00e9ssemos estes centros adiantados. Ainda assim eu diria que o assunto \u00e9 altamente question\u00e1vel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Por que o sr. considera\u00a0 transg\u00eanicos um tema altamente question\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; Por duas raz\u00f5es principais. A primeira \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o final quanto ao impacto no meio ambiente, no ser humano, nos animais e principalmente nos mecanismos de evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, plantas ou animais geneticamente modificados. A tend\u00eancia hoje do consumidor \u00e9 informar-se melhor e encontrar maior seguran\u00e7a alimentar. Com isso, os alimentos industrializados e os OGM s\u00e3o vistos com reservas, o que pode explicar a explos\u00e3o dos produtos org\u00e2nicos. A segunda, \u00e9 que n\u00e3o existe nenhuma conclus\u00e3o definitiva sobre o tema.\u00a0 Aqui no Brasil, o Sr. Ministro da Agricultura tomou decis\u00f5es que s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0s ind\u00fastrias de produtos transg\u00eanicos, assumindo riscos desnecess\u00e1rios, considerando as opini\u00f5es dos ambientalistas, como n\u00f3s, desprovidas de valor cient\u00edfico, o que \u00e9 lament\u00e1vel.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Qual o caminho do futuro, no seu ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; Dois pontos s\u00e3o indiscut\u00edveis. Primeiro: n\u00f3s temos n\u00edvel cient\u00edfico no Brasil para resolver o nosso pr\u00f3prio destino, em termos de evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Segundo, o que est\u00e1 errado basicamente \u00e9 o modelo econ\u00f4mico da demanda de alimentos. Alimento como uma &#8220;commodity&#8221; faz parte de um processo que aos poucos est\u00e1 sendo ultrapassado. Comida \u00e9 um direito definitivo de todo ser humano. Seja ele rico ou pobre n\u00e3o pode haver diferen\u00e7a. Esse ent\u00e3o \u00e9 o <strong><span style=\"text-decoration: underline;\">vetor \u00e9tico do modelo futuro<\/span><\/strong>; que cada pa\u00eds tenha a capacidade de garantir aos seus cidad\u00e3os, o acesso a alimentos b\u00e1sicos, quer tenha capacidade instalada para a produ\u00e7\u00e3o destes alimentos ou n\u00e3o. O modelo econ\u00f4mico que n\u00f3s estamos vivendo no Brasil n\u00e3o permite isso. No Brasil n\u00e3o tem fome como h\u00e1 na \u00c1frica por exemplo.. Existem fomes localizadas, devido a cat\u00e1strofes locais, car\u00eancias localizadas, mas \u00e9 um pa\u00eds que possui uma distribui\u00e7\u00e3o de comida relativamente boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu sou totalmente contra \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos de um monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o de alimentos por duas ou tr\u00eas empresas multinacionais, pessimamente justificado pela onda de globaliza\u00e7\u00e3o. Participei de uma longa exposi\u00e7\u00e3o com o S\u00e9rgio Beckerman, presidente do IBGE, que abordou muito bem isso. Ele demonstrou que a m\u00e9dia de calorias por habitantes no Brasil est\u00e1 bem distribu\u00edda e que o problema brasileiro n\u00e3o \u00e9 de comida. O problema brasileiro \u00e9 de educa\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Este vetor \u00e9tico de um novo modelo reflete o modelo proposto pelos ambientalistas?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; O que estou querendo dizer \u00e9 que n\u00f3s, ambientalistas, n\u00e3o aceitamos apenas os efeitos vis\u00edveis dos impactos ambientais do projeto econ\u00f4mico. N\u00f3s questionamos a \u00e9tica deste modelo. Por outro lado, pensamos numa estrat\u00e9gia de prazo longo. Nenhum modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico-social est\u00e1 preocupado hoje em procurar uma estrat\u00e9gia de longo prazo ou medir as consequ\u00eancias dos vetores desse modelo. Isso vai dar na globaliza\u00e7\u00e3o, na privatiza\u00e7\u00e3o. Alguns s\u00e3o bons, alguns s\u00e3o maus. Fiz uma apresenta\u00e7\u00e3o no &#8220;Woodrow Wilson Center&#8221;, em Washington, onde abordo a quest\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o de energia e meio ambiente. O que existe basicamente \u00e9 o seguinte: o Brasil tem um excedente gigantesco de energias renov\u00e1veis, hidroel\u00e9tricas, por\u00e9m em locais estrategicamente question\u00e1veis. Uma grande porcentagem deste potencial est\u00e1 na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Mas a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 duramente atacada pelos demais pa\u00edses.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; N\u00f3s sabemos muito bem que o desenvolvimento assim dito, de infraestrutura na Amaz\u00f4nia \u00e9 uma cat\u00e1strofe ambiental. Veja o aproveitamento hidroel\u00e9trico de Balbina, que provocou uma grande modifica\u00e7\u00e3o no ecossistema natural, com os lagos artificiais formados. O mesmo com as ferrovias e estradas abertas pela antiga Vale do Rio Doce. O impacto ambiental n\u00e3o deve ser medido somente pela obra de engenharia instalada mas sobre as externalidades decorrentes. Se voc\u00ea considera a estrada de ferro Caraj\u00e1s, feita para transporte de ferro, constata que a ferrovia atraiu uma grande quantidade de pessoas, que passaram a desmatar, queimar, construir vilas e pequenas cidades, onde anteriormente existia somente a floresta nativa. No entorno da ferrovia, ampliou-se as \u00e1reas degradadas e o impacto ambiental s\u00f3cio-econ\u00f4mico tornaram-se gigantescos, al\u00e9m dos benef\u00edcios econ\u00f4micos gerados pelo empreendimento. N\u00e3o o impacto da minera\u00e7\u00e3o em si, pois ela \u00e9 localizada. Mas as consequ\u00eancias s\u00e3o muito s\u00e9rias, quando n\u00e3o se prev\u00ea o downstream de um processo de desenvolvimento. Se eu for fazer um aproveitamento hidroel\u00e9trico pr\u00f3ximo aos Andes, onde existe uma grande diferen\u00e7a de altitude e uma grande ocorr\u00eancia de massas h\u00eddricas capazes de serem aproveitadas, preciso saber qual o impacto do sistema adotado para o transporte desta energia. Podem ser que as vias constru\u00eddas, venham a abrir \u00e1reas virgens \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o selvagem. Eventualmente dever\u00edamos pensar em colocar ind\u00fastrias que demandem grande potencial energ\u00e9tico pr\u00f3xima a fonte. Isto chama-se uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo, considerando essencialmente o impacto ambiental. Esse \u00e9 um dos problemas que mais nos preocupa.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; Que projetos o sr. destacaria como priorit\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; H\u00e1 v\u00e1rios projetos em andamento. O Governo est\u00e1 atento, mas \u00e9 preciso compreender que n\u00f3s estamos hoje, no planeta, questionando a matriz energ\u00e9tica. 78% da energia produzida no planeta hoje vem de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Uma trag\u00e9dia!\u00a0 As emiss\u00f5es s\u00e3o equivalentes ao dobro daquelas que os ecossistemas da Terra podem digerir. Nosso planeta tem capacidade metab\u00f3lica de digerir 3,3 bilh\u00f5es de toneladas e n\u00f3s j\u00e1 estamos emitindo 7,2 bilh\u00f5es!! A vida na Terra depende de uma camadinha de 8km de espessura que envolve uma bola de 8.000kms quadrados. Esta fina casquinha de laranja est\u00e1 sendo sistematicamente destru\u00edda. Qualquer altera\u00e7\u00e3o em sua constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 tr\u00e1gica para toda a vida vegetal e animal.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>PO &#8211; E o que o Sr. acha desta atitude do presidente Bush de n\u00e3o assinar o protocolo de Kyoto?<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin <\/strong>&#8211; Eu j\u00e1 estava esperando esta rea\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo. Eu acho que foi \u00f3timo ter ocorrido isso porque desmascarou uma atitude que estava levando o Protocolo de Kyoto a ser atrasado, e aos pouquinhos, liquidado.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; E qual o seu progn\u00f3stico para este impasse?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; Como eu disse, 78% da emiss\u00e3o s\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos, dos quais quase a metade \u00e9 dos Estados Unidos. O que daria a eles o direito de veto em qualquer solu\u00e7\u00e3o dentro da confer\u00eancia das partes, e dentro da metodologia diplom\u00e1tica do Protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 o processo que normalmente dever\u00e1 acontecer? Caso se contabilize nos custos de produ\u00e7\u00e3o industrial o adicional do custo ambiental da absor\u00e7\u00e3o do carbono emitido pelos pa\u00edses industrializados e os maiores emissores, as nossas economias passam a ser competitivas. Ent\u00e3o n\u00f3s estamos discutindo o modelo econ\u00f4mico e n\u00e3o mais o modelo ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultante final: O modelo econ\u00f4mico que n\u00f3s estamos vivendo est\u00e1 fadado a desaparecer. N\u00f3s ambientalistas, temos alguns modelos alternativos. Mas para vender isto a um pa\u00eds de pujan\u00e7a e de for\u00e7a como os EEUU, \u00e9 quase imposs\u00edvel. Isto vai lhes custar muito caro. Eventualmente, at\u00e9 a pr\u00f3pria hegemonia.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; O que coloca imposs\u00edvel a ratifica\u00e7\u00e3o do Protocolo de Kyoto pelos EEUU&#8230;<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin<\/strong> &#8211; Eles n\u00e3o ir\u00e3o ratificar este acordo, pois h\u00e1 uma crise econ\u00f4mica e esta crise est\u00e1 marcada. E eu nem estou me referindo a situa\u00e7\u00f5es particulares. Todos eles, indiv\u00edduos,\u00a0 est\u00e3o a favor de diminuir as emiss\u00f5es, ou de absorv\u00ea-las mas n\u00e3o querem fazer nada que altere o modelo econ\u00f4mico. Como o assunto foi discutido exclusivamente pelo lado ambiental, n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o. Isto dever\u00e1 ser discutido no cen\u00e1rio econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja bem, em 1945, foi o tratado de Bretton Wood que modelou o sistema macro econ\u00f4mico do planeta. Atualmente, deveria haver outra confer\u00eancia que remodelasse o sistema macro econ\u00f4mico com base na sustentabilidade ambiental do planeta. O vetor principal n\u00e3o se chamaria <strong>Moeda<\/strong>, chamaria-se <strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Meio Ambiente.<\/span><\/strong><\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; A \u00e1gua vai virar uma commodity?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Klabin <\/strong>&#8211; \u00c9 isto que as grandes empresas internacionais querem. Se elas controlam a agricultura e a \u00e1gua, o controle passa a ser absoluto. A \u00e1gua est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 id\u00e9ia de floresta, conserva\u00e7\u00e3o, que por sua vez est\u00e1 ligada ao problema de emiss\u00f5es. Ent\u00e3o, a \u00e1gua \u00e9 o primeiro fator de sustentabilidade do planeta. Ao recuperar as matas, voc\u00ea est\u00e1 conservando os recursos h\u00eddricos ao mesmo tempo em que absorve o carbono.<\/p>\n<table style=\"background-color: #ccff9a; width: 680px;\" border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>PO &#8211; H\u00e1 quem afirme que cultivar produtos org\u00e2nicos \u00e9 um retrocesso diante de todas essas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas? O sr. concorda?<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Israel Klabin &#8211; N\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio!\u00a0 Org\u00e2nico est\u00e1 diretamente relacionado com meio ambiente. Voc\u00eas devem conversar com a pessoa que \u00e9 um mestre para n\u00f3s todos e foi da maior import\u00e2ncia para todo ambientalista brasileiro: Jos\u00e9 Lutzemberg. Ele \u00e9 o important\u00edssimo pensador brasileiro sobre agricultura org\u00e2nica e dirige a Funda\u00e7\u00e3o Gaia, onde faz suas pr\u00f3prias experi\u00eancias nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11px; line-height: normal;\">_______________________________________________________________________________________________________________________________________________<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Israel Klabin<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Brasileira p\/Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<br \/>\nAbril 2001<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19700"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19700"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19708,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19700\/revisions\/19708"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}