{"id":45,"date":"2010-02-09T16:05:49","date_gmt":"2010-02-09T19:05:49","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=45"},"modified":"2010-02-09T16:05:49","modified_gmt":"2010-02-09T19:05:49","slug":"transicao-do-manejo-de-lavoura-cafeeira-do-sistema-convencional-para-o-organico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/transicao-do-manejo-de-lavoura-cafeeira-do-sistema-convencional-para-o-organico\/","title":{"rendered":"TRANSI\u00c7\u00c3O DO MANEJO DE LAVOURA CAFEEIRA DO SISTEMA CONVENCIONAL PARA O ORG\u00c2NICO"},"content":{"rendered":"<p>Dr\u00aa. Vanessa Cristina de Almeida Theodoro<br \/>E-mail: <a href=\"mailto:organicoffee@gmail.com\">organicoffee@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O contundente processo modernizador da agricultura brasileira gerou impactos ambientais e transforma\u00e7\u00f5es sociais em magnitudes t\u00e3o amplas que, por si s\u00f3, justificam estudos voltados para novas tecnologias emergentes como a agricultura org\u00e2nica. J\u00e1 existe um acervo de experi\u00eancias pr\u00e1ticas de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica bem sucedidas, em particular para a cultura do cafeeiro (Coffea arabica L.), em pequenas propriedades na regi\u00e3o sul de Minas Gerais que inspiraram essa pesquisa. Empregou-se o delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es em esquema fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos adicionais. Foram utilizadas tr\u00eas fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica (farelo de mamona, esterco bovino e cama de avi\u00e1rio), com e sem palha de caf\u00e9 fermentada, com e sem a aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro e pulveriza\u00e7\u00f5es com o biofertilizante supermagro. O manejo convencional constou da aplica\u00e7\u00e3o de sulfato de am\u00f4nio e o cloreto de pot\u00e1ssio e de aduba\u00e7\u00e3o foliar convencional. O manejo org\u00e2nico adotado \u00e9 eficiente no fornecimento de N, P, K, S, Ca, Mg, Mn, B, Zn, Cu e Fe ao cafeeiro em produ\u00e7\u00e3o. O farelo de mamona promove um menor ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais na folha, o que possivelmente concorre para um aumento da resist\u00eancia da planta ao ataque do bicho mineiro (Leucoptera coffeella). Os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentam produtividade similar \u00e0 testemunha convencional, devido \u00e0 exist\u00eancia de reservas de nutrientes no solo. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na biomassa microbiana, em fun\u00e7\u00e3o dos manejos org\u00e2nico e convencional, entretanto nos tratamentos de manejo org\u00e2nico \u00e9 maior a diversidade biol\u00f3gica das popula\u00e7\u00f5es de fungos micorr\u00edzicos arbusculares.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong>CAP\u00cdTULO<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No Brasil atual, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que n\u00e3o assumirem o desafio do desenvolvimento rural sustent\u00e1vel a partir de um enfoque participativo e agroecol\u00f3gico, que privilegia a multifuncionalidade da agricultura, a produ\u00e7\u00e3o local e familiar, a biodiversidade e a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, continuar\u00e3o no imobilismo conservador e perder\u00e3o a oportunidade de se transformarem em institui\u00e7\u00f5es din\u00e2micas impulsionadoras de uma nova realidade. Entretanto, toda transforma\u00e7\u00e3o institucional \u00e9 fruto da transforma\u00e7\u00e3o interna de seu pessoal e da vontade pol\u00edtica da lideran\u00e7a intelectual que propiciam as mudan\u00e7as necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O contundente processo modernizador da agricultura brasileira gerou impactos ambientais e transforma\u00e7\u00f5es sociais em magnitudes t\u00e3o amplas que, por si s\u00f3, justificam a an\u00e1lise cr\u00edtica de todo o modelo de desenvolvimento do setor agr\u00edcola e estudos voltados para novas tecnologias emergentes como a agricultura org\u00e2nica. Esse mercado espec\u00edfico tem experimentado um crescimento vertiginoso, apresentando, no final da d\u00e9cada de 1990, um crescimento estimado em 20% a 30% ao ano, tanto em pa\u00edses desenvolvidos como em desenvolvimento (ITC\/UNCTAD\/OMT, 1999). No Brasil, em 2005, representou apenas 0,23% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de todo o pa\u00eds, enquanto que nos pa\u00edses desenvolvidos, o \u00edndice atinge 26,0% (Willer &amp; Yussefi, 2005). Assim, fica claro que existe espa\u00e7o para o crescimento desse ramo do agroneg\u00f3cio, podendo a \u00e1rea a ser convertida para a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no Brasil, chegar a 1% ou 2% na pr\u00f3xima d\u00e9cada, com o incentivo, principalmente, aos pequenos produtores.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, tem-se constatado que as commodities agr\u00edcolas tradicionais, como o caf\u00e9 (Coffea arabica L.), requerem escalas de produ\u00e7\u00e3o para compensar a queda estrutural de pre\u00e7os, bem como os custos crescentes de produ\u00e7\u00e3o, que resultam na redu\u00e7\u00e3o das margens de lucro. Esse fato pode resultar em um desequil\u00edbrio s\u00f3cio-ambiental de largas propor\u00e7\u00f5es em mais de cinq\u00fcenta pa\u00edses em desenvolvimento que produzem caf\u00e9, realidade que j\u00e1 vem sendo constatada principalmente no Brasil, em especial na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais, onde aproximadamente 80% dos produtores s\u00e3o familiares.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Existe um acervo de experi\u00eancias pr\u00e1ticas de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica bem sucedidas, em particular para a cultura do cafeeiro, em pequenas propriedades na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais, que inspiraram essa pesquisa. O principal gargalo consiste em valid\u00e1-las cientificamente, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de estudos a campo que confrontem o manejo convencional versus o org\u00e2nico, de modo que forne\u00e7am a seguran\u00e7a necess\u00e1ria nessa nova tecnologia, a um n\u00famero significativo de cafeicultores, nas v\u00e1rias regi\u00f5es produtoras do pa\u00eds. Muitas vezes, tudo o que se necessita \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e extens\u00e3o sirvam de facilitadoras para que se formem as redes de interc\u00e2mbio de agricultor a agricultor, para que, assim, fluam o conhecimento gerado e a troca de experi\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O termo transi\u00e7\u00e3o, em sua acep\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica, pode designar simplesmente a a\u00e7\u00e3o e o efeito de passar de um modo de ser ou estar a outro distinto &#8211; e que sempre h\u00e1 de provocar conseq\u00fc\u00eancias e efeitos, previs\u00edveis ou n\u00e3o, na nova situa\u00e7\u00e3o que se estabelece. Portanto, a transi\u00e7\u00e3o do modelo de agricultura convencional para estilos de agricultura agroecol\u00f3gica n\u00e3o pode ser entendida como um processo unilinear, mas sim de m\u00faltiplas dimens\u00f5es: ambiental, social, cultural e econ\u00f4mica; o que reflete a pr\u00f3pria complexidade da no\u00e7\u00e3o de sustentabilidade agr\u00e1ria, como meta a ser alcan\u00e7ada a m\u00e9dio e a longo prazo. O estado atual de destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais j\u00e1 est\u00e1 comprometendo a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de gera\u00e7\u00f5es futuras e torna-se urgente evitar qualquer degrada\u00e7\u00e3o, sendo a cafeicultura org\u00e2nica uma op\u00e7\u00e3o para a otimiza\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia no uso dos j\u00e1 escassos recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 de fundamental import\u00e2ncia que pol\u00edticas p\u00fablicas focalizem-se na difus\u00e3o da cafeicultura org\u00e2nica, especialmente destinadas a agricultores familiares, na medida em que s\u00e3o mais demandantes desse apoio e apresentam maior aptid\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas agroecol\u00f3gicas. Contudo, a mudan\u00e7a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 suficiente, sendo necess\u00e1ria, ademais, a transforma\u00e7\u00e3o institucional, de maneira que existam mecanismos para os agricultores de acesso ao cr\u00e9dito e \u00e0 terra, aos mercados, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o, \u00e0 tecnologia apropriada e a outros recursos produtivos.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nesse contexto, o instrumento necess\u00e1rio para que se possa converter e ou superar a agricultura\/cafeicultura baseada nos insumos qu\u00edmicos sint\u00e9ticos e subordinada a setores agroindustriais, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, aliada ao conhecimento e, principalmente, \u00e0 consci\u00eancia ambiental, que marcam a nova l\u00f3gica do desenvolvimento rural neste in\u00edcio de s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Esse estudo multidisciplinar \u00e9 integrante de um projeto aprovado no edital Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologias Agropecu\u00e1rias para o Brasil &#8211; PRODETAB Edital 02\/001, coordenado pela EMBRAPA\/Caf\u00e9, no qual trabalharam juntas, em diversas linhas de pesquisa, a UFLA (Departamentos de Agricultura, Solos, Entomologia e Fisiologia) a EPAMIG e a EMATER-MG, Lavras. A principal finalidade desse estudo foi verificar a viabilidade t\u00e9cnico-ambiental do primeiro ano de convers\u00e3o de lavouras cafeeiras do sistema de produ\u00e7\u00e3o convencional para o org\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>REFERENCIAL TE\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n<p>O paradigma da revolu\u00e7\u00e3o verde (riscos ambientais, mitos e alternativas)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A monocultura implicou na simplifica\u00e7\u00e3o da biodiversidade, dando, como resultado final, um ecossistema artificial que requer constante interven\u00e7\u00e3o humana por meio do uso de insumos agroqu\u00edmicos, os quais, al\u00e9m de melhorar os rendimentos temporariamente, d\u00e3o como resultado elevados custos ambientais e sociais n\u00e3o desejados (Altieri, 2002). Conscientes de tais impactos, muitos cientistas agr\u00edcolas chegaram ao consenso de que a agricultura moderna enfrenta, atualmente, uma severa crise ecol\u00f3gica (Pinheiro et al., 1985; Chaboussou, 1987; Primavesi, 1988; Ehlers, 1996; Nicholls &amp; Altieri, 1997, Gliessman, 2000; Khatounian, 2001; Capra, 2002; Assis, 2005; Neves, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Um sintoma da crise ambiental que afeta a agricultura \u00e9 a perda anual de rendimentos devido a pragas em muitos cultivos (na maioria dos casos atinge 30%, em m\u00e9dia), apesar do aumento substancial no uso de agrot\u00f3xicos (cerca de 500 milh\u00f5es de kg de ingrediente ativo em todo o mundo) (Altieri, 2002). Boa parte dos agrot\u00f3xicos aplicados no campo \u00e9 perdida; estima-se que cerca de 90% dos produtos aplicados n\u00e3o atingem o alvo, sendo dissipados para o ambiente e tendo como ponto final reservat\u00f3rios de \u00e1gua e, principalmente, o solo. As perdas se devem, de forma geral, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o inadequada, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia quanto ao momento de aplica\u00e7\u00e3o, em alguns casos, porque a aplica\u00e7\u00e3o foi feita para dar prote\u00e7\u00e3o contra uma praga ou pat\u00f3geno que n\u00e3o est\u00e3o presentes na \u00e1rea. Isso ocorre porque ainda s\u00e3o realizadas pulveriza\u00e7\u00f5es baseadas em calend\u00e1rios e n\u00e3o na ocorr\u00eancia do problema (Ghini &amp; Bettiol, 2000). Alguns agrot\u00f3xicos apresentam, ainda, problemas de persist\u00eancia no ambiente (Bottino Netto, 2001), bioacumula\u00e7\u00e3o (Carson, 1962) ou toxicidade para organismos aqu\u00e1ticos, abelhas e fauna silvestre e dom\u00e9stica (Trivelato &amp; Wesseling, 1992). O uso de agrot\u00f3xicos e fertilizantes j\u00e1 \u00e9 a segunda causa de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no Pa\u00eds, s\u00f3 perdendo para o despejo de esgoto dom\u00e9stico, o grande problema ambiental brasileiro. Uma pesquisa do IBGE mostra que, do total de 5.281 munic\u00edpios que t\u00eam atividade agr\u00edcola, 1.134 (21,5%) informaram ter o solo contaminado por agrot\u00f3xicos e fertilizantes. Proibido por lei federal (no 9.974 de 31 de maio de 2002), o descarte irregular de embalagens vazias de agrot\u00f3xicos (geralmente em vazadouros a c\u00e9u aberto) \u00e9 apontado como principal causa de contamina\u00e7\u00e3o. Mas, a pesquisa tamb\u00e9m mostra que, dos 5.281 munic\u00edpios com atividade agr\u00edcola, 35,8% incentivam a promo\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica da agricultura org\u00e2nica (Estad\u00e3o, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nota-se que as plantas cultivadas, que crescem como monoculturas geneticamente homog\u00eaneas, n\u00e3o possuem os mecanismos ecol\u00f3gicos de defesa necess\u00e1rios para tolerar o impacto das popula\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas de pragas (Altieri, 1994), tornando-se dependentes dos agroqu\u00edmicos. Outro reflexo do desequil\u00edbrio biol\u00f3gico dos agroecossistemas \u00e9 o aparecimento de pragas e agentes de doen\u00e7as, al\u00e9m da pr\u00f3pria intensifica\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia dos parasitas (Akiba et al., 1999) e plantas daninhas aos princ\u00edpios qu\u00edmicos empregados.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Segundo Salvatori et al. (2002), o n\u00famero de parasitas habituais do solo passou de 3 para 20, desde 1972, somente na lavoura de soja. A resist\u00eancia de plantas daninhas aos herbicidas foi pela primeira vez relatada no final da d\u00e9cada de 1960, associada \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o intensiva de herbicidas pertencentes ao grupo qu\u00edmico das triazinas, tendo o n\u00famero local com plantas daninhas resistentes aos herbicidas aumentado rapidamente nos \u00faltimos anos (Christoffoleti, 2003). Os registros apontam, atualmente, a exist\u00eancia de 304 bi\u00f3tipos resistentes em 270.000 locais do mundo, distribu\u00eddos entre 182 esp\u00e9cies (109 dicotiled\u00f4neas e 73 monocotiled\u00f4neas) (Weed Science, 2006). Na cultura do cafeeiro, em especial, o uso generalizado do glifosate induziu \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies tolerantes e ou resistentes como as trapoerabas (Commelina diffusa, C. benghalensis) e algumas esp\u00e9cies da fam\u00edlia Rubiaceae (poaia-do-campo, Richardia brasiliensis e vassourinha, Borreria capitata) (Oliveira et al., 1979; Miguel, 1981). Globalmente, a conscientiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica j\u00e1 detectada em grande parte da popula\u00e7\u00e3o e, principalmente, entre produtores rurais, t\u00e9cnicos ligados \u00e0s ci\u00eancias agr\u00e1rias e consumidores, indica uma evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o no sentido do banimento coletivo dos agroqu\u00edmicos, mas sim uma exclus\u00e3o gradual \u00e0 medida que solu\u00e7\u00f5es alternativas venham se apresentando.<\/p>\n<p>Agricultura org\u00e2nica (contexto, desafios e cen\u00e1rios)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">De acordo com a defini\u00e7\u00e3o do Codex Alimentarius (2006): &#8220;A agricultura org\u00e2nica \u00e9 um sistema de gerenciamento total da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com vistas a promover e real\u00e7ar a sa\u00fade do meio ambiente, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biol\u00f3gicas do solo. Nesse sentido, a agricultura org\u00e2nica enfatiza o uso de pr\u00e1ticas de manejo em oposi\u00e7\u00e3o ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange, sempre que poss\u00edvel, a administra\u00e7\u00e3o de conhecimentos agron\u00f4micos, biol\u00f3gicos e at\u00e9 mesmo mec\u00e2nicos. Exclui a ado\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas ou outros materiais sint\u00e9ticos que desempenhem no solo fun\u00e7\u00f5es estranhas \u00e0s desempenhadas pelo ecossistema.&#8221;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O n\u00famero limitado de pesquisas sobre os benef\u00edcios gerados pela ado\u00e7\u00e3o do sistema de agricultura org\u00e2nica registra efeitos positivos para o meio ambiente (Drinkwater et al., 1998; Reganold et al., 2001). Mader et al. (2002) estudaram, durante 21 anos, o desempenho agron\u00f4mico e ecol\u00f3gico dos sistemas biodin\u00e2mico x org\u00e2nico x convencional, na Su\u00ed\u00e7a. O experimento foi instalado de 1978 at\u00e9 1998 e apresentou resultados muito consistentes e elucidativos, como, por exemplo: a respeito da produtividade dos sistemas org\u00e2nicos que tende a ser 20% menor, no entanto, o consumo de energia por hectare \u00e9 50% maior nas planta\u00e7\u00f5es convencionais que dependem do uso de fertilizantes e pesticidas. Sistemas biodin\u00e2micos e org\u00e2nicos conservam mais a fertilidade do solo, apresentando maior estabilidade de agregados e alta biodiversidade da fauna do solo, al\u00e9m de uma maior atividade microbiana. Os autores conclu\u00edram que, mesmo produzindo menos, a agricultura org\u00e2nica \u00e9 mais eficiente e menos agressiva ao meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Entretanto, a falta de um entendimento hol\u00edstico dos princ\u00edpios da agricultura org\u00e2nica induziram Altieri &amp; Nicholls (2003) a questionar as bases do movimento org\u00e2nico contempor\u00e2neo, criticando a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica geralmente praticada em grandes \u00e1reas, voltada, exclusivamente, para a alta produ\u00e7\u00e3o e lucratividade, caracter\u00edsticas do modelo de agricultura convencional a qual, tradicionalmente, se opunha. \u00c0 medida que o terceiro mundo entra no mercado org\u00e2nico, a produ\u00e7\u00e3o se destina, principalmente, \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, com pequena contribui\u00e7\u00e3o para a seguridade alimentar destes pa\u00edses mais pobres. Os produtos org\u00e2nicos est\u00e3o sendo comercializados internacionalmente como mercadoria (commodities) e sua distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo feita pelas mesmas corpora\u00e7\u00f5es multinacionais que dominam o mercado convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 importante enfatizar que somente uma minoria de produtores org\u00e2nicos que controlam \u00e1reas grandes e com capital financeiro dispon\u00edvel segue o modelo de substitui\u00e7\u00e3o de insumos. Agricultores que seguem este regime ficam atrelados a um processo que os mant\u00eam dependentes dos fornecedores de insumos org\u00e2nicos. Al\u00e9m da depend\u00eancia, o uso intensivo de insumos externos (org\u00e2nicos e biol\u00f3gicos) pode gerar, por exemplo, a resist\u00eancia de insetos devido ao uso continuado de pulveriza\u00e7\u00e3o com Bt (Bacillus thuringiensis), contamina\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua com sulfato de cobre e elimina\u00e7\u00e3o de insetos ben\u00e9ficos com rotenona e outros inseticidas biol\u00f3gicos n\u00e3o seletivos. \u00c9 poss\u00edvel que alguns dos problemas citados pudessem ter sido minimizados se o movimento org\u00e2nico n\u00e3o tivesse desconsiderado dois fatores importantes: limita\u00e7\u00e3o do tamanho da propriedade a ser certificada e desenvolvimento de padr\u00f5es de certifica\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, flex\u00edvel e com padr\u00f5es sociais (Altieri &amp; Nicholls, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os principais entraves ao desenvolvimento da agricultura org\u00e2nica no Brasil foram detectados por Darolt (2000) e s\u00e3o, em ordem descrescente, a falta de cr\u00e9dito espec\u00edfico, as dificuldades para a comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e, por \u00faltimo, a falta de experi\u00eancia e de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Foram levantadas tamb\u00e9m algumas condi\u00e7\u00f5es para que a agricultura org\u00e2nica seja bem-sucedida, como o incentivo financeiro aos produtores em convers\u00e3o (experi\u00eancias de prefeituras que ap\u00f3iam a agricultura org\u00e2nica t\u00eam oferecido condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias para alavancar o sistema); o di\u00e1logo com os consumidores; a informa\u00e7\u00e3o eficiente aos produtores e consumidores (nos pa\u00edses como Su\u00ed\u00e7a, Alemanha e EUA, onde existem institutos de pesquisa em agricultura org\u00e2nica, a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 nitidamente maior); o acesso e a disponibilidade de produtos org\u00e2nicos (maior gama de op\u00e7\u00f5es de pontos de venda, como venda direta, cooperativas, lojas de produtos naturais, redes de supermercado, etc.); o marketing e a prote\u00e7\u00e3o legal (cria\u00e7\u00e3o de uma logomarca nacional para o produto org\u00e2nico, com o intuito de aumentar as vendas no nosso pa\u00eds); a pesquisa fundamental, aplicada e em sistemas de produ\u00e7\u00e3o; a cria\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos de certifica\u00e7\u00e3o (certifica\u00e7\u00e3o participativa) e o associativismo. Theodoro &amp; Guimar\u00e3es (2003) conclu\u00edram que a agricultura org\u00e2nica veio para ficar como uma esp\u00e9cie de desafio da sustentabilidade. Torna-se, assim, necess\u00e1rio estudar as vantagens que o sistema org\u00e2nico pode proporcionar a produtores e consumidores, como a menor depend\u00eancia de insumos externos \u00e0 propriedade, a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o e uma menor degrada\u00e7\u00e3o do solo. De outro lado, o fornecimento de alimentos com menor \u00edndice de toxicidade, a melhoria da sa\u00fade do consumidor e a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio ambiental s\u00e3o benef\u00edcios a serem capturados pela sociedade em geral.<\/p>\n<p>\u00c1rea de produ\u00e7\u00e3o e mercado mundial de produtos org\u00e2nicos<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">De acordo com a Federa\u00e7\u00e3o Internacional dos Movimentos de Agricultura Org\u00e2nica (IFOAM), o sistema org\u00e2nico j\u00e1 \u00e9 praticado em 110 pa\u00edses, sendo observada uma r\u00e1pida expans\u00e3o, sobretudo na Europa, EUA, Jap\u00e3o, Austr\u00e1lia e Am\u00e9rica do Sul (Willer &amp; Yussefi, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Na falta de estat\u00edsticas oficiais, a Foundation Ecology &amp; Agriculture da Alemanha e o Research Institute of Organic Agriculture da Su\u00ed\u00e7a, a cada ano, coletam informa\u00e7\u00f5es em todo o mundo e, em 2004, estimaram a \u00e1rea org\u00e2nica mundial em 24 milh\u00f5es de hectares que somados aos mais de 10,7 milh\u00f5es de hectares de extrativismo certificado de produtos alimentares totalizaram uma \u00e1rea de 34,7 milh\u00f5es de hectares em todo o mundo (Yussefi, 2004). Em 2005, a \u00e1rea mundial passou para 26 milh\u00f5es de hectares manejados organicamente em, aproximadamente, 558.449 propriedades e para 14,5 milh\u00f5es de hectares de extrativismo certificado, totalizando uma \u00e1rea de 40,5 milh\u00f5es de hectares (aumento de 16,72%). Esses dados apontam a convers\u00e3o de uma \u00e1rea de 5,8 milh\u00f5es de hectares em todo o planeta para o manejo org\u00e2nico, durante o per\u00edodo de um ano (Willer &amp; Yussefi, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A maior parte destas \u00e1reas est\u00e1 localizada na Austr\u00e1lia (11,3 milh\u00f5es de hectares), Argentina (2,8 milh\u00f5es de hectares) e It\u00e1lia (um pouco mais que 1,0 milh\u00e3o de hectares). A Oceania tem, aproximadamente, 43% da \u00e1rea org\u00e2nica do mundo, seguida pela Europa (23,8%) e Am\u00e9rica Latina (23,5%). \u00c9 importante destacar que os pa\u00edses que t\u00eam o maior percentual de \u00e1rea sob manejo org\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea total destinada \u00e0 agricultura computam a \u00e1rea de pastagem. Assim, por exemplo, em pa\u00edses como Austr\u00e1lia e Argentina, mais de 90% da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica correspondem a \u00e1reas de pastagem (Willer &amp; Yussefi, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O maior n\u00famero de propriedades org\u00e2nicas encontra-se na Am\u00e9rica Latina (34,0%), Europa (29,9%) e \u00c1frica (21,1%). Numa an\u00e1lise comparativa entre o tamanho de \u00e1rea manejada sob o sistema org\u00e2nico e o n\u00famero de propriedades org\u00e2nicas, \u00e9 poss\u00edvel perceber a Am\u00e9rica Latina que, com 23,5% da \u00e1rea sob manejo org\u00e2nico, possui o maior n\u00famero de propriedades (34,0% do total); enquanto a Oceania possui a maior \u00e1rea (42,9% do total) e o menor n\u00famero de produtores (0,4%). Os pa\u00edses que apresentam uma maior percentagem de \u00e1rea sob manejo org\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea total de agricultura s\u00e3o a \u00c1ustria (maior percentual entre os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia &#8211; 26,4%), a Su\u00ed\u00e7a (10,27%), a Finl\u00e2ndia (7,22%) e a It\u00e1lia (6,86%).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No Brasil, a consolida\u00e7\u00e3o dos dados sobre agricultura org\u00e2nica carece de precis\u00e3o, sendo a maioria das estimativas baseadas nas informa\u00e7\u00f5es das certificadoras. Segundo uma destas estimativas, realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), a \u00e1rea com manejo org\u00e2nico no pa\u00eds, em 2002, era de 275,60 mil hectares, com a exist\u00eancia de 7.063 produtores certificados ou em processo de certifica\u00e7\u00e3o que movimentam US$ 300 milh\u00f5es ao ano. Esse estudo aponta a exist\u00eancia de 419 produtores de caf\u00e9 legitimamente org\u00e2nicos (5,93%), envolvendo uma \u00e1rea plantada de 13.005,00 ha (4,82% do total) (Ormond et al., 2002). A maior parte (80%) da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica brasileira encontra-se nos estados do sul e sudeste. Em torno de 85% da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica brasileira \u00e9 exportada, sobretudo para a Europa, Estados Unidos e Jap\u00e3o. Os restantes 15% s\u00e3o distribu\u00eddos no mercado interno (Darolt, 2002). Dados recentes apontam um crescimento vertiginoso da \u00e1rea com manejo org\u00e2nico no Brasil, passando, em 2005, para 803,18 mil hectares (a quinta maior \u00e1rea certificada do mundo), com 14.003 propriedades certificadas (Willer &amp; Yussefi, 2005).<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a cafeicultura org\u00e2nica<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Transi\u00e7\u00e3o ou convers\u00e3o s\u00e3o termos usualmente utilizados para denominar o processo de mudan\u00e7a do sistema de produ\u00e7\u00e3o convencional para org\u00e2nico, os quais, al\u00e9m de quest\u00f5es t\u00e9cnicas e educativas que a mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica per si pressup\u00f5e, envolvem tamb\u00e9m quest\u00f5es normativas e de mercado, na medida em que est\u00e1 intimamente ligada ao processo de certifica\u00e7\u00e3o (Feiden et al., 2002). O processo de certifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico, isto \u00e9, o processo de legitima\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, foi descrito em detalhes por Theodoro (2002) e Theodoro (2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Segundo as normas brasileiras (BRASIL, 1999), para que o produto receba a denomina\u00e7\u00e3o de org\u00e2nico, ele dever\u00e1 ser proveniente de um sistema em que tenham sido aplicados os princ\u00edpios estabelecidos pelas normas org\u00e2nicas, por um per\u00edodo m\u00ednimo para a produ\u00e7\u00e3o vegetal de culturas anuais, com oler\u00edcolas e cereais, de doze meses sob manejo org\u00e2nico. No caso de culturas perenes, a propriedade dever\u00e1 cumprir um per\u00edodo de convers\u00e3o de dezoito meses em manejo org\u00e2nico. Para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do mercado internacional, o prazo \u00e9 mais dilatado, sendo 24 meses para culturas anuais e um per\u00edodo de convers\u00e3o de 36 meses para culturas perenes. Entretanto, Darolt (2002) adverte que os per\u00edodos de convers\u00e3o citados poder\u00e3o ser ampliados pela certificadora em fun\u00e7\u00e3o do uso anterior e da situa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da propriedade.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para Khatounian (1999), o per\u00edodo de convers\u00e3o n\u00e3o deve ser entendido apenas como uma quarentena para a elimina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos de agrot\u00f3xicos, mas como um per\u00edodo necess\u00e1rio para a reorganiza\u00e7\u00e3o, a sedimenta\u00e7\u00e3o e a matura\u00e7\u00e3o dos novos conhecimentos. \u00c9 um reaprendizado da agronomia como ecologia aplicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que exige a reorganiza\u00e7\u00e3o dos fatos agron\u00f4micos sob um marco conceitual diferente (Khatounian, 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Vivan (1998) questionou a mudan\u00e7a de paradigma da agricultura convencional para a agroecologia, ressaltando n\u00e3o trata-se mais de apenas substituir o insumo externo por um menos danoso ao ecossistema e \u00e0 sa\u00fade humana, ou de criar um eficiente organismo rural padr\u00e3o. Trata-se de assumir alguns pontos fundamentais para a gera\u00e7\u00e3o de tecnologias, como:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>a)<\/strong> compreens\u00e3o dos componentes da sucess\u00e3o natural de esp\u00e9cies em cada ecossistema e de como este processo utiliza de modo \u00f3timo os recursos no tempo e no espa\u00e7o;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>b)<\/strong> compreens\u00e3o dos mecanismos de evolu\u00e7\u00e3o interativa entre as comunidades vivas e o meio f\u00edsico, criando as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o desenvolvimento da vida (otimiza\u00e7\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o, umidade e nutrientes);<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>c)<\/strong> conhecimento dos ciclos e padr\u00f5es que refletem essas intera\u00e7\u00f5es e como neles integrar as a\u00e7\u00f5es e interesses humanos, buscando otimizar nossa interven\u00e7\u00e3o nos ambientes, e<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>d)<\/strong> fazer deste processo a matriz de um desenvolvimento tecnol\u00f3gico adaptado \u00e0 escala humana, o que implica no reconhecimento da import\u00e2ncia das particularidades de culturas e etnias e sua bagagem de intera\u00e7\u00e3o com os ecossistemas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Com as recentes tend\u00eancias ecol\u00f3gicas na agricultura, tanto o manejo agroflorestal quanto o manejo org\u00e2nico do cafeeiro constituem-se em tecnologias importantes para a recupera\u00e7\u00e3o dos solos degradados, que, durante muitos anos, foram submetidos ao manejo intensivo desta cultura (Alfaro- Villatoro et al., 2004). Por isso, \u00e9 premente a necessidade de estudos sobre sistemas agroflorestais (SAF) com o cafeeiro, visando atender \u00e0 demanda de cafeicultores convencionais que est\u00e3o migrando para o sistema de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico, cujo mercado \u00e9 altamente exigente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade de bebida (Theodoro et al., 2002; Malta et al., 2003) e diversifica\u00e7\u00e3o das culturas (Moguel &amp; Toledo, 1999; Soto-Pinto et al., 2000; Peters et al., 2003; Van der Vossen, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No sul do M\u00e9xico, em um estudo realizado por Moguel &amp; Toledo (1999), em planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9, foram reconhecidos cinco tipos de sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, distinguidos em concord\u00e2ncia com o n\u00edvel de manejo, a composi\u00e7\u00e3o vegetativa e a estrutura dos extratos (SMBS, 2006). Os sistemas s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>a)<\/strong> sistema r\u00fastico: o caf\u00e9 \u00e9 plantado substituindo plantas que crescem no extrato baixo das florestas temperadas ou tropicais. Esse sistema corresponde a uma agricultura de subsist\u00eancia e \u00e9 adotado por grupos ind\u00edgenas com pr\u00e1ticas m\u00ednimas de manejo, sem uso de fertilizantes e agroqu\u00edmicos e, como conseq\u00fc\u00eancia apresenta baixo rendimento;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>b)<\/strong> policultura tradicional: realizamse pr\u00e1ticas agron\u00f4micas para manejo de caf\u00e9 e manipula\u00e7\u00e3o da floresta, mediante a elimina\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores nativas e introdu\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies. Estes sistemas s\u00e3o conhecidos como &#8220;coffee garden&#8221;;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>c)<\/strong> policultura comercial: observa-se a explora\u00e7\u00e3o comercial de algumas das esp\u00e9cies utilizadas no sombreamento, como produtos aliment\u00edcios, madeiras, frut\u00edferas, medicinais e ornamentais. Nestes sistemas, a floresta original pode ter sido removida completamente e predominam esp\u00e9cies para sombra com ou sem utilidade comercial, especialmente leguminosas combinadas com esp\u00e9cies para extra\u00e7\u00e3o de madeira, l\u00e1tex, esp\u00e9cies frut\u00edferas, como bananeiras, c\u00edtricos etc.;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>d)<\/strong> monocultura consorciada com sombra: este sistema \u00e9 caracterizado por uma planta\u00e7\u00e3o bem manejada agronomicamente, no qual o caf\u00e9 \u00e9 plantado em um espa\u00e7amento definido, sob um \u00fanico extrato de sombra, com uma ou duas esp\u00e9cies arb\u00f3reas introduzidas especialmente para este prop\u00f3sito, e e) monocultura sem sombra: n\u00e3o apresenta nenhuma cobertura arb\u00f3rea, os cafeeiros crescem expostos ao sol pleno. Representam um sistema totalmente agr\u00edcola, com alto ingresso de fertilizantes e pesticidas, uso de maquinaria e trabalho especializado. Embora produza os maiores rendimentos, este sistema est\u00e1 associado aos impactos negativos da agricultura intensiva, causando diminui\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade biol\u00f3gica e, em longo prazo, provocando a depaupera\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para avaliar a viabilidade financeira de investir na certifica\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 j\u00e1 estabelecidas, Gobbi (2000) efetuou uma an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio sobre quatro diferentes sistemas agroflorestais e uma planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 cultivado a pleno sol. Em todos os casos, o autor encontrou uma rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio aceit\u00e1vel, com menor risco para a policultura tradicional, uma vez que este sistema privilegia a introdu\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores nas lavouras cafeeiras. Al\u00e9m disso, os benef\u00edcios da certifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o obtidos a partir do segundo ano.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em agroecossistemas da Am\u00e9rica Central de caf\u00e9 ar\u00e1bica, o caf\u00e9 org\u00e2nico sombreado produz de 20% a 30% a menos que o caf\u00e9 convencional sombreado e, em rela\u00e7\u00e3o ao caf\u00e9 convencional n\u00e3o sombreado, apresenta uma produ\u00e7\u00e3o 40% menor. O \u00e1gio recebido pelo caf\u00e9 org\u00e2nico \u00e9 insuficiente para compensar a queda de produ\u00e7\u00e3o e seu custo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 ligeiramente mais alto devido aos custos da certifica\u00e7\u00e3o e inspe\u00e7\u00f5es de acordo com a International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM). A renda l\u00edquida de fazendas de caf\u00e9 org\u00e2nico \u00e9 de 25% a 50% menor do que em fazendas convencionais, entretanto, ainda s\u00e3o muito lucrativas quando os pre\u00e7os do caf\u00e9 est\u00e3o altos (Van der Vossen, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Um novo crit\u00e9rio de certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizado pelo &#8220;Com\u00e9rcio Justo&#8221; (Fair Trade), estabelecendo normas especiais para um com\u00e9rcio sustent\u00e1vel, principalmente em pequenas propriedades organizadas. As normas mais importantes s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>a)<\/strong> uma parte fixa do pre\u00e7o final \u00e9 utilizada para programas sociais dentro da comunidade ou cooperativa de trabalhadores;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>b)<\/strong> as rela\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio s\u00e3o estabelecidas visando sua manuten\u00e7\u00e3o em longo prazo e<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>c)<\/strong> parte da receita \u00e9 destinada diretamente aos produtores, de forma a torn\u00e1-los mais independentes, sem necessitar da ajuda de cr\u00e9ditos oferecidos por bancos que cobram, em geral, altas taxas de juros (Carvalho, 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Uma an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico foi realizada por Van der Vossen (2005), elucidando v\u00e1rios pontos cr\u00edticos de todo o processo de produ\u00e7\u00e3o e da filosofia da agricultura org\u00e2nica. O autor questiona esse sistema como sendo bastante complexo, apresentando um processo de certifica\u00e7\u00e3o caro, ficando evidente que os produtores que praticam as r\u00edgidas regras da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico podem at\u00e9 compartilhar das mesmas preocupa\u00e7\u00f5es ambientais de consumidores conscientes, mas sua grande maioria \u00e9 motivada primeiramente pelos benef\u00edcios econ\u00f4micos advindos do \u00e1gil recebido. N\u00e3o obstante, existe uma injusti\u00e7a consider\u00e1vel entre as extremas normas para se produzir &#8220;org\u00e2nicos&#8221;, exigidas pelo consumidor urbano do mundo industrializado e a modesta recompensa recebida pelo grande esfor\u00e7o dos produtores de caf\u00e9 org\u00e2nico. Assis &amp; Romeiro (2004) analisaram os fatores econ\u00f4micos e pol\u00edticos que condicionam a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas org\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 no Brasil, por meio de estudo de caso com agricultores ligados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Cafeicultura Org\u00e2nica do Brasil (ACOB), em Machado, MG. A estrat\u00e9gia de convers\u00e3o a ser adotada est\u00e1 condicionada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma an\u00e1lise dos pontos fortes e fracos da propriedade, bem como da defini\u00e7\u00e3o de aptid\u00f5es, da experi\u00eancia do agricultor, do tipo de m\u00e3o-de-obra utilizada e do mercado.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nesse sentido, dois par\u00e2metros s\u00e3o fundamentais: a forma de organiza\u00e7\u00e3o social da produ\u00e7\u00e3o e o padr\u00e3o tecnol\u00f3gico da unidade de produ\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do processo de convers\u00e3o, os quais ir\u00e3o determinar, al\u00e9m da estrat\u00e9gia a ser adotada, a velocidade com que se processar\u00e1 a convers\u00e3o e a inser\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 importante salientar que a produtividade ap\u00f3s o per\u00edodo de convers\u00e3o de todas as lavouras de agricultores empresariais e familiares apresentou valores compat\u00edveis e at\u00e9 superiores \u00e0s lavouras sob manejo convencional. Em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e1gio obtido no mercado de produtos org\u00e2nicos, esse apresenta uma varia\u00e7\u00e3o entre 20% e 70% (m\u00e9dia de 33%) e verifica-se que somente os empres\u00e1rios capitalistas conseguem obter \u00e1gio superior a 40%, situando-se os agricultores familiares na faixa de 20% a 40%. Isso reflete a dificuldade que a produ\u00e7\u00e3o familiar de caf\u00e9 org\u00e2nico encontra para se inserir nesse mercado altamente seletivo (Assis &amp; Romeiro,2004).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Bases cient\u00edficas do manejo org\u00e2nico em solos tropicais<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A base cient\u00edfica para as v\u00e1rias correntes de pensamento que caracterizam a &#8220;agricultura alternativa&#8221; em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura convencional baseada nos princ\u00edpios da &#8220;revolu\u00e7\u00e3o verde&#8221;, tem sido buscada por meio da agroecologia, ci\u00eancia em constru\u00e7\u00e3o, que apresenta uma s\u00e9rie de princ\u00edpios e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas (Altieri, 1987). A agroecologia surge como conseq\u00fc\u00eancia de uma busca de suporte te\u00f3rico para as diferentes correntes de agricultura n\u00e3o industrial e, como resposta aos cr\u00edticos destes movimentos, que os colocavam como uma tentativa retr\u00f3grada de volta ao passado na agricultura (Assis, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Essa ci\u00eancia resgata os conhecimentos tradicionais desprezados pela agricultura industrial, procurando utilizar o que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado em ci\u00eancia e tecnologia para criar agro ecossistemas sustent\u00e1veis e de alta produtividade,que apresentem caracter\u00edsticas mais semelhantes quanto sejam poss\u00edveis \u00e0s dos ecossistemas naturais (Gliessman, 2000).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Teoria da trofobiose<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A compreens\u00e3o da natureza somente \u00e9 poss\u00edvel num enfoque hol\u00edstico observando ciclos, trabalhando com sistemas e respeitando as inter-rela\u00e7\u00f5es e propor\u00e7\u00f5es. Tudo \u00e9 interdependente. Com o enfoque tem\u00e1tico-anal\u00edtico que vem predominando na agricultura, perdeu-se a vis\u00e3o geral do sistema e, assim, aumentaram os problemas relacionados com a prote\u00e7\u00e3o das plantas, devido ao manejo inadequado dos solos, da natureza e do pr\u00f3prio controle desses problemas (Ghini &amp; Bettiol, 2000). O surgimento de doen\u00e7as iatrog\u00eanicas (as que ocorrem por causa do uso de agrot\u00f3xicos) \u00e9 um exemplo de problemas que podem ocorrer devido \u00e0 vis\u00e3o reducionista do sistema. V\u00e1rios aspectos do surgimento de pragas e doen\u00e7as em decorr\u00eancia do uso de agrot\u00f3xicos s\u00e3o discutidos por Chaboussou (1987). Por exemplo, ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o de diversos insecitidas, como DDT, Carbaryl e numerosos fosforados, ocorrem prolifera\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es de \u00e1caros vermelhos (Panonychus ulmi Koch) e \u00e1caros amarelos (Eotetranychus carpini vitis, Dosse) (Chaboussou, 1969); pulg\u00f5es (Smirnova, 1965; Michel, 1966) e cochonilhas ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o de fosforados ou clorados (Kozlova &amp; Kurdyukov, 1964). O uso de um clorado em tratamento de solo (Luckmann, 1960) e de um fosforado (Savesco &amp; Iacol, 1958) tamb\u00e9m induziram aumentos na popula\u00e7\u00e3o de lepid\u00f3pteros.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Esses fen\u00f4menos foram constatados envolvendo \u00e1caros, pulg\u00f5es e cochonilhas porque estes insetos mant\u00eam-se sobre a planta durante toda a dura\u00e7\u00e3o de seu ciclo evolutivo e, conseq\u00fcentemente, sua multiplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia passar despercebida. O mesmo n\u00e3o ocorre com certas ordens de insetos, como os lepid\u00f3pteros, por exemplo, submetidos \u00e0 metamorfoses que exigem o abandono do vegetal (Chaboussou, 1987). Alves et al. (2001) citaram que a maior parte dos insetos e dos \u00e1caros fit\u00f3fagos depende de subst\u00e2ncias sol\u00faveis existentes na seiva das plantas ou no suco celular, tais como amino\u00e1cidos livres e a\u00e7\u00facares redutores, pois estes n\u00e3o s\u00e3o capazes de desdobrar prote\u00ednas em amino\u00e1cidos. Foi a partir da rela\u00e7\u00e3o entre o estado nutricional da planta e sua resist\u00eancia \u00e0s doen\u00e7as que Dufrenoy (1936) postulou que toda circunst\u00e2ncia desfavor\u00e1vel ao crescimento celular tende a provocar um ac\u00famulo de compostos sol\u00faveis n\u00e3o utilizados, como a\u00e7\u00facares e amino\u00e1cidos, diminuindo a resist\u00eancia da planta ao ataque de pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A partir disso, Francis Chaboussou formulou, em 1967, a teoria da trofobiose (a origem do termo prov\u00e9m do grego: &#8220;trofo&#8221; (alimento) e &#8220;biose&#8221; (exist\u00eancia de vida), ao afirmar que &#8220;a planta, ou mais precisamente o \u00f3rg\u00e3o vegetal, ser\u00e1 atacado somente quando seu estado bioqu\u00edmico, determinado pela natureza e pelo teor de subst\u00e2ncias nutritivas sol\u00faveis, corresponder \u00e0s exig\u00eancias tr\u00f3ficas da praga ou do pat\u00f3geno em quest\u00e3o&#8221; (Chaboussou, 1969; 1972; 1980; 1985).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Assim, toda planta estar\u00e1 vulner\u00e1vel ao ataque de insetos, \u00e1caros, fungos e doen\u00e7as de modo geral, no momento em que em seu sistema metab\u00f3lico estiverem presentes excessos de amino\u00e1cidos livres e a\u00e7\u00facares redutores (prote\u00f3lise). Toda a\u00e7\u00e3o ou interfer\u00eancia no metabolismo da planta de origem gen\u00e9tica, fisiol\u00f3gica, clim\u00e1tica e de manejo cultural, que estimulem a proteoss\u00edntese, geram resist\u00eancia entomol\u00f3gica e fitopatol\u00f3gica no organismo vegetal. Em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00f3timas e de suprimento de nutrientes, estabelece-se uma condi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio metab\u00f3lico na planta que acaba induzindo a um equil\u00edbrio biol\u00f3gico no ambiente. Seca prolongada, frio intenso, vento, desequil\u00edbrio nutricional (defici\u00eancia ou excesso de nutrientes), compacta\u00e7\u00e3o do solo e, principalmente, uso de agrot\u00f3xicos provocam estresse metab\u00f3lico no organismo vegetal. Isso gera um desequil\u00edbrio proteol\u00edtico, resultando em um excesso de amino\u00e1cidos e vulnerabilizando as plantas \u00e0s pragas e doen\u00e7as (D&#8217;andrea, 2001). Assim, a explica\u00e7\u00e3o para o aumento de pragas ou para os desequil\u00edbrios biol\u00f3gicos nos agroecossistemas pode estar associada ao estado dominante de prote\u00f3lise nos tecidos das plantas (Alves et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Diante dessa constata\u00e7\u00e3o, verifica-se a grande import\u00e2ncia de realiza\u00e7\u00e3o de estudos mais aprofundados sobre os efeitos da nutri\u00e7\u00e3o vegetal na suscetibilidade\/resist\u00eancia das plantas \u00e0s pragas e doen\u00e7as, pois ainda s\u00e3o incipientes as evid\u00eancias cient\u00edficas que confirmem a veracidade da teoria da trofobiose, principalmente em manejos tropicais. \u00c9 conhecido que a fertiliza\u00e7\u00e3o de plantas apresenta efeitos positivos e negativos na incid\u00eancia de pragas e doen\u00e7as (Bortolli &amp; Maia, 1994), enquanto Chaboussou (1987) e Primavesi (1988) ressaltaram a import\u00e2ncia do equil\u00edbrio nutricional para evitar doen\u00e7as e pragas. As plantas produzidas em ambientes com excesso de agroqu\u00edmicos apresentam-se desequilibradas nutricionalmente e vulner\u00e1veis ao ataque de doen\u00e7as e pragas (Altieri &amp; Nicholls, 1999).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Archer et al. (1982) comprovaram que o aumento dos n\u00edveis de N em sorgo proporciona aumento na incid\u00eancia de pulg\u00f5es. Tem sido observado, em culturas como o arroz e a aveia, que, com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de N sol\u00favel na seiva das plantas, ocorre aumento do ataque de Sogatella furcifera e Sitobion avenae (Marschner, 1995). A redu\u00e7\u00e3o do teor de K nas folhas de arroz e citros aumenta o ataque de S. furcifera (Marschner, 1995) e das cochonilhas Lepidosaphes beckii e Saissetia oleae (Chaboussou, 1987), provavelmente em fun\u00e7\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos livres (Marschner, 1995).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A popula\u00e7\u00e3o de Orthezia praelonga em pomar de tangerina cv. Ponkan apresentou maior incid\u00eancia nos tratamentos que receberam aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada e pot\u00e1ssica (30,91%), enquanto que, em plantas que receberam somente aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada, verificou-se um grau de infesta\u00e7\u00e3o de 13,50%. Isso demonstra uma maior tend\u00eancia dos insetos por plantas quando os adubos s\u00e3o aplicados simultaneamente (Pinto et al., 1998; Azeredo et al., 2004). Bortolli &amp; Maia (1994) relataram que embora a maioria dos trabalhos aponte para o efeito positivo do N no desenvolvimento de pragas, h\u00e1 resultados que indicam o contr\u00e1rio (Leite et al., 1999), bem como o efeito n\u00e3o significativo (Gon\u00e7alves et al., 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do cafeeiro existe uma grande lacuna a respeito da trofobiose e trabalhos s\u00e3o praticamente inexistentes. \u00c9 consenso entre a comunidade cient\u00edfica que a incid\u00eancia da cercosporiose, cujo agente causal \u00e9 o fungo Cercospora coffeicola Berk &amp; Cook, apresenta alta correla\u00e7\u00e3o com o estado nutricional das plantas e fatores clim\u00e1ticos. Al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como umidade relativa alta, temperaturas amenas, excesso de insola\u00e7\u00e3o e d\u00e9ficit h\u00eddrico, qualquer condi\u00e7\u00e3o que leve a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado favorece a doen\u00e7a (Carvalho &amp; Chaulfoun, 2000). A ocorr\u00eancia da doen\u00e7a e a suscetibilidade\/resist\u00eancia do cafeeiro cultivado nas v\u00e1rias regi\u00f5es produtoras do Brasil podem ser explicadas pela teoria da trofobiose em trabalhos futuros, que visem elucidar a influ\u00eancia da nutri\u00e7\u00e3o mineral com fontes altamente sol\u00faveis e o uso de agrot\u00f3xicos x manejo org\u00e2nico do solo preconizado pela agricultura org\u00e2nica x condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na proteoss\u00edntese e prote\u00f3lise do sistema metab\u00f3lico dos cafeeiros.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Na agricultura org\u00e2nica, os processos empregados no controle das pragas e doen\u00e7as baseiam-se no equil\u00edbrio nutricional (trofobiose), pelo melhor equil\u00edbrio energ\u00e9tico e metab\u00f3lico do vegetal (Pinheiro &amp; Barreto, 1996).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O emprego de produtos que contenham microrganismos e seus metab\u00f3litos vem sendo amplamente difundido. Al\u00e9m de poder funcionar como indutores de resist\u00eancia, podem atuar como promotores de crescimento (equil\u00edbrio nutricional) e como protetores da planta, a exemplo dos entomopat\u00f3genos e fermentados microbianos (biofertilizantes l\u00edquidos). Este \u00faltimo pode atuar como repelente ou fagodeterrente (inibidores de alimenta\u00e7\u00e3o) ou afetando o desenvolvimento e a reprodu\u00e7\u00e3o das pragas. No entanto, faltam comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a respeito dos efeitos do uso de biofertilizantes em diferentes cultivos, apesar de ser uma pr\u00e1tica largamente difundida e utilizada na agricultura familiar e, principalmente, em lavouras cafeeiras (Alves et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os biofertilizantes s\u00e3o compostos bioativos, res\u00edduo final da fermenta\u00e7\u00e3o de compostos org\u00e2nicos, que cont\u00eam c\u00e9lulas vivas ou latentes de microrganismos (bact\u00e9rias, leveduras, algas e fungos filamentosos) e por seus metab\u00f3litos, al\u00e9m de quelatos organo-minerais. Tamb\u00e9m podem ser definidos como sendo compostos biodin\u00e2micos e biologicamente ativos, produzidos em biodigestores por meio de fermenta\u00e7\u00e3o aer\u00f3bica e ou anaer\u00f3bica da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Esses compostos s\u00e3o ricos em enzimas, antibi\u00f3ticos, vitaminas, toxinas, fen\u00f3is, \u00e9steres e \u00e1cidos, inclusive de a\u00e7\u00e3o fitohormonal. N\u00e3o existe f\u00f3rmula padr\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de biofertilizantes. No Brasil, a f\u00f3rmula mais conhecida \u00e9 o supermagro, que est\u00e1 sendo utilizado em culturas como as de ma\u00e7\u00e3, p\u00eassego, uva, tomate, batata, hortali\u00e7as em geral e no cafeeiro (Alves et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Rochagem<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O solo \u00e9 o produto da a\u00e7\u00e3o integrada do clima e da biosfera, ao longo do tempo, influenciada por sua posi\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica sobre uma rocha matriz. Esta rocha matriz \u00e9 a fornecedora dos constituintes minerais que perfazem 46% da fase s\u00f3lida do solo. A textura e a estrutura da rocha influenciam na velocidade do processo de forma\u00e7\u00e3o do solo, enquanto que as composi\u00e7\u00f5es mineral\u00f3gica e qu\u00edmica determinam a disponibilidade de nutrientes inorg\u00e2nicos nos solos. Entretanto, como os nutrientes s\u00f3 podem ser assimilados pelas plantas quando est\u00e3o na forma sol\u00favel, o intemperismo \u00e9 uma etapa fundamental nessa transfer\u00eancia. Diante do exposto, o conhecimento da mineralogia e da geoqu\u00edmica das rochas facilita o entendimento sobre os processos naturais que determinam a ocorr\u00eancia de solos f\u00e9rteis e pobres, al\u00e9m de ser uma ferramenta importante na escolha adequada das rochas a serem trituradas para aplica\u00e7\u00e3o no solo, visando \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o da sua fertilidade (Santos &amp; Miedema, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A rochagem tem como princ\u00edpio b\u00e1sico a restitui\u00e7\u00e3o ao solo de uma fra\u00e7\u00e3o de minerais intemperiz\u00e1veis que possa atuar como se fosse a fra\u00e7\u00e3o silte de um solo jovem (reserva de nutrientes). Entretanto, o pleno aproveitamento destes minerais somente ser\u00e1 poss\u00edvel com alta atividade biol\u00f3gica. Assim, em clima tropical e subtropical, a aplica\u00e7\u00e3o de farinha de rocha est\u00e1 atrelada ao manejo org\u00e2nico do solo e ter\u00e1 como parceiros a compostagem, a aduba\u00e7\u00e3o verde, o mato ro\u00e7ado ou a cobertura morta. Nesse sentido, merece destaque o manejo do mato pela constante ro\u00e7ada de pomares e cafezais (Osterroht, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Atividade microbiana<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nos sistemas agr\u00edcolas, a biota do solo \u00e9 fortemente influenciada pelas pr\u00e1ticas empregadas, como rota\u00e7\u00e3o de culturas, aduba\u00e7\u00e3o, irriga\u00e7\u00e3o e sistemas de preparo do terreno e de prote\u00e7\u00e3o de plantas. Esta mesma biota, por outro lado, governa processos, como decomposi\u00e7\u00e3o, mineraliza\u00e7\u00e3o e humifica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, mobiliza\u00e7\u00e3o e imobiliza\u00e7\u00e3o de nutrientes, fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio atmosf\u00e9rico, agrega\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o e conseq\u00fcente conserva\u00e7\u00e3o do solo, e a regula\u00e7\u00e3o de pragas e doen\u00e7as (Assis, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo do solo com pr\u00e1ticas que n\u00e3o agridam a biota e favore\u00e7am a ciclagem de nutrientes \u00e9 fundamental para a obten\u00e7\u00e3o de plantas saud\u00e1veis, tais como: redu\u00e7\u00e3o da mecaniza\u00e7\u00e3o do solo (plantio direto ou cultivo m\u00ednimo), uso preferencial de adubos verdes, plantas de cobertura, estercos e compostos (Primavesi, 1988; Altieri, 1991; Monegat, 1991; Patriquin et al., 1993, Altieri, 1994; Vandermeer, 1995; Matson et al., 1997; Yepsen Jr. 1997; Altieri &amp; Nicholls, 1999). As demais pr\u00e1ticas de manejo de agroecossistemas em sistema convencional, tais como a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, e a mecaniza\u00e7\u00e3o excessiva do solo com m\u00e1quinas, t\u00eam efeito direto e indireto no empobrecimento da microbiota do solo respons\u00e1vel pela ciclagem de nutrientes (Matson et al., 1997; Altieri &amp; Nicholls, 1999). Os organismos formam a chamada mat\u00e9ria org\u00e2nica viva do solo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Quanto maior a biomassa de um solo, maior o seu potencial de estoque de nutrientes por meio do ac\u00famulo destes nas c\u00e9lulas microbianas. Os nutrientes s\u00e3o liberados conforme degrada\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas, devido \u00e0 morte ou \u00e0 preda\u00e7\u00e3o por outros organismos (Coutinho et al., 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A biomassa microbiana, que apresenta um importante papel na ciclagem de nutrientes e agrega\u00e7\u00e3o do solo, foi similar em solos manejados organicamente e convencionalmente. Fatores determinantes do resultado da biomassa microbiana s\u00e3o o tipo e a quantidade de material org\u00e2nico que regularmente entra no ecossistema. Aparentemente, a baixa entrada de mat\u00e9ria org\u00e2nica na agricultura convencional \u00e9 suplementada pelas grandes quantidades de exsudatos das ra\u00edzes e res\u00edduos de colheita (ra\u00edzes e palhas) incorporados ao solo, provenientes de uma maior produtividade (Shannon et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Bettiol et al. (2002), em sistemas de cultivo org\u00e2nico e convencional para as culturas do tomateiro (Lycopersicum esculentum) e do milho (Zea mays), registraram uma maior atividade microbiana avaliada pela evolu\u00e7\u00e3o de CO2, mantendo-se superior no sistema org\u00e2nico, tendo, em determinadas avalia\u00e7\u00f5es, sido o dobro da evolu\u00e7\u00e3o verificada no sistema convencional. No cafeeiro, foram registrados resultados significativos para biomassa microbiana em rela\u00e7\u00e3o aos dois tipos de manejo, somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca chuvosa, que apresentou maiores valores (Theodoro et al., 2003c).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os fungos micorr\u00edzicos arbusculares (FMA) formam associa\u00e7\u00f5es mutual\u00edsticas com a maioria das plantas e, sendo simbiontes obrigat\u00f3rios, ocorrem de maneira generalizada nos ecossistemas. Eles aumentam a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes pouco m\u00f3veis no solo, como o f\u00f3sforo por exemplo (Marschner &amp; Dell, 1994), e a toler\u00e2ncia das plantas a doen\u00e7as radiculares (Munyanziza et al., 1997), melhoram a estrutura do solo e aumentam a diversidade e a produtividade vegetal (Heijden et al., 1998).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A simbiose micorr\u00edzica torna-se muito importante para o cafeeiro, pois este apresenta elevada depend\u00eancia dos fungos micorr\u00edzicos arbusculares na fase de mudas em viveiros. Existem ind\u00edcios de que, por meio do manejo adotado em lavouras j\u00e1 instaladas, \u00e9 poss\u00edvel aumentar a diversidade de esp\u00e9cies e o potencial de in\u00f3culo natural do solo, diminuindo os efeitos negativos do monocultivo cont\u00ednuo sobre a diversidade de esp\u00e9cies (Theodoro et al., 2003a).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo apropriado desta simbiose pode reduzir a utiliza\u00e7\u00e3o de fertilizantes e agrot\u00f3xicos, sendo sugeridas por Moreira &amp; Siqueira (2002) algumas pr\u00e1ticas de manejo, como:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>a)<\/strong> fazer rota\u00e7\u00e3o de culturas e cons\u00f3rcios que incluam esp\u00e9cies de plantas multiplicadoras de prop\u00e1gulos;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>b)<\/strong> reduzir as aplica\u00e7\u00f5es de adubos sol\u00faveis ao m\u00ednimo necess\u00e1rio;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>c)<\/strong> priorizar fontes n\u00e3osol\u00faveis de f\u00f3sforo (a micorriza\u00e7\u00e3o \u00e9 inibida por fosfato na solu\u00e7\u00e3o no solo) e<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>d)<\/strong> reduzir ao m\u00ednimo a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, principalmente os fungicidas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Tecnologias de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica aplicadas \u00e0 cafeicultura<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Um novo conceito de fertilidade proposto por Khatounian (2001) chama a aten\u00e7\u00e3o para a sucess\u00e3o da rocha nua at\u00e9 a floresta, e estabelece fertilidade como &#8220;a capacidade de um ecossistema gerar vida de forma sustent\u00e1vel, medida usualmente em termos de produ\u00e7\u00e3o de biomassa&#8221;. Assim a fertilidade deixa de ser um atributo apenas do solo, passando para a esfera do ecossistema. O foco se amplia da camada superficial do solo para todo o perfil no qual as plantas se desenvolvem, indo desde as ra\u00edzes mais profundas at\u00e9 o topo das plantas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Enquanto fertilidade natural \u00e9 obra da natureza, acumulada pelo ecossistema original, a fertilidade dos agroecossistemas \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o humana, melhorada ou desgastada pelas m\u00e3os do agricultor (Khatounian, 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Uma concep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea e simplista dos princ\u00edpios de uma agricultura verdadeiramente ecol\u00f3gica \u00e9 o enfoque \u00fanico na elimina\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos e da aduba\u00e7\u00e3o mineral altamente sol\u00favel. A agricultura ecol\u00f3gica e org\u00e2nica desenvolve um caminho para incrementar a produtividade do sistema &#8220;solo-planta-animal&#8221;, por meio da compreens\u00e3o profunda das rela\u00e7\u00f5es do mesmo. Enquanto, na agricultura convencional, se entende a aduba\u00e7\u00e3o como reposi\u00e7\u00e3o de nutrientes, na agricultura org\u00e2nica \u00e9 o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o vital do organismo solo-planta (Scheller, 2003), respeitando as leis da fertilidade (lei da restitui\u00e7\u00e3o, lei do m\u00e1ximo e do m\u00ednimo e lei dos rendimentos n\u00e3o proporcionais). Nesse sistema, sulfato de pot\u00e1ssio e fosfato de rocha n\u00e3o s\u00e3o empregados para a reposi\u00e7\u00e3o de nutrientes, mas sim para estimular processos biol\u00f3gicos (Scheller, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nos \u00faltimos anos, tem aumentado o n\u00famero de pesquisas que visam buscar crit\u00e9rios para avalia\u00e7\u00e3o da fertilidade e diagnose nutricional das plantas em sistemas org\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 (Ricci et al., 2002; Theodoro et al,. 2003b, 2003c; Partelli et al., 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em trabalhos realizados em sistemas org\u00e2nicos, certos estercos t\u00eam sido utilizados como fonte de nutrientes para as plantas, principalmente o bovino e a cama de avi\u00e1rio. Entretanto, estudos demonstraram a necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o de grandes quantidades desses materiais (Almeida, 1991; Oliveira, 2001), o que limita sua aplica\u00e7\u00e3o em virtude do reduzido n\u00famero de cria\u00e7\u00f5es conduzidas de acordo com os preceitos da agricultura org\u00e2nica. Ara\u00fajo (2004), trabalhando em casa de vegeta\u00e7\u00e3o obteve resultados para o melhor desenvolvimento do cafeeiro em forma\u00e7\u00e3o, quando foi utilizado composto org\u00e2nico com a dosagem de 6,4 a 7,0 kg cova-1 associado ao biofertilizante &#8220;supermagro&#8221; nas concentra\u00e7\u00f5es de 14,45% a 16,83%. Guimar\u00e3es et al. (1999) recomendam a aduba\u00e7\u00e3o de covas de cafeeiros com 3,0 a 5,0 kg (ou 7,0 a 15,0 L cova-1) de esterco de curral, 1,0 a 2,0 kg (ou 1,5 a 3,0 L cova-1) de esterco de galinha, 0,5 a 1,0 kg (1,0 a 2,0 L cova-1) de torta de mamona ou 1,0 a 2,0 kg (5,0 a 10,0 L cova-1) de palha de caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo do caf\u00e9 org\u00e2nico registrou maior altera\u00e7\u00e3o nas caracter\u00edsticas qu\u00edmicas do solo em rela\u00e7\u00e3o ao convencional, apresentando incrementos no pH e nos valores de Ca, Mg, K, P, Zn, B, CTC do solo, SB, V% e diminui\u00e7\u00e3o do Al troc\u00e1vel (Theodoro et al., 2003b). N\u00e3o \u00e9 conhecida nenhuma evid\u00eancia de que os processos fundamentais de ciclagem de nutrientes em manejo org\u00e2nico do solo sejam significativamente diferentes dos mesmos em solos manejados convencionalmente (Stockdale et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A cidade de Finca Irlanda localizada no sul do M\u00e9xico, no estado de Chiapas, \u00e9 considerada uma das primeiras regi\u00f5es do mundo a produzir caf\u00e9 org\u00e2nico certificado, desde 1960, em 270,00 ha de lavouras cafeeiras moderamente sombreadas, apresentando 3.300 plantas ha-1. A lavoura produz, anualmente, uma m\u00e9dia de 1.500 t de caf\u00e9 cereja, que, ap\u00f3s processadas rendem aproximadamente 250 t (0,93 t ha-1 ou 15,5 sacas de 60 kg ha-1) de caf\u00e9 beneficiado. O composto \u00e9 preparado a partir de uma mistura de res\u00edduos do fruto do caf\u00e9 (40%), res\u00edduos de podas (10%), esterco bovino (20%), galhos de cana-de-a\u00e7\u00facar (10%), casco e chifre de animais e farinha de peixe (5%), calc\u00e1rio dolom\u00edtico (5%), rocha fosfatada (5%) e algumas argilas. Anualmente \u00e9 produzida uma quantidade de 1.000 t de composto para aplica\u00e7\u00e3o nas lavouras cafeeiras, na quantidade de 3,7 t ha-1 ou 1,1 kg planta-1. Essas 3,7 t ha-1 de composto podem fornecer, aproximadamente, de 60 a 75 kg de N, 8 a 10 kg de P e 75 a 85 kg de K ha-1 ano-1. As lavouras cafeeiras org\u00e2nicas sombreadas apresentam uma produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 0,93 t de caf\u00e9 beneficiado ha-1 ano-1 (15,5 sacas de 60 kg) que requer uma entrada de 78 kg de N, 2 kg de P e 75 kg de K, visando manter o balan\u00e7o nutricional requerido para sustentar um patamar m\u00e9dio de produ\u00e7\u00e3o. Em Finca Irlanda, s\u00e3o encontrados n\u00edveis m\u00e9dios de nutrientes devido \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o, no processo de compostagem, de 50% de res\u00edduos do pr\u00f3prio cafeeiro (casca, pergaminho, palha e podas) produzidos dentro do organismo agr\u00edcola e a outra metade \u00e9 oriunda de fontes externas de mat\u00e9ria org\u00e2nica (Van der Vossen, 2005). Kamala Bai et al. (2000) relataram os resultados de aplica\u00e7\u00f5es anuais de, aproximadamente, 5,0 t ha-1 de composto, na qualidade do solo e na produ\u00e7\u00e3o de 43,00 ha de caf\u00e9 ar\u00e1bica sombreado, produzido organicamente no sul da \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O composto foi preparado com res\u00edduo de biog\u00e1s (feito com esterco bovino e casca de caf\u00e9), esterco de carneiro e de galinha e fosfato de rocha. A calagem para corrigir o pH do solo \u00e9 feita a cada 4 a 5 anos. A m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o em nove anos (de 1989 a 1998) foi de 1,18 t ha-1 de caf\u00e9 beneficiado (19,67 sacas de 60 kg), em compara\u00e7\u00e3o a 1,32 t ha-1 (22 sacas de 60 kg) antes da convers\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica em 1989. A contribui\u00e7\u00e3o desse composto foi de 104 kg de N, 5 kg de P e 101 kg de K, no fornecimento de nutrientes. O solo estava em \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es, apresentando um pH de 6,1; um teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica de 5,9% na camada superficial (0-20 cm) e os outros nutrientes estavam em n\u00edveis adequados de acordo com as exig\u00eancias do cafeeiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nos resultados obtidos por Moreira (2003) na busca de par\u00e2metros que permitam a caracteriza\u00e7\u00e3o dos sistemas de caf\u00e9 org\u00e2nico sombreado e a pleno sol, mostraram uma tend\u00eancia de superioridade do sistema sombreado, principalmente quanto \u00e0s maiores concentra\u00e7\u00f5es de K encontradas nos gr\u00e3os, folhas e solo, que podem ter propiciado uma melhor qualidade do caf\u00e9 deste sistema.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Aduba\u00e7\u00e3o verde<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o verde para a agricultura org\u00e2nica ou cobertura verde do solo abrange a utiliza\u00e7\u00e3o de plantas, n\u00e3o s\u00f3 as leguminosas, como tamb\u00e9m as gram\u00edneas que formam a vegeta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea do agroecossistema, esp\u00e9cies florestais caducif\u00f3lias naturais e ou introduzidas e outras esp\u00e9cies que funcionem em sistemas de rota\u00e7\u00e3o, sucess\u00e3o ou consorcia\u00e7\u00e3o com as culturas, para a forma\u00e7\u00e3o de biomassa vegetal deixada na superf\u00edcie do solo, visando \u00e0 melhoria das caracter\u00edsticas qu\u00edmicas, f\u00edsicas e biol\u00f3gicas do mesmo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Apenas a ciclagem de nutrientes, na qual se inclui a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio tem valor anual estimado em 17 trilh\u00f5es de d\u00f3lares (Constanza et al., 1997). O uso de adubos verdes, al\u00e9m de enriquecer o solo pela ciclagem de nutrientes por meio da fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, melhora a estrutura, incorpora mat\u00e9ria org\u00e2nica, reduz a eros\u00e3o, aumenta a capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e diminui a incid\u00eancia de invasoras. Adicionalmente, a aduba\u00e7\u00e3o verde contribui para a prote\u00e7\u00e3o das culturas, por estimular popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies antagonistas aos fitoparasitas, al\u00e9m de poder servir como alimento para abelhas e como forragem para os animais de cria\u00e7\u00e3o (Neves, 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Dentre outros benef\u00edcios, pode-se citar tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos org\u00e2nicos que aumentam a solubiliza\u00e7\u00e3o de minerais e intermediam o bombeamento de nutrientes de camadas mais profundas do solo, disponibilizando-os para esp\u00e9cies de plantas com sistema radicular superficial (Gonz\u00e1lez, 1980). A aduba\u00e7\u00e3o verde vem se constituindo um excelente aporte de nitrog\u00eanio, mat\u00e9ria org\u00e2nica e de outros nutrientes ao sistema, al\u00e9m de proporcionar ao produtor org\u00e2nico uma menor depend\u00eancia no uso de estercos e compostos.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No cafeeiro, o nitrog\u00eanio (N) \u00e9 considerado adequado quando o teor nas folhas estiver entre 2,6% a 3,0% (Guimar\u00e3es et al., 1999). Para atingir tais teores, o cafeeiro exige aplica\u00e7\u00f5es de doses de N que variam de 175 a 400 kg ha-1 ano-1, para produzir entre 20 e 60 sacas ha-1. Considerando-se que a concentra\u00e7\u00e3o de N nas fontes org\u00e2nicas dispon\u00edveis \u00e9 baixa, as doses exigidas tornam-se elevadas, onerando os custos com transporte e m\u00e3o-de-obra para sua aplica\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, o N pode ser considerado o nutriente mais limitante na cafeicultura org\u00e2nica (Ricci et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Apesar dessa aparente limita\u00e7\u00e3o do manejo org\u00e2nico do solo no fornecimento de N a agroecossistemas de caf\u00e9 org\u00e2nico, Theodoro et al. (2003c) realizaram um levantamento do estado nutricional de agroecossistemas certificados de caf\u00e9 org\u00e2nico no estado de Minas Gerais e relataram a efici\u00eancia desse sistema no fornecimento de N \u00e0s plantas, via compostos org\u00e2nicos, aduba\u00e7\u00e3o verde, ro\u00e7ada de plantas espont\u00e2neas e cobertura vegetal permanente do solo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A capacidade de penetra\u00e7\u00e3o no solo das ra\u00edzes de leguminosas em profundidades n\u00e3o atingidas pelas culturas em geral tem sido verificada, sendo que as ra\u00edzes chegam, em m\u00e9dia, a uma profundidade de 20 a 30 cm. Em experimento de campo conduzido em solo Podz\u00f3lico (horizonte B textural com elevada densidade), o feij\u00e3o-guandu foi a leguminosa com a maior capacidade de penetra\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes (2,0 m) (Alvarenga, 1993). Ricci et al. (2002) avaliaram o efeito da aduba\u00e7\u00e3o verde no estado nutricional e produtividade do caf\u00e9 org\u00e2nico, utilizando o feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) plantado nas entrelinhas do cafeeiro (&#8220;Catua\u00ed Amarelo&#8221; H- 2077-2-5-86), sob espa\u00e7amentos diferentes (2,0 x 1,0 m consorciado uma linha de guand\u00fa; 2,8 x 1,0 m consorciado com duas linhas de guandu e 3,6 x 1,0 m consorciado com 3 linhas de guandu) e n\u00e3o consorciado (2,8 x 1,0 m). O guandu permaneceu na \u00e1rea experimental durante 26 meses, tendo, ap\u00f3s a colheita do caf\u00e9, sido cortado e deixado sobre o solo. A maior produtividade foi observada no tratamento mais adensado, apresentando 10,59 sacas de caf\u00e9 (saca de 60 kg de caf\u00e9 beneficiado) e no tratamento a pleno sol (2,8 x 1,0 m), com 12,01 sacas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o verde com guandu aumentou significativamente o teor de N na parte a\u00e9rea dos cafeeiros, proporcionando teores acima do n\u00edvel cr\u00edtico estabelecido para o cafeeiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Manejo ecol\u00f3gico de pragas (MEP)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo ecol\u00f3gico de pragas (MEP) tem como finalidade o manejo de agroecossistemas de forma compat\u00edvel com a natureza, incorporando as informa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas b\u00e1sicas ao manejo integrado de pragas (MIP). Na verdade, o MIP tem sido usado sem que se tenha conhecimento pleno das intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas envolvidas no agroecossistema e, assim, utiliza-se de medidas terap\u00eauticas de controle, sem saber, realmente, quais s\u00e3o os motivos que levaram determinados insetos a atingir o status de praga e como agem os agentes limitantes do crescimento populacional desses insetos (Venzon et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os mesmos autores citaram, como estrat\u00e9gia de MEP, a manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural adjacentes \u00e0s lavouras cafeeiras, ou, quando poss\u00edvel, dentro deles. A conserva\u00e7\u00e3o de mata nativa pr\u00f3xima a \u00e1reas de cultivo contribui para a conserva\u00e7\u00e3o e o aumento de vespas predadoras que nidificam nesta vegeta\u00e7\u00e3o (Reis et al., 1984; Gravena, 1992; Reis et al., 2002). Outras estrat\u00e9gias para culturas perenes s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o e o aumento da camada de folhas mortas que cobre o solo, visando ao fornecimento de locais para os inimigos naturais abrigarem-se durante a entressafra ou quando as condi\u00e7\u00f5es ambientais s\u00e3o adversas (Venzon et al., 2001). Uma t\u00e1tica no manejo do bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) pode ser o fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o suplementar aos inimigos naturais (Ecole, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A manipula\u00e7\u00e3o da diversidade de plantas pode ocorrer tanto dentro da \u00e1rea de plantio como em toda a extens\u00e3o da propriedade, por meio do manejo de plantas daninhas, de faixas de vegeta\u00e7\u00e3o, de cobertura verde (forrageiras e leguminosas), do cons\u00f3rcio de culturas, da mistura de variedades, de quebraventos e sistemas agroflorestais (Amaral et al., 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O aumento da diversidade de plantas associadas ao cafeeiro org\u00e2nico provocou aumento na taxa de preda\u00e7\u00e3o de minas do bicho-mineiro do cafeeiro por vespas predadoras. No entanto, em sistema de caf\u00e9 org\u00e2nico parcialmente sombreado, com a introdu\u00e7\u00e3o de banana na linha de plantio, foi observado um decr\u00e9scimo na preda\u00e7\u00e3o de minas, possivelmente devido \u00e0 maior dificuldade das vespas em localizar a praga (Amaral, 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Alguns estudos sobre m\u00e9todos de controle e produtos de uso permitido para MEP na cafeicultura org\u00e2nica v\u00eam sendo conduzidos, como a utiliza\u00e7\u00e3o de armadilhas para a captura de f\u00eameas adultas da broca-do-caf\u00e9, que empregam \u00e1lcool et\u00edlico para atrair os insetos, cuja efici\u00eancia pode ser melhorada com a adi\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de caf\u00e9 (Villacorta et al., 2001). O fungo Metharizium anisopliae \u00e9 tamb\u00e9m um promissor agente de controle da broca-do-caf\u00e9. Segundo Leucuona et al. (1986), este fungo causou a mortalidade de 60% da praga, quando aplicado diretamente sobre os insetos ou indiretamente, nos gr\u00e3os e nas folhas na concentra\u00e7\u00e3o de 1,5 x 108 con\u00eddios mL-1. Estudos sobre a multiplica\u00e7\u00e3o massal e a efici\u00eancia do controle biol\u00f3gico da broca-do-caf\u00e9, utilizando o fungo Beauveria bassiana, v\u00eam sendo desenvolvidos, mas j\u00e1 s\u00e3o encontrados no mercado produtos comerciais com cepas do fungo (Amaral et al., 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Dipieri et al. (2003) verificaram redu\u00e7\u00e3o significativa da quantidade de frutos broqueados quando estes foram tratados com emuls\u00e3o de \u00f3leo de nim (Azadirachta indica) e com extratos aquosos da semente e das folhas de nim, em rela\u00e7\u00e3o aos frutos tratados com \u00e1gua. Em sistemas org\u00e2nicos, tem-se como m\u00e9todo preventivo o controle cultural por meio da realiza\u00e7\u00e3o de uma colheita bem feita dos frutos, que se constitui em um dos m\u00e9todos mais eficientes para o controle da broca-do-caf\u00e9 (Reis et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em experimentos realizados na EPAMIG\/CTZM, verificou-se o efeito positivo do \u00f3leo de nim (Azadirachta indica) na redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de minas de Leucoptera coffeella formadas, no tamanho das minas, no n\u00famero de pupas formadas e na emerg\u00eancia de adultos (Rosado et al., 2003). Em plantas de cafeeiro tratadas com extrato de nim, foi observada redu\u00e7\u00e3o na postura e na sobreviv\u00eancia de ovos de L. coffeella (Martinez et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Outros extratos de plantas tamb\u00e9m t\u00eam apresentado resultados promissores no controle de pragas do cafeeiro, como os extratos de folhas de chagas (ou sete-chagas), Tropaeolium majus e o de mentrasto (Ageratum conyzoides) (Amaral et al., 2003) apresentaram efeito inseticida sobre o bicho-mineiro, L. coffeella e a broca-docaf\u00e9, H. hampei.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">RESUMO DAS REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">AKIBA, F.; CARMO, M.G.F. do; RIBEIRO, R. de L.D. As doen\u00e7as infecciosas das lavouras dentro de uma vis\u00e3o agroecol\u00f3gica. A\u00e7\u00e3o Ambiental, Vi\u00e7osa, v.5, p.30-33,1999.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALFARO-VILLATORO, M.A. et al. Produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em sistema agroflorestal. Serop\u00e9dica: Embrapa Agrobiologia, 2004. 36p. (Documentos, 187).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALMEIDA, D.L. Contribui\u00e7\u00e3o da aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica para a fertilidade do solo. 1991. 192p. Tese (Doutorado em Ci\u00eancia do Solo)-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Serop\u00e9dica, RJ.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M.A. Agricultura alternativa nos EUA; avan\u00e7os e perspectivas. In: SEMIN\u00c1RIO DE PESQUISA EM AGRICULTURA ALTERNATIVA, 1984, Londrina. Anais&#8230; Londrina: Funda\u00e7\u00e3o Instituto Agron\u00f4mico do Paran\u00e1, IAPAR, 1987. p.117-151.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M.A. How best can we use biodiversity in agroecossystems? Outlook on Agriculture, v.20, n.1, p.15-23, 1991.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M.A. Biodiversity and pest management in agroecosystems. New York: Haworth, 1994.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M. Biotecnologia agr\u00edcola: mitos, riscos ambientais e alternativas. Porto Alegre: EMATER-RS, 2002. 54p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M.A.; NICHOLLS, C.I. Ecologically based pest management: a key pathway to achieving agroecosystem health. In: NICHOLLS, C.I.; GARCIA,<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">M.A.; ALTIERI, M.A. Curso de agroecologia, Worshop sobre agroecologia e desenvolvimento sustent\u00e1vel. Campinas: UNICAMP, 1999. v.2, n.6.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALTIERI, M.A.; NICHOLLS, C.I. Agroecologia: resgatando a agricultura org\u00e2nica a partir de um modelo industrial de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. Ci\u00eancia &amp; Ambiente. v.27, p.141-152, jul.\/dez. 2003.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALVARENGA, R.C. Potencialidades de adubos verdes para a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de solos. 1993. 112p. Tese (Doutorado)-Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALVES, S.B. et al. Trofobiose e microorganismos na prote\u00e7\u00e3o de plantas. Biotecnologia Ci\u00eancia &amp; Desenvolvimento, n.21, p.16-19, jul.\/ago. 2001.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">AMARAL, D.S.S.L. Estrat\u00e9gias de manejo ecol\u00f3gico de pragas na cafeicultura org\u00e2nica. 2003. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Fitopatologia)- Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">AMARAL, D.S.S.L.; VENZON, M; PALLINI, A. Manejo de pragas na cafeicultura org\u00e2nica. In: ZAMBOLIM, L. (Ed.). Produ\u00e7\u00e3o integrada de caf\u00e9. Vi\u00e7osa: UFV\/DFP, 2003. p.67-86.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ARA\u00daJO, J.B.S. Composto org\u00e2nico e biofertilizante na nutri\u00e7\u00e3o do cafeeiro em forma\u00e7\u00e3o no sistema org\u00e2nico. 2004. 79p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Fitotecnia)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ARCHER, T.L. et al. Nitrogen fertilizer influence on green-bug (Hom., Aphididae) dynamics and damage to sorghum. Journal Economic Entomology, v.75, p.695-698, 1982.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ASSIS, R.L. Agricultura org\u00e2nica e agroecologia: quest\u00f5es conceituais e processo de convers\u00e3o. Serop\u00e9dica: Embrapa Agrobiologia, 2005. 35p. (Documentos, 196).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ASSIS, R.L. de; ROMEIRO, A.R. An\u00e1lise do processo de convers\u00e3o de sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 convencional para org\u00e2nico: um estudo de caso. Cadernos de Ci\u00eancia &amp; Tecnologia, Bras\u00edlia, v.21, n.1, p.143-168, jan.\/abr. 2004.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">AZEREDO, E.H.de; LIMA, E.; CASSINO, P.C.R. Impacto dos nutrientes N e K e de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis sobre popula\u00e7\u00f5es de Diabrotica speciosa (Germar) (Cole\u00f3ptera, Chrysomelidae) e Agrotis ipsilon (H\u00fcfnagel) (Lepid\u00f3ptera,<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Noctuidae) na cultura da batata, Solanum tuberosum L. (Solanaceae). Revista Brasileira de Entomologia, v.48, n.1, p.105-113, mar. 2004.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">BETTIOL, W. et al. Soil organisms in organic and conventional cropping systems. Scientia Agricola, v.59, n.3, p.565-572, jul.\/set. 2002.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">BORTOLLI, S.A.; MAIA, I.G. Influ\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes na ocorr\u00eancia de pragas. In: S\u00c1, M.E.; BUZZETI, S. (Coord.). Import\u00e2ncia da aduba\u00e7\u00e3o na qualidade dos produtos agr\u00edcolas. S\u00e3o Paulo: \u00cdcone, 1994. p.53- 63.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">BOTTINO NETTO, L. Persist\u00eancia de herbicidas em solos com cafeeiros (C. arabica L.). 2001. 97p. Tese (Doutorado em Fitotecnia)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">BRASIL. Instru\u00e7\u00e3o Normativa N.007 de 17 de maio de 1999. Estabelece normas para produ\u00e7\u00e3o de produtos org\u00e2nicos vegetais e animais. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, n.94, Se\u00e7\u00e3o 1, p. 11, 19 maio 1999.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CAPRA, F. As conex\u00f5es ocultas: ci\u00eancia para uma vida sustent\u00e1vel. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2002. 296p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CARSON, R. Silent spring. Boston: Houghton Mifflin, 1962. 368p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CARVALHO, Y.M.C. de. Agricultura org\u00e2nica e o com\u00e9rcio justo. Cadernos de Ci\u00eancia &amp; Tecnologia, Bras\u00edlia, v.19, n.2, p. 205-234, maio\/ago. 2002.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CARVALHO, V.L. de; CHAULFOUN, S.M. Doen\u00e7as do cafeeiro: diagnose e controle. Belo Horizonte: EPAMIG, 2000. 44p. (Boletim T\u00e9cnico, 58).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. Recherches sur l\u00eas fact de pulutation d\u00eas acariens phytophages de la vigne \u00e0 la suit d\u00eas traitments pesticides du fenillage. 1969. 238p. Th\u00e8se Faculte de Sciences, Paris.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. La trophobiose el la protection de la plante. Revue des Question Scientifiques, v.143, n.1, p.27-47, 1972.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. Les plantes malades des pesticides. Paris: D\u00e9bard, 1980. 265p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. Sant\u00e9 des cultures, une revolution agronomique. Paris: Flammarion, 1985. 296p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. Plantas doentes pelo uso de agrot\u00f3xicos: a teoria da trofobiose. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Jos\u00e9 Guazzelli. 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Empregou-se o delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es em esquema fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos adicionais. Foram utilizadas tr\u00eas fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica (farelo de mamona, esterco bovino e cama de avi\u00e1rio), com e sem palha de caf\u00e9 fermentada, com e sem a aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro e pulveriza\u00e7\u00f5es com o biofertilizante supermagro. O manejo convencional constou da aplica\u00e7\u00e3o de sulfato de am\u00f4nio e o cloreto de pot\u00e1ssio e de aduba\u00e7\u00e3o foliar convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo org\u00e2nico adotado \u00e9 eficiente no fornecimento de N, P, K, S, Ca, Mg, Mn, B, Zn, Cu e Fe ao cafeeiro em produ\u00e7\u00e3o. As melhores fontes de N para o cafeeiro s\u00e3o o farelo de mamona e a cama de avi\u00e1rio, enquanto que o esterco bovino apresenta maior efici\u00eancia no fornecimento de P. Os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentam produtividade similar \u00e0 da testemunha convencional, devido \u00e0 exist\u00eancia de reservas de nutrientes no solo. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na biomassa microbiana, em fun\u00e7\u00e3o dos manejos org\u00e2nico e convencional, entretanto nos tratamentos de manejo org\u00e2nico \u00e9 maior a diversidade biol\u00f3gica das popula\u00e7\u00f5es de fungos micorr\u00edzicos arbusculares.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O crescente interesse pela convers\u00e3o dos sistemas de caf\u00e9 convencional para agroecossistemas org\u00e2nicos nos modelos de agricultura familiar e empresarial surge como uma motiva\u00e7\u00e3o de compradores e consumidores preocupados com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental causada pela agricultura industrial, e, como incentivo \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o social do trabalhador rural. Assim, para os produtores tradicionais, constitui-se numa alternativa para diversificar e tornar mais sustent\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, mediante a disponibiliza\u00e7\u00e3o de tecnologias validadas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Dois pontos extremamente favor\u00e1veis para a convers\u00e3o de sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 convencional para a cafeicultura org\u00e2nica, especialmente voltada para pequenos produtores, s\u00e3o a m\u00e3o-de-obra familiar e as possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o das comunidades na forma de associa\u00e7\u00f5es e cooperativas. A pr\u00e1tica dos princ\u00edpios da agroecologia em pequenas propriedades demanda menor quantidade de insumos org\u00e2nicos, cuja maior parte pode ser gerada dentro do organismo agr\u00edcola. Al\u00e9m disso, a agricultura familiar apresenta aptid\u00e3o para se conseguir um caf\u00e9 de alta qualidade a partir de um processamento p\u00f3s-colheita adequado, agregando valor por meio da certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e do com\u00e9rcio justo (fair trade).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Como toda mudan\u00e7a de paradigma, a convers\u00e3o de lavouras cafeeiras convencionais est\u00e1 sendo realizada gradativamente, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas no Brasil e no mundo. Ainda existem muitos pontos a serem elucidados, como a concep\u00e7\u00e3o, por parte de alguns produtores e cientistas, de que o manejo org\u00e2nico do solo n\u00e3o consegue suprir as necessidades nutricionais dos cafeeiros, afetando drasticamente a produtividade. Assim, fica impl\u00edcita a id\u00e9ia de que, por meio de estudos envolvendo a atividade microbiana do solo, trofobiose e biodiversidade vegetal por meio, por exemplo, da ado\u00e7\u00e3o da aduba\u00e7\u00e3o verde nas entrelinhas dos agroecossistemas cafeeiros, estes podem ser manipulados para se alcan\u00e7ar uma produtividade sustent\u00e1vel, com menos insumos externos e impactos negativos ambientais e sociais.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Diante disso, foram avaliados ap\u00f3s o primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica da lavoura cafeeira, os efeitos do manejo org\u00e2nico na qualidade do solo, por meio da avalia\u00e7\u00e3o da fertilidade na camada superficial, da quantifica\u00e7\u00e3o da biomassa microbiana e da identifica\u00e7\u00e3o de fungos micorr\u00edzicos arbusculares presentes no sistema radicular dos cafeeiros.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O estado nutricional dos cafeeiros foi relacionado \u00e0 produtividade da lavoura, com o objetivo de analisar a efici\u00eancia no fornecimento de nutrientes dos tratamentos de manejo org\u00e2nico em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 testemunha convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O trabalho foi desenvolvido no munic\u00edpio de Lavras, MG, cujo clima \u00e9 Cwa, na classifica\u00e7\u00e3o de K\u00f6ppen, com m\u00e9dias anuais para precipita\u00e7\u00e3o de 1.530 mm e temperatura de 19,4\u00ba C (Brasil, 1992).<br \/>A \u00e1rea de estudo localizada na Fazenda Baunilha, constituiu-se de um talh\u00e3o de caf\u00e9 implantado num Latossolo Vermelho distrof\u00e9rrico, ocupado com cafeeiros com idade de 6 anos, espa\u00e7amento 4,0 x 0,7 m (4.167 plantas ha-1) e<br \/>cultivar Catua\u00ed Amarelo (IAC H2077-2-5-86) em uma \u00e1rea de 2,02 ha. A \u00e1rea das parcelas org\u00e2nicas foi de 1,61 ha (80 parcelas) e a testemunha (20 parcelas convencionais em uma \u00e1rea de 0,41 ha) estava localizada dentro do mesmo talh\u00e3o, apresentando a mesma cultivar e espa\u00e7amento, isolada por uma barreira vegetal de 20,0 m (constitu\u00edda por 5 linhas de cafeeiros). Cada parcela continha 84 plantas, sendo 16 plantas \u00fateis e 68 plantas de bordadura.<br \/>A lavoura convencional recebeu aduba\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas com formulados NPK desde a sua implanta\u00e7\u00e3o, de acordo com an\u00e1lises de solo e foliar, interpretadas segundo Guimar\u00e3es et al. (1999). A palha de caf\u00e9 proveniente da propriedade era aplicada todo ano e o controle de plantas espont\u00e2neas era realizado pelo m\u00e9todo integrado (ro\u00e7ada mec\u00e2nica e aplica\u00e7\u00e3o de herbicida sist\u00eamico). A propriedade apresenta hist\u00f3rico de utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos para o controle de pragas e doen\u00e7as em anos de alta ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o dos tratamentos<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Este estudo avaliou o uso de insumos permitidos e ou tolerados pelas normas da agricultura org\u00e2nica (Brasil, 1999), durante o primeiro ano de convers\u00e3o da lavoura convencional para o sistema org\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O experimento foi instalado em agosto de 2004 e se encontra no segundo ano agr\u00edcola de condu\u00e7\u00e3o. Neste trabalho foram utilizados os dados do primeiro ano de convers\u00e3o (de agosto de 2004 a dezembro de 2005). O delineamento usado foi o l\u00e1tice balanceado 4&#215;4, com cinco repeti\u00e7\u00f5es. Dos dezesseis tratamentos (Tabela 1), doze caracterizam um fatorial 3x2x2, que corresponde a tr\u00eas fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica (esterco bovino, cama de avi\u00e1rio e farelo de mamona) aplicadas superficialmente na proje\u00e7\u00e3o da copa do cafeeiro, com ou sem compostagem laminar feita com a aplica\u00e7\u00e3o de palha de caf\u00e9 (2,0 L planta-1) sobre as fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica e com ou sem adubo verde (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas (Figura 1). Os quatro tratamentos adicionais avaliaram o uso do esterco bovino + moinha de carv\u00e3o + sulfato duplo de pot\u00e1ssio e magn\u00e9sio; a rochagem utilizando a farinha de rocha Itaf\u00e9rtil na dose de 2,08 t ha-1 (500 g planta-1) + farelo de mamona + palha de caf\u00e9; o uso da palha de caf\u00e9 fermentada (20,0 L planta-1) e do adubo verde feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) plantado nas entrelinhas do cafeeiro como \u00fanicas fontes de aduba\u00e7\u00e3o. Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico receberam, como fonte de aduba\u00e7\u00e3o foliar, o biofertilizante supermagro e, nas parcelas convencionais, foi aplicada aduba\u00e7\u00e3o foliar convencional com Niphokam (Quimifol) (10% N; 8,0% P2O5 sol\u00favel em CNA + \u00e1gua; 8,0% K2O; 0,5% Mg, 1,0% Ca; 2,0% S, 1,0% Zn; 0,5% B; 0,1% Fe; 0,1% Mo; 0,2% Cu e 0,5% Mn ) na dose de 1,0L 400L-1 calda-1 ha-1.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O c\u00e1lculo da quantidade de adubos org\u00e2nicos foi feito de acordo com Furtini Neto et al. (2001), conhecendo-se o teor de nutrientes no fertilizante org\u00e2nico s\u00f3lido com base na mat\u00e9ria seca e o \u00edndice de convers\u00e3o da forma org\u00e2nica para a forma mineral (50%). Foi calculada a quantidade de fertilizante org\u00e2nico s\u00f3lido a ser aplicada para atender \u00e0 demanda de 170 kg ha-1 de N (de acordo com IBD, 2006) para culturas perenes, respeitando-se o n\u00famero m\u00e1ximo de animais permitidos na fazenda por hectare, referente \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 1<\/strong>. Detalhamento dos tratamentos que caracterizam o manejo org\u00e2nico e convencional do cafeeiro. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Tratamentos de manejo org\u00e2nico Descri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>1.<\/strong> Esterco bovino (EB) + palha de caf\u00e9 (PC)<br \/>(EB) 8,5 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>2.<\/strong> Cama de avi\u00e1rio (CA) + palha de caf\u00e9 (PC) (CA) 4,2 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>3.<\/strong> Farelo de mamona (FM) + palha de caf\u00e9 (PC)<br \/>(FM) 2,0 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>4.<\/strong> Esterco bovino<br \/>(EB) 8,5 kg planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>5.<\/strong> Cama de avi\u00e1rio (CA) 4,2 kg planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>6.<\/strong> Farelo de mamona<br \/>(FM) 2,0 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>7.<\/strong> EB + PC + aduba\u00e7\u00e3o verde (AV)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(EB) 8,5 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>8.<\/strong> CA + PC + AV<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(CA) 4,2 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>9.<\/strong> FM + PC + AV<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(FM) 2,0 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>10.<\/strong> EB + AV<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(EB) 8,5 kg planta-1; (AV) feij\u00e3o-guandu<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>11.<\/strong> CA + AV<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(CA) 4,2 kg planta-1; (AV) feij\u00e3o-guandu<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>12.<\/strong> FM + AV<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(FM) 2,0 kg planta-1; (AV) feij\u00e3o-guandu<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>13.<\/strong> EB + PC + moinha de carv\u00e3o (MC) + sulfato duplo de K e Mg (SKMg)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(EB) 8,5 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1; (MC) 500 g planta-1; (SKMg) 110 g planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>14.<\/strong> FM + PC + farinha de rocha (FR)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(FM) 2,0 kg planta-1; (PC) 2,0 L planta-1 e(FR) 500 g planta<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>15.<\/strong> PC<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(PC) 20 L planta-1<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>16.<\/strong> AV (AV) feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(AV) feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) Aduba\u00e7\u00e3o foliar biofertilizante supermagro a 5% (3 aplica\u00e7\u00f5es a partir de dezembro de 2004)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Controle de plantas daninhas<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ro\u00e7ada mec\u00e2nica, enxada<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Testemunha Convencional<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A duba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica em quatro parcelamentos (de novembro de 2004 a fevereiro de 2005) 300 kg N &#8211; sulfato de am\u00f4nio (20% N) e 150 kg K2O &#8211; cloreto de pot\u00e1ssio (58% K2O)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Aduba\u00e7\u00e3o foliar<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Controle de plantas daninhas<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">300 kg N &#8211; sulfato de am\u00f4nio (20% N) e150 kg K2O &#8211; cloreto de pot\u00e1ssio (58% K2O) Niphokam (Quimifol) (3 aplica\u00e7\u00f5es a partir de dezembro de 2004)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ro\u00e7ada mec\u00e2nica, Glyphosat<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 1. Croqui representativo do delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es, composto por dezesseis tratamentos que caracterizam o fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos adicionais, testados na \u00e1rea experimental localizada na Fazenda Baunilha. Lavras, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">dejetos, de acordo com a \u00e1rea total \u00fatil da propriedade. O esterco bovino foi comprado de pequenos produtores rurais e a cama de avi\u00e1rio de um avi\u00e1rio localizado no munic\u00edpio de Lavras, MG. Somente o farelo de mamona foi adquirido de uma empresa de S\u00e3o Paulo. A moinha de carv\u00e3o foi conseguida na UFLA, junto ao Departamento de Ci\u00eancias Florestais e a palha de caf\u00e9 utilizada foi proveniente do Setor de Cafeicultura da UFLA e da \u00e1rea experimental. Os complementos minerais utilizados, como, por exemplo, para fornecimento de K (sulfato duplo de K e Mg) e a farinha de rocha, foram submetidos ao processo de compostagem laminar e os macro e os micronutrientes (biofertilizante supermagro) passaram pelo processo de fermenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 atingir a sua estabiliza\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica sob anaerobiose. Como a quantidade de N fornecida pelo uso de adubos org\u00e2nicos provenientes de fora da propriedade n\u00e3o deve ser maior que a aplicada com o uso dos adubos org\u00e2nicos produzidos dentro da propriedade, foi testado o adubo verde (C. cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">De acordo com a f\u00f3rmula abaixo (Furtini Neto et al., 2001), as quantidades utilizadas dos adubos org\u00e2nicos foram: 8,5 kg de esterco bovino planta-1 totalizando 34,9 t ha-1 (35% umidade; C = 1,5% N; A = 170 kg ha-1 de N); 2,0 kg de farelo de mamona planta-1 totalizando 8,5 t ha-1 (20% umidade; C = 5%; A = 170 kg ha-1 de N) e 4,2 kg planta-1 de cama de avi\u00e1rio, totalizando 17,4 t ha-1 (30% umidade; C =2,8%; A = 170 kg ha-1 de N).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em que:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>X<\/strong> = quantidade do fertilizante org\u00e2nico s\u00f3lido aplicado ou a aplicar (kg ha-1)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>A<\/strong> = quantidade do nutriente aplicado ou a aplicar (kg ha-1)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>B<\/strong> = teor de mat\u00e9ria seca do fertilizante (%) C = teor do nutriente na mat\u00e9ria seca (%)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>D<\/strong> = \u00edndice de convers\u00e3o para o N (50%)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A palha de caf\u00e9 fermentada foi aplicada superficialmente na proje\u00e7\u00e3o da copa do cafeeiro na dose de 2,0 L planta-1 (Guimar\u00e3es et al., 1999) nos tratamentos 1, 2, 3, 7, 8, 9, 13 e 14 e em todas as parcelas convencionais, ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos (esterco bovino, cama de avi\u00e1rio e farelo de mamona). Esse processo \u00e9 chamado compostagem laminar, pois seu objetivo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de uma l\u00e2mina constitu\u00edda de um adubo org\u00e2nico colocado superficialmente sobre o solo (local de aduba\u00e7\u00e3o) e, posteriormente, aplica-se um res\u00edduo vegetal sobre ele, para que o processo de compostagem ocorra em condi\u00e7\u00f5es de campo. Pode-se definir compostagem laminar como a compostagem feita diretamente no local de plantio, onde incorporam-se adubos org\u00e2nicos juntamente com res\u00edduos vegetais e ou material verde existente no local (adubos verdes ou plantas espont\u00e2neas). A grande vantagem desse processo \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a montagem das medas, que s\u00e3o obrigat\u00f3rias na compostagem tradicional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os teores de macro e micronutrientes dos diferentes insumos utilizados na aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica est\u00e3o listados na Tabela 2.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O sulfato de pot\u00e1ssio e magn\u00e9sio (SUL-PO-MAG: 22% K2O, 18% MgO ou 11% Mg e 22% S), que era anteriormente comercializado no Brasil como Kmag, \u00e9 o mineral langbeinita, produto natural que n\u00e3o passa por processos qu\u00edmicos de preparo e nem de extra\u00e7\u00e3o (Borges &amp; Souza, 2005) certificado pelo IBD. Esse produto foi testado como um aporte adicional de K para o pequeno produtor, com o objetivo de avaliar seu desempenho na produtividade da lavoura e nas propriedades qu\u00edmicas e microbiol\u00f3gicas do solo. Como o teor de K do solo antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento era m\u00e9dio (133,6 mg dm-3), de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999) foi utilizada a dose de 100 kg.ha-1 de K2O (110 g planta-1). A moinha de carv\u00e3o foi utilizada na dose emp\u00edrica de 2,0 t ha-1 (500 g planta-1).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 2<\/strong>. Teores de nutrientes dos diferentes insumos utilizados. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A formula\u00e7\u00e3o do biofertilizante utilizada foi a do supermagro adaptado \u00e0 cafeicultura org\u00e2nica, de acordo com Pedini (2000), com uma dilui\u00e7\u00e3o de 5%.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Foram realizadas tr\u00eas pulveriza\u00e7\u00f5es tratorizadas mensais (dezembro de 2004 a fevereiro de 2005). O referido biofertilizante foi preparado em uma caixa d&#8217;\u00e1gua de 1000 litros na quantidade de 600 litros. Foram utilizados para cada 200 litros os seguintes ingredientes: 40 kg de esterco verde e 1,0 kg de micronutrientes (sais caf\u00e9 adicionados seis vezes a cada cinco dias) fornecidos pela Quimifol na forma farelada de nutrientes quelatizados contendo 10,0% Zn; 3,0% B; 5,0% Mg; 0,1% Mo e 7,0% S; 50 gramas de sulfato de Cu; 1,0 L de leite; 1,0 L de mela\u00e7o; 2 potinhos de Yakult (produto comercial \u00e0 base de leite fermentado composto por leite desnatado fermentado por Lactobacillus, utilizado com o objetivo de incrementar a atividade microbiana); 0,5 kg de calc\u00e1rio e 400 g de farinha de osso. Esses materiais foram fermentados anaerobicamente durante 30 dias, at\u00e9 atingir a sua estabiliza\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, sendo aplicados posteriormente nas parcelas org\u00e2nicas.<br \/>A aduba\u00e7\u00e3o verde foi feita em janeiro de 2005 e, de acordo com an\u00e1lise de solo coletado nas entrelinhas dos cafeeiros (vinte pontos no talh\u00e3o inteiro perfizeram a an\u00e1lise composta) antes da instala\u00e7\u00e3o do experimento, o pH apresentou acidez m\u00e9dia (5,9), n\u00e3o havendo indica\u00e7\u00e3o de calagem.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O plantio do adubo verde feij\u00e3o-guandu (C. cajan L.) nas parcelas org\u00e2nicas (tratamentos 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 16) foi feito com matracas nas entrelinhas dos cafeeiros em quatro linhas com espa\u00e7amento de 50,0 cm e na densidade de dez sementes por metro linear (utilizando-se 50% do espa\u00e7o livre do caf\u00e9, de acordo com o espa\u00e7amento) segundo Chaves &amp; Calegari (2001). O guand\u00fa permaneceu na \u00e1rea por tr\u00eas meses, sendo ro\u00e7ado mecanicamente em abril de 2005.<br \/>A aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica foi idealizada de acordo com an\u00e1lise de solo coletada antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento, quando foram coletados nove pontos em cada bloco sendo homogeneizados posteriormente para formar a amostra composta\/bloco (Figura 1). A exig\u00eancia de N e K para lavouras em produ\u00e7\u00e3o foi calculada segundo Guimar\u00e3es et al. (1999), visando uma produtividade de 20 a 30 sacas ha-1 para as parcelas convencionais, sendo fornecidos 300 kg ha-1 de N na forma de sulfato de am\u00f4nio e 150 kg ha-1 de K2O na forma de cloreto de pot\u00e1ssio. Os dois adubos foram previamente misturados antes de sua aplica\u00e7\u00e3o na proje\u00e7\u00e3o da copa dos cafeeiros. A aduba\u00e7\u00e3o foi realizada em quatro parcelamentos nas seguintes datas: 05\/11\/04, 10\/12\/04, 05\/01\/05 e 05\/02\/05.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo de plantas espont\u00e2neas nos tratamentos org\u00e2nicos constou do uso de ro\u00e7adora mec\u00e2nica periodicamente, de acordo com o per\u00edodo cr\u00edtico de competi\u00e7\u00e3o para a cultura do cafeeiro. Nas parcelas convencionais, foi utilizado um manejo integrado (uso de ro\u00e7adora mec\u00e2nica a cada 30 a 45 dias e uma aplica\u00e7\u00e3o de controle qu\u00edmico com herbicida sist\u00eamico &#8211; Glyphosate na dosagem de 1,5 L 150 L-1 calda-1, aplicada com um pulverizador acoplado ao trator).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">M\u00e9todos de amostragem e an\u00e1lises laboratoriais<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As amostragens para as an\u00e1lises qu\u00edmicas do solo foram realizadas em junho de 2005 e a amostragem microbiol\u00f3gica do solo foi feita no ver\u00e3o (mar\u00e7o de 2005). O solo foi amostrado na profundidade de 0 a 20 cm, para determina\u00e7\u00e3o da fertilidade. A an\u00e1lise foliar foi feita ap\u00f3s secagem das folhas e determina\u00e7\u00e3o de sua massa seca, no Laborat\u00f3rio do Departamento de Qu\u00edmica da UFLA.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Produtividade<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para a determina\u00e7\u00e3o da produtividade, foi avaliada a produ\u00e7\u00e3o das dezesseis plantas \u00fateis de cada parcela experimental. A quantidade de caf\u00e9 medida de cada parcela \u00fatil foi seca em terreiro de lama asf\u00e1ltica e beneficiada. O caf\u00e9 beneficiado foi convertido em produ\u00e7\u00e3o de sacas de 60 kg ha-1.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Fertilidade do solo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As amostragens de fertilidade de solo foram feitas com tradagem na proje\u00e7\u00e3o da copa do cafeeiro, nas cem parcelas (na \u00e1rea central das dezesseis plantas \u00fateis) para cada profundidade. As amostras simples, constitu\u00eddas de seis pontos (separados por profundidade), foram homogeneizadas, sendo retirada uma amostra para cada profundidade, com cerca de 0,3 kg de material de solo, que foi acondicionada em saco pl\u00e1stico devidamente etiquetado.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As an\u00e1lises qu\u00edmicas foram: pH, acidez potencial (H + Al), alum\u00ednio troc\u00e1vel (Al+3), bases troc\u00e1veis (Ca+2 e Mg +2), pot\u00e1ssio dispon\u00edvel (K+), f\u00f3sforo dispon\u00edvel (P), enxofre (S), micronutrientes (boro, cobre, ferro, mangan\u00eas e zinco), CTC efetiva, CTC a pH 7,0, soma de bases (S), satura\u00e7\u00e3o de bases (V), satura\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio (m) e carbono do solo (C).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As amostras de material de solo foram analisadas no Laborat\u00f3rio de Fertilidade do Solo do Departamento de Ci\u00eancia do Solo da UFLA, conforme metodologia descrita a seguir: pH em H2O na rela\u00e7\u00e3o 1:2,5 (solo:\u00e1gua), de acordo com o m\u00e9todo proposto por McLean (1982). O alum\u00ednio troc\u00e1vel foi extra\u00eddo com KCl 1N e analisado por titulometria com NaOH 0,025N (Barnhisel &amp; Bertsch, 1982). As bases troc\u00e1veis foram extra\u00eddas com KCl 1N e determinadas por titulometria com EDTA 0,025N (Lanyon &amp; Heald, 1982). O f\u00f3sforo e o pot\u00e1ssio dispon\u00edveis foram obtidos com a solu\u00e7\u00e3o extratora Mehlich I (HCl 0,05N + H2SO4 0,025N) e analisados por colorimetria e fotometria de chama, respectivamente (EMBRAPA, 1979). O enxofre foi determinado por turbidimetria (Blanchar et al., 1965). O teor de carbono do solo foi determinado segundo metodologia descrita por Defelipo &amp; Ribeiro (1981). O teor de boro dispon\u00edvel foi determinado por extra\u00e7\u00e3o com \u00e1gua quente e analisado por fotocolorimetria (Reisenauer et al., 1973). Os demais micronutrientes foram extra\u00eddos por meio de solu\u00e7\u00e3o de agentes complexantes, DTPA (\u00e1cido dietilenotriaminopentac\u00e9tico) (Raij et al., 1987). Os valores de CTC efetiva e CTC a pH 7,0 foram obtidos de maneira indireta por meio dos valores de acidez potencial, bases troc\u00e1veis e alum\u00ednio troc\u00e1vel (Vettori, 1969). Os demais \u00edndices, soma de bases (S), satura\u00e7\u00e3o de bases (V) e satura\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio (m) foram determinados segundo Guimar\u00e3es et al. (1999).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Microbiologia do solo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As amostras referentes aos par\u00e2metros microbiol\u00f3gicos do solo (biomassa microbiana e esporos no solo) foram coletadas na proje\u00e7\u00e3o da copa do cafeeiro (5 x 5 x 5 cm3), na \u00e1rea central das dezesseis plantas \u00fateis. As amostras de solo coletadas foram acondicionadas em sacos pl\u00e1sticos e colocadas em caixas de isopor com gelo, at\u00e9 chegarem ao Departamento de Agricultura, onde foram conservadas \u00e0 temperatura de cerca de 5oC, at\u00e9 serem processadas. A temperatura foi mantida utilizando geladeira comercial em condi\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os esporos do solo foram extra\u00eddos pelo m\u00e9todo da peneiragem via \u00famida (Gerdemann &amp; Nicolson, 1963), em uma amostra de 50ml de solo separados de fragmentos por centrifuga\u00e7\u00e3o em \u00e1gua a 3.000 rpm, durante 3 minutos e em sacarose 45%, a 2.000 rpm por 2 minutos. Ap\u00f3s extra\u00e7\u00e3o, os esporos foram transferidos para placas e contados com o aux\u00edlio de microsc\u00f3pio estereosc\u00f3pico (40 vezes). Para a caracteriza\u00e7\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, os esporos foram transferidos para l\u00e2minas microsc\u00f3picas montadas em lactofenol e cada l\u00e2mina foi observada em microsc\u00f3pio composto com aumento entre 400 e 1000 vezes. A classifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica foi realizada segundo as descri\u00e7\u00f5es originais (Schenck &amp; Perez, 1987).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A biomassa microbiana foi estimada pelo m\u00e9todo da fumiga\u00e7\u00e3o-extra\u00e7\u00e3o descrito por Dias J\u00fanior (1996) e proposto por Vance et al., (1987), apresentando como princ\u00edpio b\u00e1sico a extra\u00e7\u00e3o do C microbiano ap\u00f3s a morte dos microrganismos e lise celular pelo ataque do clorof\u00f3rmio e libera\u00e7\u00e3o dos constituintes celulares, os quais s\u00e3o degradados por aut\u00f3lise enzim\u00e1tica e transformados em componentes org\u00e2nicos extra\u00edveis (Joergensen, 1995).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">An\u00e1lises estat\u00edsticas<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para os dados relativos \u00e0s vari\u00e1veis da an\u00e1lise foliar, da fertilidade e da microbiologia do solo, utilizou-se delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es, em esquema fatorial (3x2x2) totalizando 12 tratamentos mais 4 tratamentos adicionais (Tabela 1). Os fatores utilizados foram: 3 tipos de adubos org\u00e2nicos (esterco bovino, EB; cama de avi\u00e1rio, CA e farelo de mamona, FM), com e sem palha de caf\u00e9 fermentada em cobertura e com e sem adubo verde (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro. Os 4 tratamentos adicionais foram: o esterco bovino + palha de caf\u00e9 + munha de carv\u00e3o + sulfato de K e Mg; o farelo de mamona + palha de caf\u00e9 + farinha de rocha; a palha de caf\u00e9 fermentada e aduba\u00e7\u00e3o verde (C. cajan L.). Como testemunha, foram utilizadas vinte repeti\u00e7\u00f5es n\u00e3o inclu\u00eddas no delineamento experimental, localizadas em \u00e1rea cont\u00edgua \u00e0 \u00e1rea experimental. Como forma de isolamento, foram utilizadas quatro linhas de cafeeiros, perfazendo uma dist\u00e2ncia de 20,0 m entre os blocos de tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha, visando evitar qualquer efeito proveniente do manejo convencional como, por exemplo, deriva de agroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O plano experimental foi obtido em Cohran &amp; Cox (1957) (Figura 1). Os efeitos do adubo org\u00e2nico, da palha de caf\u00e9 e do adubo verde e suas respectivas intera\u00e7\u00f5es foram estimados e testados, utilizando-se os desdobramentos apropriados. As vari\u00e1veis (teores de nutrientes foliares, produtividade, fertilidade do solo de 0 a 20 cm e biomassa microbiana) foram submetidas ao teste de Tukey, a 5%.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os dados foram submetidos \u00e0 an\u00e1lise de vari\u00e2ncia utilizando o programa SAS. A testemunha foi comparada com cada um dos 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico por meio do teste t com prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni (Johnson &amp; Wichern, 1998), com a ajuda do programa SISVAR para Windows vers\u00e3o 4.6 (Ferreira, 2000). Tamb\u00e9m foram realizados contrastes entre os tratamentos adicionais e os tratamentos fatoriais por meio da op\u00e7\u00e3o &#8220;constrast&#8221; do proc GLM.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>RESULTADOS E DISCUSS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Caracteriza\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo na camada superficial antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os resultados da an\u00e1lise de solo coletada em julho de 2004, proveniente da lavoura cafeeira experimental, indicam uma acidez m\u00e9dia (5,64); um V% m\u00e9dio (47,0 %) que quase se aproximou da faixa adequada para o cafeeiro (50% a 60%) e um teor alto de Al3+ (1,26 cmolc dm-3), de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999) (Tabela 3). Optou-se pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da calagem, visando avaliar os efeitos dos manejos org\u00e2nico e convencional do cafeeiro nas referidas vari\u00e1veis, ap\u00f3s um ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica da lavoura.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Vale salientar que o solo da lavoura cafeeira experimental apresentou uma boa reserva de nutrientes, devido ao seis anos anteriormente cultivados sob manejo convencional. A fertilidade do solo foi caracterizada por uma CTC efetiva (t) m\u00e9dia (4,18 cmolc dm-3), teores altos de P remanescente (8,5 mg L-1), K (133,6 mg dm-3) e Ca2+ (2,8 cmolc dm-3) e teores m\u00e9dios para o Mg2+ (0,78 cmolc dm-3) e para a mat\u00e9ria org\u00e2nica (24,0 g kg-1). Os altos teores de P e K encontrados no solo, provavelmente s\u00e3o referentes ao uso de superfosfato simples e cloreto de pot\u00e1ssio, e os teores alto de Ca2+ e m\u00e9dio de Mg2+ s\u00e3o provenientes da pr\u00e1tica da calagem realizada desde a implanta\u00e7\u00e3o da lavoura cafeeira convencional. O teor de S registrado foi muito alto (24,0 mg dm-3) e pode ser relacionado com o uso do sulfato de am\u00f4nio como fonte de N e do superfosfato simples como fonte de P.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o aos teores de micronutrientes no solo, o B (0,7 mg dm-3), Cu (3,2 mg dm-3), Fe (49,0 mg dm-3) e Mn (27,0 mg dm-3) apresentaram teores altos e o Zn (2,24 mg dm-3) um teor m\u00e9dio. Esses valores, possivelmente, est\u00e3o associados ao uso da palha de caf\u00e9 fermentada anualmente na lavoura cafeeira,<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 3.<\/strong> Resultado da an\u00e1lise do solo na profundidade de 0 a 20 cm, antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento (m\u00e9dia dos cinco blocos). Interpreta\u00e7\u00e3o de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999). UFLA. Lavras, MG, 2006.<br \/>P, K, Fe, Zn, Mn e Cu, extrator Melich 1; Ca, Mg e Al, extrator KCl 1N; H + Al, extrator SMP; B, extrator \u00e1gua quente; S, extrator fosfato monoc\u00e1lcico em \u00e1cido ac\u00e9tico; SB, soma de bases; CTC (t), capacidade de troca cati\u00f4nica efetiva; CTC (T), capacidade de troca cati\u00f4nica a pH 7,0; V, \u00edndice de satura\u00e7\u00e3o de bases; m, \u00edndice de satura\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio; mat\u00e9ria org\u00e2nica (MO), oxida\u00e7\u00e3o Na2Cr2O7 4N + H2SO4 10N.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">aplicada superficialmente na proje\u00e7\u00e3o da copa dos cafeeiros, o que concorre para a disponibiliza\u00e7\u00e3o de micronutrientes via mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Outras fontes s\u00f3lidas de micronutrientes, bem como o manejo integrado das plantas daninhas presentes nas entrelinhas do cafeeiro, podem ter concorrido para alcan\u00e7ar os bons teores de micronutrientes na camada superficial do solo da \u00e1rea experimental.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 preciso ressaltar que a caracteriza\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo (0 a 20 cm) anterior \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do experimento na lavoura cafeeira experimental indica uma influ\u00eancia direta das reservas de nutrientes do Latossolo Vermelho distrof\u00e9rrico, nos resultados registrados para os atributos qu\u00edmicos do solo e para a produtividade dos tratamentos de manejo org\u00e2nico e da testemunha convencional. Fica evidente, assim, que as reservas de macro e micronutrientes do solo, provenientes de seis anos de manejo convencional, contribu\u00edram diretamente para a obten\u00e7\u00e3o dos altos \u00edndices de produtividade relatados para os tratamentos de manejo org\u00e2nico neste trabalho, avaliados ap\u00f3s o primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica da lavoura cafeeira.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Fertilidade do solo na camada superficial ap\u00f3s o primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica da lavoura cafeeira<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os efeitos do adubo org\u00e2nico (A), da palha de caf\u00e9 (CP) e do adubo verde (AV) e de suas respectivas intera\u00e7\u00f5es (A x AV; A x PC; AV x PC; A x AV x PC) na fertilidade do solo foram apresentados por meio do resumo das an\u00e1lises de vari\u00e2ncia contidos nos Anexos 1 a 4. Para proceder \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre os dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico, as m\u00e9dias obtidas dos efeitos dos adubos org\u00e2nicos, quando significativos, foram representadas nas Figuras 2 a 4. Os efeitos significativos da palha de caf\u00e9 e do adubo verde e de suas respectivas intera\u00e7\u00f5es foram apresentados na discuss\u00e3o. Os resultados da compara\u00e7\u00e3o de cada um dos dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico versus a testemunha convencional foram apresentados nas Tabelas 4, 5, 7 e 8, de acordo com o teste de t com prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. O referido teste quando significativo detectou os tratamentos de manejo org\u00e2nico que foram diferentes da testemunha.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As vari\u00e1veis de acidez do solo (pH em H2O, Al3+e H + Al) provenientes de amostras de solo coletadas ap\u00f3s a colheita do caf\u00e9 n\u00e3o registraram resultados significativos entre os dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 1).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha apresentaram acidez m\u00e9dia (5,1 a 6,0), entretanto, foram detectadas diferen\u00e7as entre eles, de acordo com classifica\u00e7\u00e3o agron\u00f4mica para a acidez ativa do solo, conforme Guimar\u00e3es et al. (1999). Os valores de pH foram baixos (5,1 a 5,4) na maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 15).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os tratamentos 12, 14, 16 e a testemunha registraram valores adequados de pH (5,5 a 6,0). Os tratamentos 5, 6, 7, 8, 11, 12, 14 e 16 foram estatisticamente iguais \u00e0 testemunha (Tabela 4). Theodoro (2001) citou, em sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico, o efeito das aduba\u00e7\u00f5es org\u00e2nica e verde nos aumentos no pH do solo e, conseq\u00fcentemente, diminui\u00e7\u00e3o dos teores t\u00f3xicos de alum\u00ednio. Para a acidez troc\u00e1vel (Al3+) os tratamentos 2 e 15 apresentaram valores dentro da faixa de teores m\u00e9dios (0,51 a 1,0 cmolc dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999). A maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico (1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16) registrou um teor baixo (0,21 a 0,5 cmolc dm-3) e foi igual estatisticamente \u00e0 testemunha com um teor muito baixo (\u22640,2 cmolc dm-3). Como o solo, antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento, apresentou um teor muito alto de Al3+ (1,26 cmolc dm-3) (Tabela 3), pode-se inferir que os manejos org\u00e2nico e convencional testados contribu\u00edram para a diminui\u00e7\u00e3o da acidez troc\u00e1vel na camada superficial do solo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 4<\/strong> &#8211; Valores das vari\u00e1veis pH em \u00e1gua; Al3+; acidez potencial: H+Al e t (CTC efetiva) em cmolc dm-3 na camada de 0-20 cm, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA. Lavras, MG, 2006.<br \/>* Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A redu\u00e7\u00e3o da toxidez de Al, ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o de res\u00edduos vegetais e esterco de animais, ocorre por dois processos qu\u00edmicos: hidr\u00f3lise devido ao aumento do pH e complexa\u00e7\u00e3o por \u00e1cidos org\u00e2nicos (Franchini et al., 1999; Hue &amp; Licudine, 1999; Theodoro et al., 2003b). A acidez potencial (H + Al) registrou teores altos nos tratamentos de manejo org\u00e2nico 1, 2, 3, 4, 6, 8, 9, 10, 13, 14 e 15 (5,01 a 9,0 cmolc dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999) e na testemunha, um valor de 3,5 cmolc dm-3 (teor m\u00e9dio), que foi estatisticamente igual aos tratamentos 5, 7, 8, 11, 12, 14 e 16 (Tabela 4). Esses resultados podem ser atribu\u00eddos ao per\u00edodo de um ano de coleta de dados, que foi insuficiente para detectar diferen\u00e7as estatisticamente significativas nas vari\u00e1veis de acidez do solo, geradas pelos manejos org\u00e2nico e convencional. Outro fator que pode ter afetado os resultados obtidos foi a exist\u00eancia de um gradiente de fertilidade do solo na \u00e1rea experimental, notadamente do bloco I ao bloco V (Figura 1), que se encontrava na parte inferior do terreno levemente inclinado e, portanto, com uma maior fertilidade. Provavelmente, os resultados da testemunha convencional podem ter sido favorecidos pela localiza\u00e7\u00e3o do bloco V, na parte inferior do talh\u00e3o cafeeiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A CTC efetiva do solo (t) n\u00e3o registrou signific\u00e2ncia entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 1), no entanto, quando estes foram comparados com a testemunha, os tratamentos 2, 5, 10, 14 e 16 foram estatisticamente iguais a esta (Tabela 4). Todos os tratamentos e a testemunha apresentaram teores m\u00e9dios (2,31 a 4,6 cmolc dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999), indicando a manuten\u00e7\u00e3o do teor m\u00e9dio da CTC efetiva do solo (4,18 cmolc dm-3) em compara\u00e7\u00e3o com a an\u00e1lise antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(Tabela 3).Os teores de P do solo deste trabalho ser\u00e3o discutidos com base nos resultados do P remanescente (PREM), devido \u00e0 possibilidade dos resultados provenientes do extrator Melich superestimar seus teores, de acordo com sugest\u00f5es de Theodoro et al. (2003c). Os teores de PREM situaram-se no intervalo de 10,0 a 14,25 mg L-1, n\u00e3o apresentando diferen\u00e7as significativas entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 2). Quando comparados com a testemunha, os tratamentos 5, 7, 8, 9, 11 e 16 foram similares a esta (Tabela 5).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Todos os tratamentos e a testemunha registraram teores de baixos a muito baixos, de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999). Esse fato permitiu inferir que ocorreu influ\u00eancia direta das reservas do solo provenientes do manejo convencional, desde a implanta\u00e7\u00e3o da lavoura, sobre os resultados encontrados nesse trabalho para o P no solo. Essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo teor m\u00e9dio encontrado para o PREM (8,5 mg dm-3) antes da instala\u00e7\u00e3o do experimento (Tabela 3) e pelo fato de n\u00e3o ter sido aplicada nenhuma fonte de aduba\u00e7\u00e3o mineral fosfatada nos tratamentos de manejo org\u00e2nico, bem como na testemunha convencional. No entanto, houve diferen\u00e7a estat\u00edstica para a intera\u00e7\u00e3o (AV x PC) (Anexo 2) indicando uma maior disponibilidade de P no solo nos tratamentos 7, 8 e 9 de manejo org\u00e2nico que utilizaram a aduba\u00e7\u00e3o verde em conjunto com a palha de caf\u00e9, apresentando um teor m\u00e9dio de P de 12,24 mg dm-3 (0,38 mg dm-3 de P maior), em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 10, 11, 12 e 16 que utilizaram somente a aduba\u00e7\u00e3o verde e registraram um teor m\u00e9dio de P de 11,86 mg dm-3 (Tabela 05). Possivelmente, a aduba\u00e7\u00e3o verde influenciou a disponibilidade de P por meio do aumento da mineraliza\u00e7\u00e3o do P org\u00e2nico, fato que foi comprovado por Randhawa et al. (2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Ngachie (1996) constatou aumento no teor de f\u00f3sforo em solos \u00e1cidos por meio da adi\u00e7\u00e3o de palha de caf\u00e9. N\u00e3o se descarta tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o da ro\u00e7ada das plantas daninhas nas entrelinhas do cafeeiro nos teores de P em todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha. A libera\u00e7\u00e3o de P, ap\u00f3s a decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos vegetais formados pelo &#8220;mulch&#8221; de gram\u00edneas, foi relatada por Pavan et al. (1986). Theodoro et al. (2003b) observaram altos teores de P em sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico ap\u00f3s cinco anos de manejo, relacionados ao seu suprimento via aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo. Devido \u00e0 baixa mobilidade deste elemento no solo, \u00e0 sua forma de aplica\u00e7\u00e3o localizada nos pontos de amostragem e a exist\u00eancia de reservas no solo provenientes do manejo anterior, a efici\u00eancia dos adubos org\u00e2nicos no fornecimento de P poder\u00e1 ser mais bem avaliada por meio dos resultados das an\u00e1lises foliares.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 5<\/strong> &#8211; Valores de PREM (P remanescente) (mg L-1); K e Mg (cmolc dm3) na camada de 0 a 20 cm, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>* Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os valores encontrados para o K no solo, nos diferentes tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha, encontram-se na Tabela 5. O Anexo 2 indica efeito significativo dos tratamentos sobre o teor de K, em que os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentaram diferen\u00e7as marcantes em rela\u00e7\u00e3o ao adubo utilizado (Tabela 6). Os adubos org\u00e2nicos mais eficientes na disponibiliza\u00e7\u00e3o de K foram a cama de avi\u00e1rio dos tratamentos 2, 5, 8 e 11, apresentando um teor m\u00e9dio de 212,2 mg dm-3 e os tratamentos 1, 4, 7, 10 e 13 com esterco bovino (teor m\u00e9dio de 195,9 mg dm-3), seguidos pelos tratamentos 3, 6, 9, 12 e 14 com farelo de mamona (151,48 mg dm-3) (Figura 2). Os teores de K no solo encontrados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico foram classificados como teores altos (120 a 200 mg dm-3) a muito altos (maior que 200 mg dm-3) e somente o tratamento 6 e a testemunha apresentaram um teor m\u00e9dio (60 a 120 mg dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999). Houve tamb\u00e9m signific\u00e2ncia para a intera\u00e7\u00e3o A x AV, em que o uso do farelo de mamona e da aduba\u00e7\u00e3o verde nos tratamentos 9 e 12 (com um teor m\u00e9dio de 170,2 mg dm-3) concorreu para um incremento na disponibilidade m\u00e9dia de K de 37,28 mg dm-3 em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 3 e 6 (com um teor m\u00e9dio de 132,92 mg dm-3) (Tabela 5). O tratamento 13 foi superior ao tratamento 14, apresentando um teor muito alto de K (230,54 mg dm-3) em rela\u00e7\u00e3o a um teor alto do tratamento 14 (151,16 mg dm-3), devido ao uso do sulfato duplo de K e Mg.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 6<\/strong> &#8211; Valores m\u00e9dios do K, S e B do solo (mg dm-3) na camada de 0 a 20 cm em lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, relativos aos diferentes adubos org\u00e2nicos testados. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>* Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula na linha n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. Farelo de mamona, FM; esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA.<br \/>FIGURA 2 &#8211; Teores de pot\u00e1ssio [K &#8211; mg dm-3] na camada de 0 a 20 cm do solo em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">N\u00e3o foi verificado efeito entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico no teor de Mg do solo (Anexo 2), detectando-se um teor baixo no tratamento 2 e no restante dos tratamentos e na testemunha, teores m\u00e9dios (0,46 a 0,90 cmolc dm-3). Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentaram uma m\u00e9dia geral de 0,63 cmolc dm-3 e foram semelhantes \u00e0 testemunha<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(Tabela 5). No entanto, foi significativa a intera\u00e7\u00e3o A x AV para o uso do esterco bovino, em conjunto com a aduba\u00e7\u00e3o verde nos tratamentos 7 e 10 (com um teor m\u00e9dio de Mg de 0,79 cmolc dm-3), aumentando o teor de Mg no solo em 0,33 cmolc dm-3 em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 1 e 4 com esterco bovino e sem a aduba\u00e7\u00e3o verde (com um teor m\u00e9dio de Mg de 0,46 cmolc dm-3) (Tabela 5). Em rela\u00e7\u00e3o ao teor de C org\u00e2nico do solo (CORG), somente o contraste entre o tratamento 13 x 14 (Anexo 03) indicou superioridade do tratamento 13, apresentando um teor de CORG de 20,6 g kg-1 em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento 14 (16,4 g kg-1). Provavelmente, o efeito diferencial desse tratamento no teor de CORG est\u00e1 na presen\u00e7a de compostos org\u00e2nicos mais facilmente degrad\u00e1veis no esterco curtido e de sua baixa rela\u00e7\u00e3o C\/N, os quais proporcionaram melhores condi\u00e7\u00f5es para a atividade microbiana, acelerando os processos de mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Quando comparam-se os tratamentos de manejo org\u00e2nico com a testemunha na Tabela 7, nota-se que os tratamentos 1, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 15 e 16 s\u00e3o similares a ela. Neste trabalho, n\u00e3o foi detectado o efeito da adi\u00e7\u00e3o da palha de caf\u00e9 em cobertura e da aduba\u00e7\u00e3o verde no incremento do teor de C org\u00e2nico do solo ap\u00f3s o primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, mas a import\u00e2ncia do &#8220;mulch&#8221; de res\u00edduos vegetais no manejo da mat\u00e9ria org\u00e2nica foi relatada por Medcalf (1956); Ayanaba (1982); Pavan et al., (1986); Miyazawa et al. (2000).<br \/>Na camada ar\u00e1vel do solo, de forma similar ao nitrog\u00eanio, mais de 90% do enxofre total est\u00e1 na forma org\u00e2nica, portanto, os resultados significativos obtidos para esse elemento neste trabalho, fortalecem o importante papel da mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica na sua disponibiliza\u00e7\u00e3o. Houve efeito significativo para os adubos org\u00e2nicos utilizados entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 3, Tabela 6). As melhores fontes de S para o cafeeiro foram os tratamentos 1, 4, 7, 10 e 13 com esterco bovino que apresentaram, em m\u00e9dia, um teor de S de 63,0 mg dm-3 e os tratamentos 3, 6, 9, 12 e 14 com farelo de mamona (53,5 mg dm-3), seguidos pelos tratamentos 2, 5, 8 e 11 com cama de<br \/><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 7<\/strong> &#8211; Valores das vari\u00e1veis S, enxofre (mg dm-3); Ca (cmolc dm-3); CORG, C org\u00e2nico (g kg-1) e SB, soma de bases (cmolc dm-3) na camada de 0-20 cm, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>*Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">avi\u00e1rio (51,7 mg dm-3) (Figura 3). A grande maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico testados (1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 15 e 16) foi similar \u00e0 testemunha (Tabela 7), provavelmente, devido a uma boa reserva de S (24,0 mg dm-3) presente no solo antes da instala\u00e7\u00e3o do experimento (Tabela 3). As aduba\u00e7\u00f5es nitrogenadas aplicadas na forma de sulfato de am\u00f4nio, que cont\u00e9m aproximadamente 23,0% de enxofre, contribu\u00edram para o alto teor de S encontrado na testemunha.<br \/>FIGURA 03 &#8211; Teores de enxofre [S &#8211; mg dm-3] na camada de 0 a 20 cm do solo em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A soma de bases n\u00e3o apresentou diferen\u00e7a estat\u00edstica entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 3) e foi observado que todos os tratamentos registraram teores m\u00e9dios (1,81 a 3,6 cmolc dm-3). Somente a testemunha apresentou um teor alto (3,61 a 6,0 cmolc dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999) (Tabela 7). Nota-se, de maneira geral, que as tr\u00eas fontes de adubo org\u00e2nico testadas (FM, EB e CA) foram eficientes no fornecimento de Ca+2, Mg+2 e K+, pois todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico mantiveram um teor m\u00e9dio de SB no solo, de acordo com a an\u00e1lise realizada antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento que detectou um teor alto (3,92 cmolc dm-3). A aduba\u00e7\u00e3o mineral concorreu para a obten\u00e7\u00e3o de um teor alto de SB na testemunha, aliada as<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">reservas de Ca e Mg presentes no agroecossistema. Teores muito altos de soma de bases foram relatados por Theodoro (2001) em sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico ap\u00f3s cinco anos de manejo, relacionados ao aumento do pH e dos teores de Ca+2, Mg+2 e K+, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do Al+3 na camada superficial do solo, gerados, provavelmente, pela aplica\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica na forma de composto, esterco de galinha, h\u00famus e chorume de su\u00edno.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O comportamento dos micronutrientes (B, Zn e Mn) provenientes da grande maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico, apresentou, de maneira geral, semelhan\u00e7as quando comparados com a testemunha (Tabela 8) e poucas diferen\u00e7as foram detectadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s intera\u00e7\u00f5es testadas entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 4).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao Zn no solo, n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa (Anexo 4) entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico. Quando comparados com a testemunha, a grande maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico foi semelhante \u00e0 esta (Tabela 08). No entanto, de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999), foram detectadas nuances entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (3, 9, 11 e 16) que apresentaram teores altos (maiores que 6,0 mg dm-3) e bons (4,1 a 6,0 mg dm-3). O restante dos tratamentos (1, 2, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 13, 14, 15) e a testemunha registraram teores de m\u00e9dios (2,0 a 4,0 mg dm-3) a baixos (menor que 2,0 mg dm-3).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os adubos org\u00e2nicos apresentaram efeitos diferenciados em rela\u00e7\u00e3o ao fornecimento de B para o solo, em que as melhores fontes foram os tratamentos 2, 5, 8 e 11 com cama de avi\u00e1rio (teor m\u00e9dio de B de 0,50 mg dm-3) e os tratamentos 1, 4, 7, 10 e 13 com esterco bovino (0,44 mg dm-3), seguidos pelos tratamentos 3, 6, 9, 12 e 14 com farelo de mamona (0,41 mg dm-3) (Tabela 8, Figura 4). O tratamento 5 de manejo org\u00e2nico registrou um teor alto de B no solo (maior que 0,6 mg dm-3), enquanto que grande parte dos tratamentos<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 8<\/strong> &#8211; Valores das vari\u00e1veis B, Zn, Cu, e Mn (mg dm-3) na camada de 0- 20 cm, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">apresentou teores bons (0,41 a 0,6 mg dm-3) (Guimar\u00e3es et al., 1999) e a testemunha mais os tratamentos 9 e 10 apresentaram um teor m\u00e9dio (0,21 a 0,40 mg dm-3) (Tabela 8). Quando comparados com a testemunha, a grande maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico (1, 2, 3, 4, 6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14) foi similar a esta. Provavelmente, o alto teor de B no solo (Tabela 3) detectado antes da instala\u00e7\u00e3o do experimento, concorreu para a obten\u00e7\u00e3o dos resultados semelhantes entre a testemunha e os tratamentos de manejo org\u00e2nico.<br \/>FIGURA 04 &#8211; Teores de boro [B &#8211; mg dm-3] na camada de 0-20 cm do solo em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os resultados obtidos para o Cu no solo evidenciam que n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 4).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Todos os teores encontrados nos tratamentos e na testemunha foram classificados como altos (maiores que 1,5 mg dm-3). Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico, exceto o tratamento 1 foram estatisticamente iguais a testemunha (Tabela 8). Possivelmente, o teor m\u00e9dio de Zn e o teor alto B no solo (Tabela 3) detectados antes da instala\u00e7\u00e3o do experimento concorreram para a obten\u00e7\u00e3o dos resultados semelhantes entre a testemunha e os tratamentos de manejo org\u00e2nico. Mesmo assim, os resultados encontrados para os micronutrientes neste trabalho confirmam a import\u00e2ncia da aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no incremento de sua disponibilidade e concordam com os resultados obtidos por Theodoro (2001).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Atividade microbiana do solo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Biomassa microbiana<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A vari\u00e1vel biomassa microbiana foi avaliada como um \u00edndice de aferi\u00e7\u00e3o da sustentabilidade dos manejos org\u00e2nico e convencional do cafeeiro. Entretanto, os resultados da tabela do Anexo 5 indicam que n\u00e3o foi detectado efeito significativo para a biomassa microbiana entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico e nem quando estes foram comparados com a testemunha (Tabela 9). O valor m\u00e9dio de amostras coletadas no ver\u00e3o para a biomassa microbiana em todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico foi de 247,0 \uf06dgC g solo-1, tendo Theodoro (2001) registrado para o sistema de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico, o valor de 548,29 \uf06dgC g solo-1, e para o caf\u00e9 convencional 464,84 \uf06dgC g solo-1, no mesmo per\u00edodo. Por\u00e9m, as amostras foram coletadas na profundidade de 0 a 20 cm. Aquino et al. (1998) citados por Theodoro (2001), realizaram estudos preliminares sobre a biomassa microbiana do solo durante o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 sob manejo convencional para org\u00e2nico. A biomassa microbiana a partir de amostras de solo obtidas de 0 a 5 cm de profundidade e coletadas em quatro \u00e9pocas diferentes variou de 38 a 168 ugC g solo-1 no manejo org\u00e2nico e de 51 a 122 ugC g solo-1 no manejo convencional. Por outro lado, Cunha et al. (2005) relataram maiores valores da biomassa e da respira\u00e7\u00e3o basal do solo para sistemas org\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em compara\u00e7\u00e3o com sistemas convencionais. O cultivo de leguminosas de ver\u00e3o (mucuna-an\u00e3 e amendoimcavalo) nas entrelinhas do cafeeiro convencional estimulou a biomassa microbiana (Colozzi Filho et al., 2000).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A grande varia\u00e7\u00e3o de resultados da biomassa microbiana pode ser explicada pelo fato da atividade microbiana depender da disponibilidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica, aera\u00e7\u00e3o, umidade, temperatura, estrutura, textura, nutrientes,<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 9<\/strong> &#8211; Teores de C microbiano (\uf06dgC g solo-1), C org\u00e2nico total (g kg-1) e da rela\u00e7\u00e3o C microbiano\/Corg\u00e2nico (%) em lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta,estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. [Tratamentos]: 16tratamentos de manejo org\u00e2nico. [Testemunha] &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">pH e presen\u00e7a de microrganismos parasitas e antagonistas no solo. No entanto, a biomassa microbiana poder\u00e1 aumentar rapidamente, ainda que os n\u00edveis de C org\u00e2nico permane\u00e7am inalterados, quando da adi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica de boa qualidade (Wardle, 1992). Como a biomassa microbiana \u00e9 influenciada pelo teor de argila do solo, por meio do aumento da adsor\u00e7\u00e3o de compostos org\u00e2nicos e nutrientes (Smith &amp; Paul, 1990), os resultados obtidos neste trabalho podem ter sofrido essa influ\u00eancia, por causa do elevado teor de argila do solo (770 g dm-3), que pode ter induzido uma maior imobiliza\u00e7\u00e3o do C e N pela biomassa microbiana. A porcentagem de Cmicrobiano em rela\u00e7\u00e3o aos valores m\u00e9dios de Corg\u00e2nico variaram de 0,75, no tratamento 2 a at\u00e9 1,61, no tratamento 12, n\u00e3o estando de acordo com a porcentagem proposta por Jenkinson &amp; Ladd (1981), que consideram normal que de 1% a 4% do carbono total do solo corresponda ao componente microbiano. A maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentou uma porcentagem dentro da normalidade, registrando uma m\u00e9dia geral de 1,24;em compara\u00e7\u00e3o com a testemunha com 1,33. Segundo Anderson &amp; Domsch (1989), a rela\u00e7\u00e3o Cmicrobiano\/Corg\u00e2nico pode indicar se um solo est\u00e1 no estado de equil\u00edbrio, perda ou acumula\u00e7\u00e3o de C. Pelos valores obtidos neste estudo, percebe-se que o Latossolo Vermelho distrof\u00e9rrico da lavoura cafeeira experimental n\u00e3o se encontra em equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, devido aos baixos valores encontrados para a biomassa microbiana, C org\u00e2nico total e para a rela\u00e7\u00e3o Cmicrobiano\/Corg\u00e2nico. Possivelmente esse desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico foi gerado por perturba\u00e7\u00f5es sofridas devido ao manejo da lavoura cafeeira anterior \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do experimento, caracterizado por uma baixa entrada de mat\u00e9ria org\u00e2nica no agroecossistema. O per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o de um ano foi insuficiente para detectar diferen\u00e7as significativas entre os manejos org\u00e2nico e convencional do cafeeiro nas vari\u00e1veis estudadas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Fungos micorr\u00edzicos arbusculares (FMA)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em geral, os g\u00eaneros Acaulospora e Glomus apresentaram maior n\u00famero de esp\u00e9cies, 6, seguidos pelos g\u00eaneros Entrophospora, 1, Scutellospora, 1 e Gigaspora, 1 (Tabela 10). As esp\u00e9cies Acaulospora scrobiculata e Entrophospora colombiana representaram 72,5% da abund\u00e2ncia total entre os tratamentos e a testemunha A maioria dos fungos identificados na \u00e1rea experimental n\u00e3o foi de ocorr\u00eancia comum entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha. As esp\u00e9cies diferiram muito quanto \u00e0 porcentagem de ocorr\u00eancia, tendo, em todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico, sido encontradas nove esp\u00e9cies de FMA no cafeeiro e duas esp\u00e9cies na testemunha convencional. As esp\u00e9cies Acaulospora scrobiculata, Entrophospora colombiana, Glomus daiphanum e Gigaspora sp. apresentaram maior predomin\u00e2ncia nos tratamentos de manejo org\u00e2nico e, na testemunha, foi verificada maior predomin\u00e2ncia de E. colombiana, seguida por A. scrobiculata. Portanto, foi encontrada, nos tratamentos org\u00e2nicos, uma maior diversidade biol\u00f3gica das popula\u00e7\u00f5es de FMA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 testemunha. Como a esp\u00e9cie A. scrobiculata apresenta elevada adaptabilidade ao manejo org\u00e2nico do cafeeiro (Theodoro, 2001), ela ocorreu com maior predomin\u00e2ncia nos tratamentos de manejo org\u00e2nico (Tabela 10). Theodoro et al. (2003a) relataram a predomin\u00e2ncia de A. scrobiculata e Glomus occultum em cafezais manejados organicamente, enquanto que, em cafezais convencionais, ocorreram mais Gigaspora sp. e Glomus sp.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As diferen\u00e7as quanto aos tipos de manejo testados podem ser relacionadas com as modifica\u00e7\u00f5es nas caracter\u00edsticas qu\u00edmicas do solo, determinadas pelas aplica\u00e7\u00f5es dos adubos org\u00e2nicos (CA, EB e FM), que influenciaram os valores do pH, C org\u00e2nico, SB, K, S, B, Zn, Cu e Mn. Alguns estudos j\u00e1 v\u00eam detectando a influ\u00eancia das aduba\u00e7\u00f5es com fertilizantes qu\u00edmicos e ou org\u00e2nicos na sele\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies de FMA e sistemas produtivos conduzidos com pr\u00e1ticas conservacionistas, utilizando rota\u00e7\u00e3o de culturas, plantas de cobertura e aduba\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, t\u00eam mostrado maiores \u00edndices de diversidade e riqueza de esp\u00e9cies de FMA (Johnson, 1993; Douds Junior et al., 1993; Rosales &amp; Vald\u00e9z, 1996). Outros resultados evidenciam que sistemas org\u00e2nicos produtivos apresentam maior n\u00famero de esporos, potencial de in\u00f3culo, diversidade de esp\u00e9cies e coloniza\u00e7\u00e3o radicular do que os convencionais (Douds J\u00fanior et al., 1993; Rosales &amp; V\u00e1ldez, 1996; Bettiol et al., 2002). De acordo com Mader et al. (2002), bact\u00e9rias e fungos agem de forma diferente nos cultivos org\u00e2nicos, livres do estresse provocado pelo uso de agrot\u00f3xicos e agroqu\u00edmicos, sendo FMA, em especial, mais eficazes nesses sistemas. Entretanto, sistemas de manejo org\u00e2nico e convencional apresentaram resultados n\u00e3o significativos para a riqueza e composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de FMA na cultura do cafeeiro (Theodoro et al., 2003a) e em citros (Focchi et al., 2004)..<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 10<\/strong>. N\u00famero e \u00edndice m\u00e9dio de ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies de fungos micorr\u00edzicos arbusculares identificadas em todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Onde: T = Testemunha (manejo convencional). [N]-n\u00famero de indiv\u00edduos; [S] n\u00famero de esp\u00e9cies. I.M.O. &#8211; \u00edndice m\u00e9dio de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Teores de nutrientes foliares e produtividade da lavoura cafeeira<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os efeitos do adubo org\u00e2nico (A), da palha de caf\u00e9 (PC) e do adubo verde (AV) e de suas respectivas intera\u00e7\u00f5es (A x AV; A x PC; AV x PC; A x AV x PC) nos teores de nutrientes foliares e na produtividade da lavoura foram apresentados por meio do resumo das an\u00e1lises de vari\u00e2ncia contido nos Anexos 6 a 8. Para proceder \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre os dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico, as m\u00e9dias obtidas dos efeitos dos adubos org\u00e2nicos, quando significativos, foram representadas nas Figuras 5 a 8. Os efeitos significativos da palha de caf\u00e9 e do adubo verde e de suas respectivas intera\u00e7\u00f5es foram apresentados na discuss\u00e3o. Os resultados da compara\u00e7\u00e3o de cada um dos dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico versus a testemunha convencional foram apresentados nas Tabelas 11, 13 e 14. A produtividade da lavoura cafeeira, ap\u00f3s o primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, atingiu valores maiores do que os esperados que eram de 20 a 30 sacas ha-1, calculados de acordo com Guimar\u00e3es et al. (1999) e Furtini Neto et al. (2001), tanto nos tratamentos de manejo org\u00e2nico (exceto no tratamento 4) como na testemunha CV (manejo convencional); o coeficiente de varia\u00e7\u00e3o dos dados foi de 20,7%. Ressalta-se que a caracteriza\u00e7\u00e3o da fertilidade do Latossolo Vermelho distrof\u00e9rrico (Tabela 3) da \u00e1rea experimental indicou que as reservas de macro e micronutrientes do solo, provenientes de seis anos de manejo convencional, contribu\u00edram diretamente para a obten\u00e7\u00e3o dos altos \u00edndices de produtividade relatados nesse trabalho, para os tratamentos de manejo org\u00e2nico e para a testemunha. Os dezesseis tratamentos sob manejo org\u00e2nico apresentaram uma produtividade m\u00e9dia de 37,69 sacas ha-1, n\u00e3o apresentando diferen\u00e7a significativa entre eles (Anexo 6). Entretanto, os tratamentos 3, 6, 9, 12 e 14, que utilizaram como adubo org\u00e2nico o farelo de mamona, registraram efeito significativo entre os adubos org\u00e2nicos testados, atingindo a maior produtividade m\u00e9dia que foi de 47,38 sacas ha-1. Os tratamentos com esterco bovino apresentaram produtividade m\u00e9dia de 35,60 sacas ha-1, enquanto que os tratamentos com cama de avi\u00e1rio registraram 33,99 sacas ha-1 (Figura 05). Os dados da Tabela 11 indicam que n\u00e3o ocorreram diferen\u00e7as significativas da produtividade dos tratamentos de manejo org\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 testemunha.<br \/>FIGURA 05 &#8211; Produtividade da lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Alguns autores relatam efeitos positivos do esterco bovino na produtividade do cafeeiro (Santinato et al., 1984; Viana et al., 1987) e tamb\u00e9m como condicionador de solo (Cervellini &amp; Igue, 1994). Furtini Neto et al. (1995) avaliaram o efeito de diversos adubos org\u00e2nicos sobre as duas primeiras produtividades da lavoura cafeeira. O esterco bovino (8,0 kg planta-1) propiciou uma produtividade m\u00e9dia de 6,3 sacas ha-1 (de 60 kg beneficiadas)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 11<\/strong> &#8211; Valores da produtividade (saca de 60 kg beneficiada) e teores foliares de N, P e K (g kg-1) da lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">torta de mamona (1,0 kg planta-1) de 5,6 sacas ha-1, a palha de caf\u00e9 (8,0 kg planta-1) de 6,0 sacas ha-1 e a aduba\u00e7\u00e3o verde com mucuna-preta (Mucuna aterrima) de 3,2 sacas ha-1. Assis &amp; Romeiro (2004), estudando sistemas de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 org\u00e2nico provenientes de agricultores familiares, com \u00e1rea cultivada de caf\u00e9 entre 1,2 a 3,5 h\u00e1, relataram que a produtividade antes da transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica era de 13 a 28 sacas ha-1, durante o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, foi reduzida para 10 a 18 sacas ha-1 e, ap\u00f3s a transi\u00e7\u00e3o, foi para 27 a 38 sacas ha-1. Um levantamento do estado nutricional e da fertilidade do solo de lavouras cafeeiras org\u00e2nicas do estado de Minas Gerais registrou uma produtividade m\u00e9dia anual de 35 sacas ha-1 em lavouras certificadas e pertencentes \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Cafeicultura Org\u00e2nica do Brasil (ACOB) (Theodoro et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o verde apresentou efeito significativo (Anexo 6) na produtividade de caf\u00e9 somente quando esta foi realizada na aus\u00eancia de palha de caf\u00e9, independentemente do adubo org\u00e2nico utilizado (40,8 sacas ha-1). Os tratamentos que n\u00e3o utilizaram palha de caf\u00e9 e aduba\u00e7\u00e3o verde produziram 33,0 sacas ha-1, enquanto que a produtividade m\u00e9dia dos tratamentos que foram submetidos \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de palha de caf\u00e9 na aus\u00eancia de aduba\u00e7\u00e3o verde foi de 41,5 sacas ha-1.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O efeito conjunto da aduba\u00e7\u00e3o verde e a palha de caf\u00e9 fermentada pode n\u00e3o ter sido detectado no primeiro ano de convers\u00e3o da lavoura, devido \u00e0 rela\u00e7\u00e3o C\/N da palha de caf\u00e9, que \u00e9 de 38\/1 e do guandu, que \u00e9 de 29\/1 (Kiehl, 1985). Materiais org\u00e2nicos com rela\u00e7\u00e3o C\/N superior a 25 apresentam imobiliza\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do N do solo (Guimar\u00e3es et al., 2002), o que afeta a taxa de mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Um fator que pode ter influenciado negativamente o efeito da aduba\u00e7\u00e3o verde na fertilidade do solo e, conseq\u00fcentemente, na produtividade da lavoura, foi o plan5 e seu corte, realizado mecanicamente em abril de 2005. Esse fato pode ter suprimido o potencial de fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, tio do feij\u00e3o-guandu (C. cajan L.) em janeiro de 200bem como seu crescimento para a forma\u00e7\u00e3o de biomassa vegetal, o que concorreu para uma menor ciclagem de nutrientes.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em fun\u00e7\u00e3o da taxa de mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, resultados mais satisfat\u00f3rios na fertilidade do solo com reflexos diretos na produtividade podem ser conseguidos em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da aduba\u00e7\u00e3o verde e da sua intera\u00e7\u00e3o com a aplica\u00e7\u00e3o de palha de caf\u00e9, com a antecipa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca de plantio do adubo verde para o in\u00edcio do per\u00edodo chuvoso na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais e o plantio peri\u00f3dico de esp\u00e9cies com diferentes h\u00e1bitos de crescimento. Chaves (1999) afirmou que o feij\u00e3o-guandu poderia permanecer na \u00e1rea por at\u00e9 dois anos, manejado com a realiza\u00e7\u00e3o de podas, o que permite seu cultivo em ruas alternadas, associado ao plantio de diferentes esp\u00e9cies de crotal\u00e1rias (Crotalaria sp.). Diante dessa afirma\u00e7\u00e3o, evidencia-se a necessidade de estudos sobre fatores como \u00e9poca de plantio, \u00e9poca de corte e formas de manejo entre outros. O uso da aduba\u00e7\u00e3o verde intercalada ao caf\u00e9 (C. arabica L.) em lavouras cafeeiras \u00e9, ainda, uma pr\u00e1tica bastante controvertida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade, necessitando de estudos a campo mais aprofundados e de longo prazo, pois alguns autores advertem que a aduba\u00e7\u00e3o verde pode n\u00e3o beneficiar (Reis &amp; Arruda, 1974) ou ser prejudicial (Melles et al., 1979; Reis &amp; Arruda, 1980, Paulo et al., 2001). Outros resultados demonstram a viabilidade da aduba\u00e7\u00e3o verde com possibilidade de reduzir o uso de N mineral com aumento da produtividade (Chaves, 2000a) e amenizar os processos de lixivia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o N org\u00e2nico fixado pelo adubo verde \u00e9 mineralizado lentamente no solo e o N inorg\u00e2nico do fertilizante \u00e9 completamente sol\u00favel (Guimar\u00e3es et al., 2002).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Segundo pesquisa do Instituto Agron\u00f4mico do Paran\u00e1 (IAPAR) (Chaves, 2000b), a aduba\u00e7\u00e3o verde, combinada com outros adubos org\u00e2nicos, proporciona maior equil\u00edbrio \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o nitrogenada e reduz a incid\u00eancia da doen\u00e7a causada por Cercospora coffeicola e a mortalidade dos ramos produtivos. A fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de N proporcionou, em um estudo com Crotalaria juncea e diferentes cultivares de caf\u00e9, um aporte de N superior a 200 kg ha-1, demonstrando ser a aduba\u00e7\u00e3o verde uma alternativa para o produtor fertilizar os sistemas org\u00e2nicos (Ricci et al., 2005).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os valores encontrados para o N foliar provenientes de amostras coletadas em mar\u00e7o de 2005, nos tratamentos 3, 7, 8, 10, 13 e 15, encontram-se dentro da faixa adequada para o cafeeiro (29,0 a 32,0 g kg-1), tendo o restante<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 12<\/strong> &#8211; Valores m\u00e9dios dos teores foliares de N, P (g kg-1) e Cu (mg kg-1) em lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, relativos aos diferentes adubos org\u00e2nicos testados. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula na linha n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. FM, farelo de mamona; EB, esterco bovino e CA, cama de avi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 06 &#8211; Efeito dos teores de N foliar (g kg-1) na produtividade (saca de 60 kg beneficiada) em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os tratamentos 1, 2, 3, 5, 6, 9, 11, 12, 14 e 16 foram similares \u00e0 testemunha e a m\u00e9dia geral do teor de N dos tratamentos de manejo org\u00e2nico foi de 32,7 g kg-1, em rela\u00e7\u00e3o a um teor de 35,1 g kg-1 da testemunha (Tabela 11).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Esses resultados evidenciam que as fontes utilizadas para aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica (FM, CA e EB), complementadas com a aduba\u00e7\u00e3o foliar com o biofertilizante supermagro a 5%, com e sem aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu (que fixa entre 99 a 148 kg N ha-1 de acordo com Esp\u00edndola et al., 2005), com e sem palha de caf\u00e9 fermentada em cobertura, s\u00e3o altamente eficientes no fornecimento de N ao cafeeiro em produ\u00e7\u00e3o, apresentando aumento significativo do teor de N na parte a\u00e9rea dos cafeeiros. Ricci et al. (2002) obtiveram resultados similares aos citados em sistemas org\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00c9 preciso salientar tamb\u00e9m que a contribui\u00e7\u00e3o da ro\u00e7ada da vegeta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, em todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha, \u00e9 fonte de macro e micronutrientes para a lavoura e, provavelmente, esse tipo de manejo concorreu para incrementar a disponibilidade de nutrientes para a cultura. Alc\u00e2ntara (1997), em experimento de dezoito anos de coleta de dados, observou que o mato sempre ro\u00e7ado nas entrelinhas e carpido nas linhas proporcionou melhorias nas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e qu\u00edmicas do solo. A contribui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria mat\u00e9ria org\u00e2nica produzida pelo cafeeiro (folhas e ramos) tamb\u00e9m representa entrada de nutrientes no agroecossistema (Pavan &amp; Chaves, 1996). Entretanto, os teores altos de N foliar e da produtividade encontrados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico podem estar indicando que os c\u00e1lculos feitos para a aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com farelo de mamona, cama de avi\u00e1rio e esterco bovino, realizados de acordo com o \u00edndice de convers\u00e3o para o N da forma org\u00e2nica para a forma mineral (50%), segundo Furtini Neto et al. (2001) possivelmente superestimaram a quantidade de adubo org\u00e2nico a ser aplicada (kg planta-1). Isso indica a necessidade de estudos sobre as formas de libera\u00e7\u00e3o dos nutrientes atrav\u00e9s da mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. \u00c9 indispens\u00e1vel proceder \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o anual do percentual m\u00e9dio de disponibiliza\u00e7\u00e3o dos nutrientes, principalmente N, P e S da forma org\u00e2nica para a forma mineral, em culturas perenes adubadas com fontes s\u00f3lidas de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os teores de P foliar obtidos dos tratamentos 6, 8, 9 e 12 encontram-se dentro da faixa adequada (1,2 a 1,6 g kg-1) e o restante dos tratamentos de manejo org\u00e2nico (1, 2, 3, 4, 5, 7, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16) mais a testemunha apresentarou teores acima desta faixa (Guimar\u00e3es et al., 1999) (Tabela 11). Os tratamentos de manejo org\u00e2nico se diferenciaram estatisticamente em rela\u00e7\u00e3o aos adubos org\u00e2nicos utilizados (Anexo 6). Os tratamentos com esterco bovino (tratamentos 7, 10, 4) foram superiores em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos com farelo de mamona (6, 9, 12, 14) e com cama de avi\u00e1rio (2, 5, 8, 11) (Tabela 12, Figura 7).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os cafeeiros nos quais foi aplicado o esterco bovino superficialmente receberam maior quantidade de adubo (8,5 kg planta-1) e proporcionalmente maior quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica a ser decomposta. Portanto, ap\u00f3s sofrer o processo de mineraliza\u00e7\u00e3o por meio da atividade da enzima fosfatase, o esterco bovino disponibilizou maior quantidade de f\u00f3sforo, mesmo apresentando o menor teor de elemento (4,91 g kg1) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cama de avi\u00e1rio (16,0 g kg1) e ao farelo de mamona (13,2 g kg1) (Tabela 2). A real contribui\u00e7\u00e3o da fosfatase requer estudos mais aprofundados, pois h\u00e1 ind\u00edcios, neste trabalho, de que sua atividade pode ter sido favorecida quando se utiliza o esterco bovino.<br \/>FIGURA 7 &#8211; Efeito dos teores de P foliar (g kg-1) na produtividade (saca de 60 kg beneficiada) em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os tratamentos de manejo org\u00e2nico 1, 2, 3, 4, 7, 10, 13, 14, 15 e 16, com um teor m\u00e9dio de P de 1,9 g kg-1, foram similares \u00e0 testemunha, que registrou um teor de 2,0 g kg-1 (Tabela 11). Esses resultados est\u00e3o relacionados \u00e0s reservas de P do solo, e s\u00e3o provenientes das aduba\u00e7\u00f5es anteriores recebidas pela lavoura cafeeira desde a sua implanta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o foi testada nenhuma fonte de f\u00f3sforo de origem mineral nos tratamentos avaliados. Apesar desse fato, as fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica se diferenciaram significativamente no fornecimento de P aos cafeeiros, no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao K foliar, os resultados indicam que todos os tratamentos e a testemunha registraram n\u00edveis dentro da faixa adequada (18,0 a 22,0 g kg-1) (Guimar\u00e3es et al., 1999). N\u00e3o foi detectada diferen\u00e7a significativa entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 6), entretanto, quando comparados com a testemunha, os tratamentos 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9, 12, 13, 14 e 15 foram iguais a esta (Tabela 11). Considerando que o solo apresentava um alto teor de K (133,6 mg dm-3) (Tabela 3), antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento, pode-se inferir que os tratamentos com manejo org\u00e2nico foram eficientes e similares no fornecimento desse nutriente ao cafeeiro, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte utilizada nomanejo convencional (cloreto de pot\u00e1ssio). Um estudo realizado por Matiello et al. (2005) indica que o sistema radicular do cafeeiro se mant\u00e9m expressivo at\u00e9 2,0 m de profundidade ao longo do perfil do solo e em condi\u00e7\u00f5es de aproveitar res\u00edduos de nutrientes como o K, devido ao seu ac\u00famulo ap\u00f3s aduba\u00e7\u00f5es sucessivas. Essa evid\u00eancia pode explicar os resultados obtidos para o K foliar tanto para o manejo org\u00e2nico como para o convencional testados neste trabalho.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os resultados do teor de S foliar indicam efeito significativo para o contraste entre o tratamento 13 x 14 (Anexo 7), sendo este superior em 0,13 g kg-1 no fornecimento de S ao cafeeiro em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento 14 (Tabela 13).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O tratamento 13, provavelmente, alcan\u00e7ou esse resultado devido \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do sulfato duplo de K e Mg, que cont\u00e9m 22% S. A faixa adequada para o S foliar vai de 1,4 a 2,2 g kg-1 (Guimar\u00e3es et al., 1999) e todos os tratamentos estudados, bem como a testemunha, apresentaram valores acima dela. Quando comparam-se os tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha nota-se que a maior parte desses tratamentos \u00e9 similar a esta (Tabela 13).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 13<\/strong> &#8211; Valores dos teores foliares de S, Mg e Ca (g kg-1) e Mn (mg kg-1) da lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica em fun\u00e7\u00e3o dacompara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha.<br \/>UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<br \/>Os altos teores encontrados em todos os tratamentos e na testemunha podem ser relacionados \u00e0s aduba\u00e7\u00f5es com fontes minerais (superfosfato simples, sulfato de am\u00f4nio) utilizadas no manejo convencional anterior \u00e0 transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, e ao fornecimento desse elemento via mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo. Entretanto, os teores adequados de S foliar encontrados nos tratamentos com as fontes de aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica utilizadas (FM, EB e CA) + biofertilizante supermagro indicam que essas fontes s\u00e3o eficientes no fornecimento de S para o cafeeiro. Theodoro et al. (2003c), em um levantamento do estado nutricional de lavouras cafeeiras org\u00e2nicas, tamb\u00e9m registraram altos teores de S.<br \/>Os teores encontrados para o Mg foliar nos tratamentos de manejo org\u00e2nico n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7a estat\u00edstica entre si (Anexo 7). Os tratamentos 1, 4, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 15 e 16 encontram-se dentro da faixa adequada para o cafeeiro (3,1 a 4,5 g kg-1) (Guimar\u00e3es et al., 1999), enquanto que os tratamentos 2, 3 e 14 e a testemunha registraram teores abaixo da faixa adequada. Os tratamentos de manejo org\u00e2nico 2, 3, 10 e 14 foram estatisticamente iguais \u00e0 testemunha (Tabela 14). Pode-se observar que os tratamentos de manejo org\u00e2nico menos eficientes no fornecimento de Mg ao cafeeiro foram os que se igualaram \u00e0 testemunha. No entanto, a maioria dos tratamentos de manejo org\u00e2nico disponibilizou Mg ao cafeeiro adequadamente.Os valores registrados para o Ca foliar tamb\u00e9m n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7a estat\u00edstica entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 7) e nem quanto esses foram comparados com a testemunha (Tabela 13). Foram registrados valores dentro da faixa adequada (10,0 a 13,0 g kg-1) (Guimar\u00e3es et al., 1999) para a testemunha e para os tratamentos 2, 3, 4, 7, 9, 10, 13, 14 e 16, e valores acima dessa faixa para os tratamentos 1, 5, 6, 8, 11, 12 e 15. Os resultados referentes aos teores adequados registrados para o Mg e os teores acima da faixa adequada para o Ca podem ser relacionados com o seu fornecimento via calagem realizada na forma\u00e7\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o da lavoura cafeeira, durante os cinco anos de manejo convencional. A an\u00e1lise de solo realizada antes da implanta\u00e7\u00e3o do experimento (Tabela 3) detectou um teor alto para o Ca2+ (2,8 cmolc dm-3) e m\u00e9dio para o Mg2+ (0,78 cmolc dm-3).Em rela\u00e7\u00e3o ao Mn, todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico foram iguais, n\u00e3o apresentando diferen\u00e7a significativa (Anexo 7) e a sua grande maioria registrou teores acima da faixa adequada para o cafeeiro (50,0 a 200,0 mg kg-1) (Guimar\u00e3es et al., 1999) (Tabela 13). Somente a testemunha e os tratamentos 2 e 16 apresentaram teores dentro da faixa adequada e os tratamentos de manejo org\u00e2nico 2, 4, 7, 10, 15 e 16 foram iguais, estatisticamente, \u00e0 testemunha.<br \/>Os resultados do Fe foliar indicam que a testemunha e todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico, exceto o tratamento 10, registraram teores dentro da faixa adequada para o cafeeiro (70,0 a 180,0 mg kg-1) (Tabela 14), entretanto, n\u00e3o foi detectada diferen\u00e7a significativa entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexo 8).<br \/>O fornecimento dos outros micronutrientes (B, Zn e Cu) via manejo org\u00e2nico do solo foi diferenciado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 testemunha. Foi notada, em geral, uma maior efici\u00eancia no fornecimento desses micronutrientes nos tratamentos de manejo org\u00e2nico, devido ao efeito significativo dos adubos org\u00e2nicos utilizados para o Cu e da aduba\u00e7\u00e3o verde para o B (Anexo 8). Para o B foliar, os tratamentos 1, 2, 4 e a testemunha apresentaram teores abaixo da faixa adequada (40,0 a 80,0 mg kg-1) e o restante dos tratamentos se encontra dentro dessa faixa (Guimar\u00e3es et al., 1999). N\u00e3o ocorreu diferen\u00e7a entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico, mas os tratamentos 7, 9, 10, 11 e 12 que utilizaram a aduba\u00e7\u00e3o verde, registraram um maior fornecimento de B por meio de um teor m\u00e9dio desse nutriente de 50,06 mg kg-1, superior em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 1, 2, 3, 4, 5 e 6 sem a aduba\u00e7\u00e3o verde (Tabela 14). O Zn foliar apresentou signific\u00e2ncia para a intera\u00e7\u00e3o entre A x AV (Anexo 8). Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha apresentaram teores de Zn dentro da faixa adequada (10,0 a 20,0 mg kg-1) (Guimar\u00e3es et al., 1999). O melhor adubo org\u00e2nico para o fornecimento de Zn foi a cama de avi\u00e1rio com a utiliza\u00e7\u00e3o de aduba\u00e7\u00e3o verde, representado pelos tratamentos 2, 5, 8 e 11 que apresentaram um teor m\u00e9dio de Zn de 10,52 mg 96 kg-1. J\u00e1 os tratamentos 2 e 5, que utilizaram cama de avi\u00e1rio sem aduba\u00e7\u00e3o verde, apresentaram um teor m\u00e9dio de Zn de 9,72 mg kg-1. Os tratamentos de manejo org\u00e2nico 1, 2, 3, 5, 6, 7, 9, 10, 12, 14 e 16 foram iguais \u00e0 testemunha no fornecimento de Zn ao cafeeiro (Tabela 14).<br \/>TABELA 14 &#8211; Valores dos teores foliares de B, Zn, Cu e Fe (mg.kg-1) da lavoura cafeeira no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Valores seguidos da mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. Tipo do adubo org\u00e2nico, (AO): esterco bovino; EB; cama de avi\u00e1rio, CA; farelo de mamona, FM; palha de caf\u00e9, PC e adubo verde, AV. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<br \/>Neste trabalho, os resultados do Cu foliar apontam que o biofertilizante supermagro e a aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica foram excelentes fontes desse nutriente, pois todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentaram teores acima da faixa adequada (8,0 a 16,0 mg kg-1) e somente os tratamentos 3 e 9 se igualaram \u00e0 testemunha (Tabela 14). Foram detectadas diferen\u00e7as marcantes em rela\u00e7\u00e3o ao adubo org\u00e2nico utilizado (Tabela 12); as melhores fontes de Cu foram os tratamentos 1, 4, 7, 10 e 13 com esterco bovino, apresentando um teor m\u00e9dio de 23,38 mg kg-1, e os tratamentos com cama de avi\u00e1rio 2, 5, 8 e 11, com 21,18 mg kg-1, seguidos pelos tratamentos com farelo de mamona 3, 6, 9, 12 e 14 (18,47 mg kg-1) (Figura 8).<br \/>FIGURA 8 &#8211; Efeito dos teores de Cu foliar (mg kg-1) na produtividade em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados nos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Farelo de mamona, FM; Esterco bovino, EB e cama de avi\u00e1rio, CA. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem, estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CONCLUS\u00d5ES<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo org\u00e2nico mant\u00e9m um suprimento adequado de K no solo, com<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">destaque para a cama de avi\u00e1rio e esterco bovino.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O manejo org\u00e2nico adotado \u00e9 eficiente no fornecimento de N, P, K, S, Ca,<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Mg, Mn, B, Zn, Cu e Fe ao cafeeiro em produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) apresenta<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">incremento nos teores foliares de Zn e B.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As melhores fontes de N para o cafeeiro no primeiro ano de manejo org\u00e2nico<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">s\u00e3o o farelo de mamona e a cama de avi\u00e1rio, enquanto que, o esterco bovino<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">apresenta maior efici\u00eancia no fornecimento de P.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>*<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao S, B, Cu e Fe, tanto o farelo de mamona, o esterco bovino<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">quanto a cama de avi\u00e1rio s\u00e3o eficientes no seu fornecimento.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A melhor fonte de Zn \u00e9 a cama de avi\u00e1rio, juntamente com a pr\u00e1tica da<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">aduba\u00e7\u00e3o verde.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentam maior diversidade biol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">das popula\u00e7\u00f5es de FMA.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ALC\u00c2NTARA, E.N. de. 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Tese (Doutorado em Agronomia\/Fitotecnia)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.5<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O experimento foi instalado em agosto de 2004 em uma lavoura cafeeira (cultivar Catua\u00ed Amarelo, espa\u00e7amento 4,0 x 0,7 m e idade de 6 anos) no primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o para o sistema org\u00e2nico. Empregou-se o delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es em esquema fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos adicionais. Diferentes fontes de aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica como o farelo de mamona, o esterco bovino e a cama de avi\u00e1rio, bem como uma fonte de res\u00edduo vegetal (palha de caf\u00e9) mais a aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.), e pulveriza\u00e7\u00f5es com o biofertilizante supermagro foram a base do manejo org\u00e2nico. O manejo convencional constou da aplica\u00e7\u00e3o de sulfato de am\u00f4nio e o cloreto de pot\u00e1ssio e de aduba\u00e7\u00e3o foliar convencional. Foi avaliada a intera\u00e7\u00e3o entre o comportamento do bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) e o teor de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais e prote\u00edna na folha do cafeeiro. A aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica afeta a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais na folha do cafeeiro. O farelo de mamona promove um menor ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais na folha, o que possivelmente concorre para um aumento da resist\u00eancia da planta ao ataque do bicho-mineiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">__________________________________________________________<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">5 Comit\u00ea Orientador: Dr. Ant\u00f4nio Nazareno Guimar\u00e3es Mendes &#8211; UFLA (Orientador), Dr. Rubens Jos\u00e9 Guimar\u00e3es, Dra. Sttela Dellyzete Veiga Franco da Rosa (Co-orientadores).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Muitas pr\u00e1ticas atualmente utilizadas em cultivos org\u00e2nicos, direcionadas ao controle de pragas, n\u00e3o t\u00eam sua efici\u00eancia comprovada cientificamente, o que tem levado o produtor a agir por tentativa e erro. Um dos desafios da cafeicultura org\u00e2nica \u00e9 manejar adequadamente o surto populacional das pragas que atacam a cultura, principalmente durante a transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, per\u00edodo no qual a lavoura pode apresentar desequil\u00edbrios nutricionais.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Dependendo da severidade do ataque, o cultivo pode ser inviabilizado quando medidas de controle n\u00e3o s\u00e3o empregadas. Ataques do bicho-mineiro-docafeeiro (Leucoptera coffeella), uma das principais pragas da cultura, podem causar preju\u00edzos de at\u00e9 72% na produ\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de plantas tratadas com inseticidas (Reis &amp; Souza, 1996).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A agricultura org\u00e2nica fundamenta-se na teoria da trofobiose, baseada no princ\u00edpio de que os desequil\u00edbrios nutricionais geram doen\u00e7as e pragas e que estas poderiam ser evitadas, eliminando-se as suas causas. O ataque de pragas sugadoras pode ser relacionado aos nutrientes sol\u00faveis em forma de amino\u00e1cidos livres, a\u00e7\u00facares reduzidos e minerais sol\u00faveis, ainda n\u00e3o incorporados em macromol\u00e9culas insol\u00faveis (Chaboussou, 1972).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A alta incid\u00eancia de uma praga em determinada cultura pode estar indicando erros de manejo, como, por exemplo, uso de cultivares inadequadas para a regi\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o de altas doses de agroqu\u00edmicos, uso irracional de insecitidas e muitos outros fatores, especialmente intoxica\u00e7\u00e3o das plantas com agrot\u00f3xicos (Chaboussou, 1987) e o ressurgimento e surto de pragas, apesar de repetidas aplica\u00e7\u00f5es (Guedes, 1999; Fragoso, 2000).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Assim, o presente trabalho, com base na teoria da trofobiose, foi instalado em uma lavoura cafeeira localizada em Lavras, MG, a qual foi submetida ao primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o para o sistema org\u00e2nico. Foi avaliada a intera\u00e7\u00e3o entre o comportamento do bicho-mineiro e o teor de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais e prote\u00edna na folha do cafeeiro, adubado com diferentes fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica e adubos minerais.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A \u00e1rea de estudo, localizada na Fazenda Baunilha, constituiu-se de um talh\u00e3o de caf\u00e9 implantado num Latossolo Vermelho distrof\u00e9rrico, ocupado com cafeeiros com idade de 6 anos, espa\u00e7amento 4,0 x 0,7 m (4.167 plantas ha-1) e cultivar Catua\u00ed Amarelo (IAC H2077-2-5-86) em uma \u00e1rea de 2,02 ha. A \u00e1rea das parcelas org\u00e2nicas foi de 1,61 ha (80 parcelas) e a testemunha (20 parcelas convencionais em uma \u00e1rea de 0,41 ha) estava localizada dentro do mesmo talh\u00e3o, apresentando a mesma cultivar e espa\u00e7amento, isolada por uma barreira vegetal de 20,0 m (constitu\u00edda por 5 linhas de cafeeiros). Cada parcela continha 84 plantas, sendo 16 plantas \u00fateis e 68 plantas de bordadura.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A lavoura convencional recebeu aduba\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas com formulados NPK desde a sua implanta\u00e7\u00e3o, de acordo com an\u00e1lises de solo e foliar, interpretadas segundo Guimar\u00e3es et al. (1999). A palha de caf\u00e9 proveniente da propriedade era aplicada todo ano e o controle de plantas espont\u00e2neas era realizado pelo m\u00e9todo integrado (ro\u00e7ada mec\u00e2nica e aplica\u00e7\u00e3o de herbicida sist\u00eamico). A propriedade apresenta hist\u00f3rico de utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos para o controle de pragas e doen\u00e7as em anos de alta ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o dos tratamentos<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O experimento foi instalado em agosto de 2004 e se encontra no segundo ano agr\u00edcola de condu\u00e7\u00e3o. Neste trabalho foram utilizados os dados do primeiro ano de convers\u00e3o (de agosto de 2004 a dezembro de 2005). O delineamento usado foi o l\u00e1tice balanceado 4&#215;4, com cinco repeti\u00e7\u00f5es. Dos dezesseis tratamentos (Tabela 1), doze caracterizam um fatorial 3x2x2, que corresponde a tr\u00eas fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica (esterco bovino, cama de avi\u00e1rio e farelo de mamona) aplicadas superficialmente na proje\u00e7\u00e3o da copa do cafeeiro, com ou sem compostagem laminar feita com a aplica\u00e7\u00e3o de palha de caf\u00e9 (2,0 L planta-1) sobre as fontes de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e com ou sem adubo verde (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas (Figura 1). Os quatro tratamentos adicionais avaliaram o uso do esterco bovino + moinha de carv\u00e3o + sulfato duplo de pot\u00e1ssio e magn\u00e9sio; a rochagem utilizando a farinha de rocha Itaf\u00e9rtil na dose de 2,08 t ha-1 (500 g planta-1) + farelo de mamona + palha de caf\u00e9; o uso da palha de caf\u00e9 fermentada (20,0 L planta-1) e do adubo verde feij\u00e3o-guandu (Cajanus cajan L.) plantado nas entrelinhas do cafeeiro como \u00fanicas fontes de aduba\u00e7\u00e3o. Todos os tratamentos de manejo org\u00e2nico receberam, como fonte de aduba\u00e7\u00e3o foliar, o biofertilizante supermagro e, nas parcelas convencionais, foi aplicada aduba\u00e7\u00e3o foliar convencional com Niphokam (Quimifol).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Descri\u00e7\u00e3o das amostragens e an\u00e1lises laboratoriais<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Pragas do cafeeiro<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para a avalia\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia do bicho-mineiro, coletaram-se folhas do terceiro ou quarto par de ramos do ter\u00e7o superior e mediano (16 folhas\/parcela, totalizando 80 folhas\/tratamento). As folhas foram distribu\u00eddas em sacos de papel, colocadas em caixa de isopor e levadas ao Laborat\u00f3rio de Manejo Integrado de Pragas do Departamento de Entomologia da UFLA, onde foram analisadas por meio de microsc\u00f3pio estereosc\u00f3pico. Foi avaliada a porcentagem de folhas minadas pelo bicho-mineiro, coletadas mensalmente, durante o ano de 2005, perfazendo um total de cem amostras\/m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">An\u00e1lises clim\u00e1ticas e fisiol\u00f3gicas da planta<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Foram colhidas oito folhas no ter\u00e7o m\u00e9dio da planta\/parcela em tr\u00eas fases fenol\u00f3gicas distintas do cafeeiro: 20\/03\/2005 (grana\u00e7\u00e3o e crescimento dos frutos), 30\/06\/2005 (matura\u00e7\u00e3o e colheita) e 27\/10\/2005 (flora\u00e7\u00e3o). As referidas coletas de folhas foram realizadas no mesmo dia para o bicho-mineiro. Os dados de precipita\u00e7\u00e3o e temperatura, durante todo o ano de 2005 e para os dias de coleta citados, foram obtidos no Departamento de Engenharia da UFLA (Anexo 15). Imediatamente ap\u00f3s a coleta, as folhas foram submetidas \u00e0s an\u00e1lises fisiol\u00f3gicas, sendo envoltas em papel alum\u00ednio e armazenadas em nitrog\u00eanio l\u00edquido. A finalidade desse procedimento era obter uma completa e imediata paralisa\u00e7\u00e3o do metabolismo celular. No laborat\u00f3rio, foram armazenadas em refrigerador comercial.<br \/>Para as an\u00e1lises de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais, primeiramente, obteve-se o extrato, pesando-se 0,5 g da folha do cafeeiro sem a nervura central que, posteriormente, foi colocada em um almofariz com nitrog\u00eanio l\u00edquido e aproximadamente 0,5 ml de solu\u00e7\u00e3o tamp\u00e3o para proceder a macera\u00e7\u00e3o at\u00e9 obter-se uma solu\u00e7\u00e3o homog\u00eania. A solu\u00e7\u00e3o obtida foi colocada em tubos de pl\u00e1stico, sendo estes nivelados com a solu\u00e7\u00e3o tamp\u00e3o. Logo ap\u00f3s, foi feita a centrifuga\u00e7\u00e3o a 6690 G, por doze minutos. Do extrato obtido separou-se o precipitado do sobrenadante (carboidrato). Novamente, nivelaram-se os tubos de ensaio com solu\u00e7\u00e3o tamp\u00e3o para a segunda centrifuga\u00e7\u00e3o, a 6690 G, por doze minutos. O sobrenadante teve seu volume final ajustado para 15 mL e dele foram retiradas al\u00edquotas para a quantifica\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais pelo m\u00e9todo da antrona (Dische, 1962).<br \/>As amostras das folhas do cafeeiro para a realiza\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises de prote\u00edna foram colocadas para secar em estufa de circula\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, \u00e0 temperatura de 70oC, at\u00e9 o peso constante. Posteriormente, as amostras foram trituradas em moinho do tipo Wiley, com peneira de 20 mesh e armazenadas em frascos escuros, para a realiza\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises pelo m\u00e9todo do Kjeldahl (AOAC, 1970).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">An\u00e1lise estat\u00edstica<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para os dados relativos \u00e0s vari\u00e1veis fisiol\u00f3gicas do cafeeiro e para a porcentagem de folhas minadas pelo bicho-mineiro, utilizou-se delineamento l\u00e1tice balanceado 4&#215;4 com cinco repeti\u00e7\u00f5es, em esquema fatorial (3x2x2), totalizando doze tratamentos mais quatro tratamentos adicionais (Tabela 1). Os fatores utilizados foram: 3 tipos de adubos org\u00e2nicos esterco bovino, EB; cama de avi\u00e1rio, CA e farelo de mamona, FM), com e sem palha de caf\u00e9 fermentada em cobertura e com e sem adubo verde (Cajanus cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro. Os quatro tratamentos adicionais foram: o esterco bovino + palha de caf\u00e9 + munha de carv\u00e3o + sulfato de K e Mg; o farelo de mamona + palha de caf\u00e9 + farinha de rocha e a palha de caf\u00e9 fermentada e aduba\u00e7\u00e3o verde (C. cajan L.). Como testemunha foram utilizadas vinte repeti\u00e7\u00f5es n\u00e3o inclu\u00eddas no delineamento experimental, localizadas em \u00e1rea cont\u00edgua \u00e0 \u00e1rea experimental.<br \/>Como forma de isolamento, foram utilizadas quatro linhas de cafeeiros, perfazendo uma dist\u00e2ncia de 20,0 m entre os blocos de tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha, visando evitar qualquer efeito proveniente do manejo convencional como, por exemplo, deriva de agroqu\u00edmicos.<br \/>O plano experimental foi obtido em Cohran &amp; Cox (1957) (Figura 1). Os efeitos do adubo org\u00e2nico, da palha de caf\u00e9 e do adubo verde e suas respectivas intera\u00e7\u00f5es foram estimados e testados utilizando-se os desdobramentos apropriados. As vari\u00e1veis (teores de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais e prote\u00edna total e a porcentagem de folhas minadas) foram submetidas ao teste de Tukey a 5%.<br \/>Os dados foram submetidos \u00e0 an\u00e1lise de vari\u00e2ncia utilizando-se o programa SAS. A testemunha foi comparada com cada um dos dezesseis tratamentos de manejo org\u00e2nico por meio do teste t, com prote\u00e7\u00e3o de bonferroni (Johnson &amp; Wichern, 1998), com a ajuda do programa Sisvar para Windows Vers\u00e3o 4.6 (Ferreira, 2000). Tamb\u00e9m foram realizados contrastes entre os tratamentos adicionais e os tratamentos fatoriais por meio da op\u00e7\u00e3o &#8220;Constrast&#8221; do Proc GLM.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">RESULTADOS E DISCUSS\u00c3O<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Como o comportamento do bicho-mineiro \u00e9 fortemente influenciado pelos fatores clim\u00e1ticos, os dados referentes \u00e0 temperatura e \u00e0 precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dias durante todo o ano de 2005, foram comparados com as m\u00e9dias hist\u00f3ricas para a cidade de Lavras, MG. Os resultados indicaram que ocorreram diferen\u00e7as m\u00ednimas entre eles e precisamente nos dias da coleta de dados (20\/03\/2005, 30\/062005 e 27\/10\/2005), para as amostras das an\u00e1lises fisiol\u00f3gicas nas folhas dos cafeeiros, a temperatura e a precipita\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram at\u00edpicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e9dias hist\u00f3ricas (Anexo 14).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os dados obtidos demonstram que a infesta\u00e7\u00e3o do bicho-mineiro no experimento variou de janeiro a dezembro de 2005, de 0% a 16% (Tabela 15), nos diversos tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha. Os meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro foram os meses de maior precipita\u00e7\u00e3o em Lavras (Figura 9), apesar das altas temperaturas registradas (Figura 10) o que, possivelmente, contribuiu para a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de lagartas do bicho-mineiro, por afogamento no interior da mina (Pereira, 2002) e para a similaridade encontrada para os resultados entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico e a testemunha (Tabela 15). As maiores infesta\u00e7\u00f5es ocorreram de maio a setembro de 2005, caracterizado por ser um per\u00edodo frio e seco no sul de Minas Gerais. A m\u00e9dia geral, no ano de 2005, para infesta\u00e7\u00e3o de bicho-mineiro nos tratamentos de manejo org\u00e2nico, foi de 2,2% e, na testemunha, foi de 0,8%.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Esses resultados est\u00e3o bem abaixo dos encontrados por Ecole (2003) em cafezais org\u00e2nicos e por Reis &amp; Souza, (1998), em cafezais convencionais na regi\u00e3o Sul de Minas Gerais. Como n\u00e3o foi atingido em todos os tratamentos o n\u00edvel de controle de 10% de folhas com minas intactas adotado neste trabalho, durante o ano de 2005, na \u00e1rea experimental, n\u00e3o foi utilizado nenhum tipo de controle<br \/>TABELA 15. M\u00e9dias das folhas minadas por Leucoptera coffeella (%), em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento<br \/>de manejo org\u00e2nico com a testemunha, de janeiro a dezembro de 2005. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>Valores seguidos com a mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. (Trat.) 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. (Test.) Testemunha &#8211; manejo convencional.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 9. Flutua\u00e7\u00e3o populacional do bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) nos tratamentos de manejo org\u00e2nico e na testemunha, em fun\u00e7\u00e3o dos meses do ano de 2005 e precipita\u00e7\u00e3o. UFLA, Lavras, MG, 2006.<br \/>permitido para os tratamentos de manejo org\u00e2nico, bem como controle qu\u00edmico na testemunha. Fornazier et al. (2000), em um estudo conduzido no Esp\u00edrito Santo, registraram que a incid\u00eancia do bicho-mineiro em lavoura de caf\u00e9 em convers\u00e3o no primeiro ano variou de 32,3% a 39,0% sem signific\u00e2ncia para as diferentes dilui\u00e7\u00f5es do biofertilizante supermagro e para as duas doses de composto org\u00e2nico testadas. Os resultados avaliados indicam a ocorr\u00eancia de nuances significativas somente nos meses de mar\u00e7o e outubro de 2005, entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico (Anexos 9, 10 e 11). No m\u00eas de mar\u00e7o de 2005, foi detectada signific\u00e2ncia para os adubos org\u00e2nicos utilizados, coincidindo com o per\u00edodo m\u00ednimo de 3 meses para a mineraliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. A aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica foi realizada em dezembro de 2004 e a \u00faltima aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com sulfato de am\u00f4nio e cloreto de pot\u00e1ssio foi realizada em mar\u00e7o de 2005. Os tratamentos com farelo de mamona (3, 6, 9, 12 e 14) (0,2%) e com cama de avi\u00e1rio (2, 5, 8 e 11) registraram as menores porcentagens m\u00e9dias de folhas minadas (0,6%) em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 1, 4, 7, 10 e 13 com esterco bovino<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">(2,2%) (Figura 11).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 11. Porcentagem de folhas minadas por L. coffeella em mar\u00e7o de 2005 em fun\u00e7\u00e3o dos adubos org\u00e2nicos utilizados (FM, farelo de mamona, CA, cama de avi\u00e1rio e EB, esterco bovino). Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem estatisticamente, entre si, a 5%, pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras,<br \/>MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para a \u00e9poca 03 (outubro\/2005), notou-se que o efeito do adubo verde foi significativo (Anexo 11) para os tratamentos 7, 8, 9, 10, 11 e 12, concorrendo para uma menor incid\u00eancia do bicho-mineiro que, em m\u00e9dia, atingiu o valor de 0,31% em compara\u00e7\u00e3o com os tratamentos que n\u00e3o utilizaram adubo verde (1, 2, 3, 4, 5 e 6), com uma m\u00e9dia de 1,52% (Figura 12). Esse resultado refor\u00e7a os princ\u00edpios da teoria da trofobiose, que ressaltam a import\u00e2ncia da biodiversidade vegetal nas entrelinhas de culturas perenes como o cafeeiro, por meio da realiza\u00e7\u00e3o da aduba\u00e7\u00e3o verde com o feij\u00e3o-guandu, que apresentou efeito positivo na redu\u00e7\u00e3o do ataque do bicho-mineiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 12. Porcentagem de folhas minadas por Leucoptera coffeella no m\u00eas de outubro de 2005, nos tratamentos de manejo org\u00e2nico, em fun\u00e7\u00e3o da aduba\u00e7\u00e3o verde. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem estatisticamente, entre si, a 5%, pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*Os resultados das vari\u00e1veis fisiol\u00f3gicas avaliadas foram apresentados na Tabela 16. Em rela\u00e7\u00e3o aos teores de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais (AST) na folha do cafeeiro, foi detectado o efeito do tipo de adubo org\u00e2nico utilizado (Anexo 13)<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>TABELA 16<\/strong>. M\u00e9dia dos teores de a\u00e7\u00facares totais (g kg-1) e prote\u00edna total (%) na folha do cafeeiro (C arabica L.), em fun\u00e7\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o entre cada tratamento de manejo org\u00e2nico com a testemunha. \u00c9pocas de avalia\u00e7\u00e3o (E1, \u00e9poca 1 &#8211; mar\u00e7o\/05, E2, \u00e9poca 2 -junho\/05 e E3, \u00e9poca 3 &#8211; outubro\/05). UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Valores seguidos com a mesma letra min\u00fascula da testemunha n\u00e3o diferem desta, estatiscamente, a 5%, segundo a prote\u00e7\u00e3o de Bonferroni. [T]: 16 tratamentos de manejo org\u00e2nico. [CV] &#8211; manejo convencional<br \/>para a \u00e9poca 1 (mar\u00e7o de 2005). Os tratamentos (3, 6, 9, 12 e 14) de manejo org\u00e2nico que utilizaram o farelo de mamona e apresentaram 0,2%, em m\u00e9dia, de folhas minadas (Tabela 15, Figura 11) registraram os teores mais baixos de AST, com uma m\u00e9dia de 1,76 g kg-1. O teor m\u00e9dio de AST para tratamentos com esterco bovino foi de 1,92 g kg-1 e com cama de avi\u00e1rio foi de 1,85 g kg-1 (Figura 13). Apesar da baixa incid\u00eancia do bicho-mineiro em todos os tratamentos e na testemunha, quando se relaciona a porcentagem de folhas minadas no m\u00eas de mar\u00e7o de 2005 com o teor de AST na folha do cafeeiro no mesmo m\u00eas, constata-se que foram detectadas diferen\u00e7as significativas nas duas vari\u00e1veis, cuja intera\u00e7\u00e3o, possivelmente, indica a influ\u00eancia da nutri\u00e7\u00e3o do cafeeiro com adubos org\u00e2nicos na ocorr\u00eancia do bicho-mineiro. O metabolismo da planta foi afetado pelos adubos org\u00e2nicos utilizados, pois foi notado que a aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com farelo de mamona promoveu um menor ac\u00famulo de AST na folha, o que pode ter concorrido para um aumento da resist\u00eancia do cafeeiro ao ataque do bicho-mineiro. Caixeta et al. (2004) relataram que aumento nos teores de AST est\u00e1 relacionado com uma maior intensidade do ataque do bicho-mineiro em casa de vegeta\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com esterco bovino que registrou os maiores \u00edndices de folhas minadas (2,2%), apresentou tamb\u00e9m maiores teores de AST em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos com farelo de mamona (Figura 13).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 13. Teor de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais (AST) na folha do cafeeiro (C arabica L.) e % de folhas minadas por L. coffeella no m\u00eas de mar\u00e7o de 2005, em fun\u00e7\u00e3o dos tratamentos de manejo org\u00e2nico. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem estatisticamente, entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Quando comparam-se os tratamentos de manejo org\u00e2nico com a testemunha, constata-se que somente na \u00e9poca 01 (mar\u00e7o de 2005) foram detectadas diferen\u00e7as entre eles (Tabela 15). Os tratamentos 1, 5, 8, 9 e 16 diferiram estatisticamente da testemunha, registrando um teor m\u00e9dio de AST de 2,1 g kg-1, em rela\u00e7\u00e3o a 1,6 g kg-1 da testemunha.<br \/>Os resultados para o teor de prote\u00edna na folha do cafeeiro apresentaram signific\u00e2ncia entre os tratamentos de manejo org\u00e2nico para o contraste tratamentos fatoriais x adicionais na \u00e9poca 01 (mar\u00e7o de 05) (Anexo 12). Em geral, os tratamentos fatoriais apresentaram um teor de prote\u00edna 1,5% superior aos tratamentos adicionais. Segundo a teoria da trofobiose, quanto maior a proteoss\u00edntese, maior a resist\u00eancia da planta \u00e0 incid\u00eancia de pragas. No caso deste trabalho, isso n\u00e3o foi verificado. J\u00e1 quando comparados com a testemunha, os tratamentos de manejo org\u00e2nico n\u00e3o diferiram estatisticamente desta em nenhuma das \u00e9pocas estudadas (Tabela 16). Esse resultado permite inferir que n\u00e3o foi poss\u00edvel detectar altera\u00e7\u00f5es no teor de prote\u00edna total na folha do cafeeiro, provenientes da aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com sulfato de am\u00f4nio e cloreto de pot\u00e1ssio.<br \/>Na \u00e9poca 02 (junho de 2005), o teor de prote\u00edna apresentou signific\u00e2ncia para a intera\u00e7\u00e3o adubos x palha de caf\u00e9 (Anexo 12), em que os tratamentos com farelo de mamona apresentaram os maiores teores m\u00e9dios de prote\u00edna total na folha do cafeeiro, quando se utilizou a palha de caf\u00e9 em compostagem laminar.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O farelo de mamona com palha de caf\u00e9 (tratamentos 3 e 9) apresentou um teor m\u00e9dio de prote\u00edna de 14,6% em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 6 e 12; com farelo de mamona sem palha de caf\u00e9, 13,8%. Os tratamentos com cama de avi\u00e1rio e esterco bovino que utilizaram a palha de caf\u00e9 apresentaram resultados inversos. A cama de avi\u00e1rio na presen\u00e7a de palha de caf\u00e9 (tratamentos 2 e 8) apresentou um teor m\u00e9dio de prote\u00edna de 14,5% em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 5 e 11; sem palha de caf\u00e9, 14,7%. O esterco bovino na presen\u00e7a de palha de caf\u00e9 (tratamentos 1 e 7) apresentou um teor m\u00e9dio de prote\u00edna de 13,9% menor em rela\u00e7\u00e3o aos tratamentos 4 e 10; sem palha de caf\u00e9, 14,8%. A mineraliza\u00e7\u00e3o do farelo de mamona, juntamente com a palha de caf\u00e9 como compostagem laminar em cobertura, possivelmente, favoreceu a forma\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas na folha do cafeeiro. Em contraposi\u00e7\u00e3o, o uso do esterco bovino sem a palha de caf\u00e9 apresentou maior teor m\u00e9dio de prote\u00edna total e a cama de avi\u00e1rio registrou as menores diferen\u00e7as para o uso da palha de caf\u00e9 (Figura 14).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FIGURA 14. Teor de prote\u00edna total na folha do cafeeiro (C arabica L.), em fun\u00e7\u00e3o dos tratamentos de manejo org\u00e2nico com e sem a presen\u00e7a de palha de caf\u00e9. Valores precedidos da mesma letra min\u00fascula n\u00e3o diferem estatisticamente entre si, a 5% pelo teste de Tukey. UFLA, Lavras, MG, 2006.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CONCLUS\u00d5ES<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica afeta a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais na folha do cafeeiro.<br \/>*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O farelo de mamona promove um menor ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais na folha o que, possivelmente, concorre para um aumento da resist\u00eancia da planta ao ataque do bicho-mineiro.<br \/>*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com sulfato de am\u00f4nio e cloreto de pot\u00e1ssio n\u00e3o afeta os teores de a\u00e7\u00facares sol\u00faveis totais e prote\u00edna na folha do cafeeiro.<br \/>*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o-guandu realizada nas entrelinhas do cafeeiro favorece uma menor incid\u00eancia do bicho-mineiro.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A.O.A.C. Association of Official and Agricultural Chemisty. Official methods of analysis. 10th ed. Washington, 1970.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CAIXETA, S. L. et al. Nutri\u00e7\u00e3o e vigor de mudas de cafeeiros e infesta\u00e7\u00e3o por bicho-mineiro. Ci\u00eancia Rural. Santa Maria, v.34, n.5, p.1429-1435, 2004.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. La trophobiose el la protection de la plante. Revue des Question Scientifiques, v.143, n.1, p.27-47, 1972.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CHABOUSSOU, F. Plantas doentes pelo uso de agrot\u00f3xicos: a teoria da trofobiose. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Jos\u00e9 Guazzelli. Porto Alegre: L&amp;PM. 1987.256p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">COHRAN, W.G.; COX, G.M. Experimental designs. 2. ed. New York: Wiley &amp; Sons, 1957. 617p.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">DISCHE, Z. General color reactions. In; WHISTLER, R.L.; WOLFRAM, M.L. ed. Carbohydrate chemistry. New York, Academic Press, 1962. p.477-512.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ECOLE, C.C. Din\u00e2mica populacional de Leucoptera coffeella e de seus inimigos naturais em lavouras adensadas de cafeeiro org\u00e2nico e convencional. 2003. 129p. Tese (Doutorado em Entomologia) &#8211; Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FERREIRA, D.F. An\u00e1lises estat\u00edsticas por meio do Sisvar para Windows vers\u00e3o 4.0. In: 45\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Regi\u00e3o Brasileira da Sociedade Internacional de Biometria. UFSCar, S\u00e3o Carlos, SP, Julho de 2000. p. 255-258. FORNAZIER, M.J.; ARA\u00daJO, J.B.S.; ROCHA, A. C. da. Incid\u00eancia de bichomineiro<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">em lavoura de caf\u00e9 em convers\u00e3o do sistema tradicional para o cultivo org\u00e2nico. In: SIMP\u00d3SIO DE PESQUISA DOS CAF\u00c9S DO BRASIL, 1, 2000, Po\u00e7os de Caldas, Resumos Expandidos&#8230; Po\u00e7os de Caldas: EMBRAPA CAF\u00c9\/Minasplan, 2000. p. 1161-1163.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">FRAGOSO, Resist\u00eancia e sinergismo a inseticidas fosforados em popula\u00e7\u00f5es de Leucoptera coffeella (Gu\u00e8r-M\u00e9nev.) (Lepid\u00f3ptera:Lyonetiidae). 2000.35p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Entomologia) &#8211; Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">GUEDES, R.N.C; FRAGOSO, D.B. Resist\u00eancia de insetos a inseticidas. In:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">ENCONTRO SOBRE MANEJO DE DOEN\u00c7AS E PRAGAS, 1., 1999, Vi\u00e7osa, p. 101-107.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">GUIMAR\u00c3ES, P.T.G. et al. Cafeeiro. In: RIBEIRO, A.C.; GUIMAR\u00c3ES, P.T.G.; ALVAREZ, V.V.H. (Ed.) Recomenda\u00e7\u00f5es para o uso de Corretivos e Fertilizantes em Minas Gerais (5\u00aa aproxima\u00e7\u00e3o). Vi\u00e7osa, MG:CFSEMG\/UFV, 1999. p.289-302.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">JOHNSON, R.A.; WICHERN, D.W. Applied multivariate statistical analysis. 4 ed. New Jersey: Prentice Hall, 1998.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">PEREIRA, E.J.G. Varia\u00e7\u00e3o sazonal dos fatores de mortalidade natural de Leucoptera coffeella em Coffea arabica. 2002. 50p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Entomologia) &#8211; Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa, MG.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">REIS, P.R.; SOUZA, J.C. Manejo integrado do bicho-mineiro Leucoptera coffeella (Gu\u00e9rin-M\u00e8neville) (Leucoptera: Lyonetiidae), e seu reflexo na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Anais da Sociedade Entomol\u00f3gica do Brasil, v.25, p.77- 82, 1996.<br \/>REIS, P.R.; SOUZA, J.C.Manejo integrado das pragas do cafeeiro em Minas Gerais. Informe Agropecu\u00e1rio, Belo Horizonte, v.19, n.193, p.17-25, 1998.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">CONSIDERA\u00c7\u00d5ES GERAIS<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No primeiro ano de transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, os tratamentos de manejo org\u00e2nico apresentaram uma produtividade m\u00e9dia (37,69 sacas ha-1), similar \u00e0 testemunha convencional (35,24 sacas ha-1), devido \u00e0 exist\u00eancia de reservas de nutrientes no solo provenientes do manejo convencional anterior \u00e0 transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica.<br \/>*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A utiliza\u00e7\u00e3o como \u00fanica fonte de aduba\u00e7\u00e3o da palha de caf\u00e9 (20,0 L\/planta) e da aduba\u00e7\u00e3o verde com feij\u00e3o guand\u00fa nas entrelinhas do cafeeiro, conseguiu suprir as necessidades nutricionais do cafeeiro em N, P, K, S, B, Zn e Cu. Ressalva-se que esses resultados est\u00e3o relacionados \u00e0s aduba\u00e7\u00f5es com fontes minerais do manejo convencional anterior \u00e0 transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica.<br \/>*<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Os resultados obtidos nesse trabalho para o fornecimento de macro e micronutrientes via manejo org\u00e2nico do solo, poder\u00e3o ser utilizados no planejamento do programa de aduba\u00e7\u00e3o para lavouras cafeeiras a serem convertidas para o sistema org\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o anos de alta e baixa produ\u00e7\u00e3o, caracter\u00edsticas da lavoura (idade, variedade e aduba\u00e7\u00e3o anterior) e propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas do solo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dr\u00aa. Vanessa Cristina de Almeida TheodoroE-mail: organicoffee@gmail.com RESUMO O contundente processo modernizador da agricultura brasileira gerou impactos ambientais e transforma\u00e7\u00f5es sociais em magnitudes t\u00e3o amplas que, por si s\u00f3, justificam estudos voltados para novas tecnologias emergentes como a agricultura org\u00e2nica. 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