{"id":3762,"date":"2009-11-24T11:37:55","date_gmt":"2009-11-24T14:37:55","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=3762"},"modified":"2009-11-24T11:37:55","modified_gmt":"2009-11-24T14:37:55","slug":"viabilidade-da-producao-organica-de-leite-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/viabilidade-da-producao-organica-de-leite-no-brasil\/","title":{"rendered":"Viabilidade da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de leite no Brasil*"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><strong>Luiz J. M. Aroeira e Lorildo A. Stock**<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de leite \u00e9 um processo recente na agropecu\u00e1ria nacional, com escassas informa\u00e7\u00f5es sobre sua viabilidade econ\u00f4mica. Com pouca oferta no mercado e pagamento diferenciado, embora ainda apresentando custos de produ\u00e7\u00e3o mais elevados em rela\u00e7\u00e3o ao convencional, esse produto pode constituir uma alternativa interessante para a atividade leiteira. Sem contar com os eventuais ganhos ambientais decorrentes desta de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No artigo, prop\u00f4-se uma an\u00e1lise comparativa entre dois sistemas de produ\u00e7\u00e3o de leite completos: um convencional e um org\u00e2nico. O objetivo foi avaliar a viabilidade econ\u00f4mica destes sistemas, usando-se, como ferramenta, um modelo de simula\u00e7\u00e3o desenvolvido pela equipe t\u00e9cnica da Embrapa Gado de Leite.<\/p>\n<p>Para o sistema convencional, adotou-se caracter\u00edsticas comuns a sistemas de produ\u00e7\u00e3o em Minas Gerais, tais como:<\/p>\n<p>\u00c1rea de 100 ha para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos (pastagens, milho, etc.);\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>Rebanho mesti\u00e7o Holand\u00eas (3\/4) x Zebu (1\/4);\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Pastejo rotacionado, com suplementa\u00e7\u00e3o concentrada para vacas em lacta\u00e7\u00e3o;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 12 litros de leite por vaca em lacta\u00e7\u00e3o\/dia;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Total de 140 vacas, sendo 70% em lacta\u00e7\u00e3o;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Dura\u00e7\u00e3o de lacta\u00e7\u00e3o de 300 dias, 34 meses de idade ao primeiro parto;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Taxa de lota\u00e7\u00e3o das pastagens de 2,5 UA\/ha;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Controle de ecto e endoparasitos por meio de carrapaticidas e ivermectinas;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Uso de antibi\u00f3ticos no tratamento e preven\u00e7\u00e3o das mastites;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Descarte dos machos na primeira semana de vida.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caracteriza\u00e7\u00e3o do sistema org\u00e2nico foi elaborada com base em dados obtidos a partir de entrevistas com produtores certificados ou em processo de certifica\u00e7\u00e3o em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. As principais caracter\u00edsticas foram:\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\u00c1rea de 100 ha destinadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o leiteira (pastagens, milho, etc);\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Rebanho composto de animais Zebu e seus cruzamentos (1\/2 H x Z);\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Manejo em pastejo rotacionado, com suplementa\u00e7\u00e3o de alimento concentrado somente para as vacas com produ\u00e7\u00e3o superior a 10 litros de leite por dia;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 8 litros de leite por vaca em lacta\u00e7\u00e3o\/dia;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Total de 81 vacas, sendo 60% em lacta\u00e7\u00e3o;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Dura\u00e7\u00e3o da lacta\u00e7\u00e3o de 270 dias e 36 meses de idade ao primeiro parto;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Taxa de lota\u00e7\u00e3o das pastagens de 1,5 UA\/ha;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Controle de ecto e endoparasitos, realizado por meio de fator homeop\u00e1tico, utilizado tamb\u00e9m no tratamento e preven\u00e7\u00e3o das mastites;\u00a0\u00a0<\/li>\n<li>Neste sistema previu-se a recria dos machos at\u00e9 um ano, considerando a necessidade da presen\u00e7a do bezerro como est\u00edmulo para a libera\u00e7\u00e3o do leite durante a ordenha e a eventual procura por bezerros criados em um sistema org\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o, como reprodutores.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dois sistemas, considerou-se a utiliza\u00e7\u00e3o de pastagem de Brachiaria spp. No sistema org\u00e2nico foi adotado o cons\u00f3rcio da gram\u00ednea com Stylosanthes guianensis. A suplementa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da seca foi realizada utilizando cana-de-a\u00e7\u00facar e silagem de milho, dependendo do n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o. No sistema convencional foi usada uma dieta \u00e0 base de cana-de-a\u00e7\u00facar com 1% da mistura ur\u00e9ia e sulfato de am\u00f4nia, enquanto que no org\u00e2nico, utilizou-se cana-de-a\u00e7\u00facar em associa\u00e7\u00e3o com o guandu (Cajanus cajan).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os indicadores de tamanho e os \u00edndices de efici\u00eancia t\u00e9cnica e produtividade do sistema org\u00e2nico foram menores do que os observados no convencional. Estas diferen\u00e7as foram atribu\u00eddas, principalmente, \u00e0 necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o de animais de ra\u00e7as mais r\u00fasticas, resistentes a parasitos que, muitas vezes, s\u00e3o menos produtivas. Al\u00e9m disso, ocorreu redu\u00e7\u00e3o na capacidade de suporte das pastagens e dos \u00edndices de produtividade da terra (litros de leite por ha\/ano) em conseq\u00fc\u00eancia da n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de adubos qu\u00edmicos na forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das pastagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao desempenho econ\u00f4mico o sistema org\u00e2nico apresentou custos totais relativamente mais altos por litro de leite produzido. Isso se explica, em parte, pelo custo do capital que, neste sistema foi relativamente mais elevado, devido aos menores \u00edndices de produtividade (por animal e por \u00e1rea de pastagem) em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles observados no convencional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere apenas a produ\u00e7\u00e3o de leite, o custo total para o sistema org\u00e2nico foi de R$ 0,65 por litro de leite. Cerca de 50% maior do que o observado no sistema convencional. O custo operacional total foi maior em 35%. Entretanto, o custo operacional efetivo, representado pelo desembolso, foi maior em apenas 15%. Esta diferen\u00e7a pode ser atribu\u00edda ao menor desembolso no sistema org\u00e2nico, que apresentou uma diminui\u00e7\u00e3o de 39% do disp\u00eandio com a alimenta\u00e7\u00e3o concentrada, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0quela verificada no convencional. Este fato deveu-se \u00e0 limita\u00e7\u00e3o imposta pelas Certificadoras quanto ao uso de insumos externos num sistema org\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O produto do sistema org\u00e2nico, por ainda constituir um mercado com oferta menor do que a demanda, apresenta um valor de mercado aproximadamente 70% mais elevado do que o valor praticado para o produto convencional. Para um pre\u00e7o pago ao produtor com esse diferencial, a taxa de remunera\u00e7\u00e3o do capital obtida no estudo foi maior para o org\u00e2nico do que a obtida no convencional (5% versus 2% ao ano, respectivamente). O resultado da taxa de retorno menor para o sistema convencional pode ser devido ao baixo pre\u00e7o do produto utilizado no estudo, apenas R$ 0,40 (pre\u00e7o m\u00e9dio vigente no segundo semestre de 2005 no mercado de MG).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nico de leite, com base nas exig\u00eancias atualmente preconizadas pelas Certificadoras, apresentou redu\u00e7\u00e3o de produtividade por vaca (33%); da terra (63%); da m\u00e3o-de-obra (47%) e aumento do custo total por litro de leite em 50%. Para que sua produ\u00e7\u00e3o possa ser economicamente vi\u00e1vel \u00e9 necess\u00e1rio um pre\u00e7o ao produtor de, no m\u00ednimo, 70% superior ao praticado para o leite convencional. Situa\u00e7\u00e3o que deve perdurar at\u00e9 que se alcance o equil\u00edbrio entre a demanda e a oferta do produto diferenciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* Mais informa\u00e7\u00f5es in: Aroeira, L. J. Stock, L. A., Assis, A. G., Morenz, M. F., Alves, A. A. Sistema org\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o de leite e sua viabilidade no Brasil, enviado \u00e0 Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Jo\u00e3o Pessoa. 2006.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>** Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite, Rua Eugenio do Nascimento, 610 &#8211; Bairro Dom Bosco &#8211; 36038-330 &#8211; Juiz de Fora, MG &#8211; 32-3249-4700 &#8211; laroeira@cnpgl.embrapa.br, <\/em><a href=\"mailto:stock@cnpgl.embrapa.br\"><em>stock@cnpgl.embrapa.br<\/em><\/a><\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz J. M. Aroeira e Lorildo A. 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