{"id":3779,"date":"2009-11-27T15:07:23","date_gmt":"2009-11-27T18:07:23","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=3779"},"modified":"2009-11-27T15:07:23","modified_gmt":"2009-11-27T18:07:23","slug":"sistemas-silvipastoris-para-a-producao-de-leite-seis-vantagens","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/sistemas-silvipastoris-para-a-producao-de-leite-seis-vantagens\/","title":{"rendered":"Sistemas Silvipastoris para a Produ\u00e7\u00e3o de Leite: Seis Vantagens"},"content":{"rendered":"<p><em>Domingos S. C. Paciullo* e Luiz J. M. Aroeira*<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tornar-se mais competitiva a pecu\u00e1ria brasileira ter\u00e1 que investir em novas tecnologias e processos de produ\u00e7\u00e3o ambientalmente vi\u00e1veis. Uma das alternativas consiste no estabelecimento de sistemas silvipastoris (\u00e1rvores, pastagem e animais numa mesma \u00e1rea).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sistemas silvipastoris podem contribuir, parcialmente, para reduzir os problemas decorrentes do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o de diferentes ecossistemas. Al\u00e9m do mais, apresentam vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s monoculturas no que diz respeito ao seq\u00fcestro de carbono para a redu\u00e7\u00e3o do efeito estufa, tema t\u00e3o discutido, atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os benef\u00edcios atribu\u00eddos aos sistemas silvipastoris podem ser listados:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1)<\/strong> <strong>Para o solo<\/strong> &#8211; As esp\u00e9cies arb\u00f3reas, principalmente, as leguminosas, influenciam na quantidade e na disponibilidade de nitrog\u00eanio a partir da fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do elemento. Aumentos nos teores de c\u00e1lcio, magn\u00e9sio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio podem ser observados no solo sob a copa de \u00e1rvores. A modifica\u00e7\u00e3o do micro-clima contribui para a eleva\u00e7\u00e3o da umidade sob as copas. As \u00e1rvores podem ainda atuar no controle da eros\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2) Para a produ\u00e7\u00e3o de forragens<\/strong> &#8211; O crescimento das forrageiras pode ser prejudicado ou favorecido, dependendo da toler\u00e2ncia \u00e0 sombra, ao grau de sombreamento e a competi\u00e7\u00e3o entre as plantas por \u00e1gua e nutrientes. O P. maximum foi uma das gram\u00edneas consideradas tolerantes \u00e0 sombra atingindo, a 30% de sombreamento, 120% da produ\u00e7\u00e3o obtida a pleno sol. A B. decumbens, menos tolerante, teve sua produ\u00e7\u00e3o diminu\u00edda com 65% de sombreamento. Entretanto, mostrou aumentos de 65% da produ\u00e7\u00e3o de forragem, com 35% de sombra.<br \/>Esses resultados sugerem que o uso de \u00e1rvores, de modo a promover apenas sombreamento moderado das forrageiras, poderia contribuir significativamente para a sustentabilidade dessas pastagens. Al\u00e9m do mais, existe um certo consenso de que sistemas silvipastoris podem reduzir a sazonalidade da produ\u00e7\u00e3o de forragens. O sistema pode permitir ao animal a sele\u00e7\u00e3o de mais de uma esp\u00e9cie forrageira e a maior reten\u00e7\u00e3o de umidade pode prolongar o per\u00edodo de crescimento das gram\u00edneas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3)<\/strong> <strong>Para o valor nutritivo da forragem<\/strong> &#8211; Em pastagens de B. decumbens sombreadas, os teores de prote\u00edna bruta foram influenciados pela luminosidade, sendo 29% maiores na sombra do que no sol. Resultados de pesquisa indicam uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o dos teores de fibra (FDN) e aumento da digestibilidade. Os teores de FDN foram de 76% e 73% a pleno sol e sob as copas das \u00e1rvores, respectivamente. O efeito do sombreamento na digestibilidade \u00e9 vari\u00e1vel conforme a esp\u00e9cie, o grau de sombreamento e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (temperatura e umidade). Em uma pastagem de Brachiaria decumbens, foi observado que durante a esta\u00e7\u00e3o seca, o capim apresentava valores de digestibilidade mais elevados na sombra do que os obtidos a pleno sol (53% e 48%, respectivamente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4) Para o consumo da forragem<\/strong> &#8211; Este efeito \u00e9 discut\u00edvel. N\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as no consumo das novilhas leiteiras mantidas em sistema silvipastoril ou em pastagem exclusiva de B. decumbens na esta\u00e7\u00e3o chuvosa. O consumo e a composi\u00e7\u00e3o da dieta de vacas mesti\u00e7as Holand\u00eas x Zebu, em sistema silvipastoril foi avaliado. O estudo foi realizado em pastagem sombreadas de B. decumbens consorciada com Stylosanthes guianensis. O maior consumo da gram\u00ednea foi observado em novembro, per\u00edodo em que a B. decumbens participou de 91% da dieta total. Entretanto, o maior consumo de mat\u00e9ria seca (gram\u00ednea mais leguminosas) ocorreu em maio: 1,9% do peso vivo. Neste m\u00eas, observou-se tamb\u00e9m o maior consumo de estilosantes, quando o percentual deste na dieta foi de 24%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5) Para o conforto animal<\/strong> &#8211; O sistema silvipastoril constitui eficiente m\u00e9todo para cria\u00e7\u00e3o de animais especializados na produ\u00e7\u00e3o de leite, fornecendo um ambiente de conforto t\u00e9rmico. A procura dos animais por ambientes sombreados, durante o ver\u00e3o, mostra a necessidade da provis\u00e3o de sombra. No inverno, vacas mesti\u00e7as, em lacta\u00e7\u00e3o, permaneceram 43% do tempo da pastagem \u00e0 sombra das \u00e1rvores. No ver\u00e3o este percentual subiu para 69%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6) Para a produ\u00e7\u00e3o animal<\/strong> &#8211; Ainda s\u00e3o escassos os resultados sobre desempenho de bovinos em sistemas silvipastoris, especialmente sobre a produ\u00e7\u00e3o de leite. Em novilhas leiteiras observou-se que, na \u00e9poca das chuvas, o ganho de peso no sistema silvipastoril e na monocultura de gram\u00edneas foi semelhante (486 g\/dia). Entretanto, durante o per\u00edodo seco, o ganho de peso variou com o tipo de pastagem, sendo maior no sistema silvipastoril com estilosantes (326 g\/dia), em rela\u00e7\u00e3o ao observado na braqui\u00e1ria sem sobreamento (226 g\/dia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, pode-se sugerir que o uso de sistemas silvipastoris baseado em pastagens consorciadas de gram\u00edneas e leguminosas, surge como op\u00e7\u00e3o interessante para a produ\u00e7\u00e3o de leite. A sombra e a biomassa das \u00e1rvores t\u00eam potencial para aumentar a disponibilidade de nitrog\u00eanio para as forrageiras, promovendo reflexos positivos n\u00e3o s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m para o valor nutritivo da forragem. A temperatura ambiente reduzida pelo sombreamento, contribui para melhorar o conforto dos animais na pastagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, as evidencias indicam que a boa produtividade do sistema depende do cultivo de forrageiras que apresentem toler\u00e2ncia ao sombreamento. A densidade de \u00e1rvores deve permitir apenas sombreamento moderado da pastagem. A presen\u00e7a de leguminosas herb\u00e1ceas pode contribuir para a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e melhoria do valor nutritivo da dieta dos animais, principalmente durante o per\u00edodo seco do ano.<\/p>\n<p>*Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite, Rua Eug\u00eanio do Nascimento, 610, Juiz de Fora, 36038-330, Minas Gerais, Brasil.\u00a0 <a href=\"mailto:laroeira@cnpgl.embrapa.br\"><br \/>laroeira@cnpgl.embrapa.br<\/a> , <a href=\"mailto:domingos@cnpgl.embrapa.br\">domingos@cnpgl.embrapa.br<\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingos S. C. Paciullo  e Luiz J. M. Aroeira &#8211; Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3779"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3779"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3779\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}