{"id":4588,"date":"2009-11-27T15:11:31","date_gmt":"2009-11-27T18:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=4588"},"modified":"2009-11-27T15:11:31","modified_gmt":"2009-11-27T18:11:31","slug":"custos-de-implementacao-e-de-manutencao-e-receitas-brutas-obtidas-com-o-cultivo-organico-de-cafe-nos-sistemas-a-pleno-sol-e-consorciado-a-banana-e-eritrina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/custos-de-implementacao-e-de-manutencao-e-receitas-brutas-obtidas-com-o-cultivo-organico-de-cafe-nos-sistemas-a-pleno-sol-e-consorciado-a-banana-e-eritrina\/","title":{"rendered":"Custos de implementa\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o e receitas brutas obtidas com o cultivo org\u00e2nico de caf\u00e9 nos sistemas a pleno sol e consorciado \u00e0 banana e eritrina"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"MARGIN: 0cm 0cm 10pt\"><span style=\"LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Verdana','sans-serif'; FONT-SIZE: 9pt\"><em><br \/>\nMarta dos Santos Freire Ricci (1); Nelson Geraldo e Oliveira (2). (1) Pesquisadora da Embrapa Agrobiologia, DS em Fitotecnia, Caixa Postal 74505,CEP 23851-970 Serop\u00e9dica, RJ, email: marta@cnpab.embrapa.br; (2) Licenciado em Ci\u00eancias Agr\u00edcolas, MS em Fitotecnia, bolsista de Apoio T\u00e9cnico da Embrapa Caf\u00e9, email: ngoufrrj@yahoo.com.br<\/em><\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>RESUMO<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O objetivo do trabalho foi avaliar os custos de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o de duas \u00e1reas cultivadas com caf\u00e9 ar\u00e1bica, uma conduzida a pleno sol e outra arborizada com banana (Musa sp. var. Prata Comum) e eritrina (Erythrina verna), bem como avaliar a receita bruta obtida nos dois sistemas de cultivo. Ao todo, nove mil mudas pertencentes a seis cultivares de caf\u00e9 (Coffea arabica L.) foram plantadas nos dois sistemas, totalizando uma \u00e1rea de 1,6ha. As mudas de caf\u00e9 foram plantadas no espa\u00e7amento 2,5 m x 0,7 m, as de banana no espa\u00e7amento 3 m x 5 m, e as de eritrina, no espa\u00e7amento 9 m x 5 m. Todas as despesas com material de consumo e m\u00e3o de obra foram contabilizadas nas fases de implanta\u00e7\u00e3o e durante os tr\u00eas primeiros anos de cultivo. Na implanta\u00e7\u00e3o da lavoura os gastos com o preparo e aquisi\u00e7\u00e3o de mudas de eritrina e de banana e com m\u00e3o-de-obra para o plantio, foram os maiores respons\u00e1veis pelo aumento dos custos do sistema consorciado. Nos anos seguintes, o acr\u00e9scimo no valor total de custeio foi devido principalmente aos gastos com m\u00e3o-de-obra. Embora os custos de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas primeiros anos do cultivo consorciado tenham sido 19% mais elevados que os custos do cultivo a pleno sol, a receita bruta obtida com a comercializa\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 + banana no sistema consorciado, nos dois primeiros anos de colheita, foi 66,6% maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o somente do caf\u00e9, no sistema a pleno sol.<\/p>\n<blockquote><p><strong>ABSTRACT<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">The objective of this work was to evaluate the cost of establishment and maintenance of two areas cultivated with Arabic coffee. One area was cultivated unshaded and the other one was shaded with banana tree (Musa sp. var. Prata Comum) and eritrina tree (Erythrina verna). It was also evaluated the gross income of these two cropping system. Nine thousands seedlings of six cultivars of coffee (Coffea arabica L.) were planted in 1,6 ha area using the spacing of 2,5 m x 0,7 m. The spacing for banana was 3 m x 5 m, and for eritrina, 9 m x 5 m. Full accounting of the expenditure for material and labor was performed at establishment phase and during the three first years of cropping. Preparation and acquisition of eritrina and banana seedlings and labor for planting were the major reason for the expenditure of the intercropping system at establishment phase. At the following years labor was the major increasing on the total expenditure. Although the cost of establishment and maintenance of the three first years of the intercropping system was 19% higher, the gross income of this system was 66,6% higher than the unshaded area in the two first harvesting seasons.\u00a0<\/p>\n<blockquote><p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O caf\u00e9 \u00e9 origin\u00e1rio de florestas caducif\u00f3lias da Eti\u00f3pia, onde as \u00e1rvores dos extratos mais altos perdem as folhas durante os meses de julho a setembro, quando o cafeeiro mais necessita de luz para a flora\u00e7\u00e3o (CEPA, 1971), sendo, portanto, uma esp\u00e9cie adaptada \u00e0 sombra.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Em pa\u00edses produtores de caf\u00e9, tais como a Col\u00f4mbia, Venezuela, Costa Rica, Panam\u00e1 e M\u00e9xico, o cultivo do caf\u00e9 em sistemas agroflorestais (SAFs) tem sido um recurso utilizado para aumentar a diversidade vegetal dos cultivos e a receita do produtor (Beer, 1997; Escalante, 1997).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No Brasil a maioria dos produtores prefere o cultivo a pleno sol alegando, principalmente, que o sombreamento diminui a produtividade, bem como por outras raz\u00f5es, como maior necessidade de m\u00e3o-de-obra, dificuldade na passagem de m\u00e1quinas, entre outras. Estima-se que mais de 90% das lavouras existentes s\u00e3o conduzidas a pleno sol (Ricci et al., 2002). As experi\u00eancias agroflorestais mais conhecidas s\u00e3o as dos Estados do Esp\u00edrito Santo e Rond\u00f4nia, onde predomina o cultivo do caf\u00e9 Conilon em SAFs. Em Rond\u00f4nia, muitos produtores cultivam \u00e1rvores junto ao caf\u00e9, a fim de enriquecer os cafezais e diminuir os custos de produ\u00e7\u00e3o (Rodrigues et al., 2003).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Outra experi\u00eancia bem sucedida no Brasil \u00e9 a da Serra do Baturit\u00e9, no Cear\u00e1, onde o caf\u00e9 ar\u00e1bica \u00e9 cultivado com ing\u00e1 (Inga ingoides) e banana (Musa sp.) desde o s\u00e9culo passado, como uma op\u00e7\u00e3o para aumentar o rendimento econ\u00f4mico (Severivo &amp; Oliveira, 2000).\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Segundo Dubois (2004) os cons\u00f3rcios agroflorestais possibilitam aos produtores maior retorno econ\u00f4mico (mel, sementes, frutas, produtos fito-farmac\u00eauticos, etc), fator importante em pequenas propriedades. Na Am\u00e9rica Central, a banana \u00e9 utilizada com esp\u00e9cie sombreadora do caf\u00e9, representando uma importante fonte de renda para as fam\u00edlias. Na Nicar\u00e1gua, por exemplo, Schibli (2001) cita que os produtores consomem 89% das bananas produzidas, e que a receita obtida com a produ\u00e7\u00e3o excedente representa at\u00e9 15% da renda familiar.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Al\u00e9m dos benef\u00edcios econ\u00f4micos, a exist\u00eancia de uma maior biodiversidade possibilita a auto-regula\u00e7\u00e3o dos sistemas (Dubois, 2004), ajudando a manter pragas e doen\u00e7as em n\u00edveis baixos. O objetivo do trabalho foi avaliar os custos de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o de duas \u00e1reas cultivadas com caf\u00e9 ar\u00e1bica, uma conduzida a pleno sol e outra arborizada, bem como avaliar a receita bruta obtida nos dois sistemas de cultivo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>MATERIAL E M\u00c9TODOS<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O trabalho foi realizado na Fazenda Santa M\u00f4nica, pertencente \u00e0 Embrapa Gado de Leite, situada no distrito de Juparan\u00e3, munic\u00edpio de Valen\u00e7a, RJ, a 22o20&#8217;34,5&#8243; de latitude Sul e 43o43&#8217;14,8&#8243; de longitude Oeste.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A \u00e1rea apresenta topografia plana e altitude de 608 m. A precipita\u00e7\u00e3o e a temperatura m\u00e9dia anual dos \u00faltimos 10 anos foram respectivamente, 1.280mm e 25,5oC. O solo foi analisado seguindo a metodologia adotada pela EMBRAPA (1997) e apresentou as seguintes caracter\u00edsticas qu\u00edmicas: pH = 5,3 (em \u00e1gua); Al = 0,1 cmolc dm-3; Ca = 1,8 cmolc dm-3; Mg = 0,7 cmolc dm-3; P = 2,0 mg dm-3; K = 128 mg dm-3; C.O. = 1,35%; satura\u00e7\u00e3o de bases (V%) = 56,5%.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A \u00e1rea foi arada, gradeada e o pH foi corrigido com 500 kg ha-1 de calc\u00e1rio dolom\u00edtico. As covas de plantio foram adubadas com 2,5 kg de esterco de gado (1,67% de N) e 300 g da mistura de termofosfato magnesiano (18% de P2O5; 20% de Ca; 7,0% de Mg) e cinza de madeira (1:1). Ap\u00f3s 40 dias, foi feita uma aduba\u00e7\u00e3o de cobertura com 250 g de esterco de cama de avi\u00e1rio por planta (2,72% de N).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Seis cultivares de caf\u00e9 (Coffea arabica L.) foram plantadas em uma \u00e1rea de 1,6 ha, totalizando 9000 cafeeiros, sendo 1500 mudas de cada uma das seguintes cultivares: Tupi IAC 1669-33; Oeiras MG 6851; Icatu amarelo IAC 3282; Catuca\u00ed amarelo; Obat\u00e3 IAC 1669-20 e Catua\u00ed vermelho IAC 144. Metade dos cafeeiros foram cultivados a pleno sol (monocultivo), e a outra metade foi consorciada com banana (Musa sp. var. Prata Comum) e eritrina (Erythrina verna) (sistema arborizado) (Figura 1).<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As mudas de caf\u00e9 foram plantadas em fevereiro de 2001, no espa\u00e7amento 2,5 m x 0,7 m, sendo que a cada quatro linhas de caf\u00e9 foi deixado uma rua ou carreador de 4 m de largura, para possibilitar a passagem de m\u00e1quinas e tratores. Em janeiro de 2002, na outra metade da \u00e1rea, destinada ao cultivo consorciado, foram plantadas as mudas de banana no espa\u00e7amento 3 m x 5 m, e as de eritrina, no espa\u00e7amento 9 m x 5 m (Figuras 1 e 2).\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A primeira aduba\u00e7\u00e3o de cobertura dos cafeeiros foi constitu\u00edda por duas aplica\u00e7\u00f5es de 250 g de esterco de cama de avi\u00e1rio e 100 g de termofosfato magnesiano (17% P2O5 sol\u00favel em \u00e1cido c\u00edtrico; 15% de Ca; 2% de Mg) por planta, realizadas nos meses de outubro de 2001 e mar\u00e7o de 2002. Em 2002\/2003, a aduba\u00e7\u00e3o de cobertura constituiu-se de uma \u00fanica aplica\u00e7\u00e3o de 1,0 kg de esterco de cama de avi\u00e1rio e de 300 g de farinha de ossos (20% P2O5 sol\u00favel em \u00e1cido c\u00edtrico; 1,5% N; 22% de Ca) por planta, realizada em fevereiro de 2003. Em 2003\/2004, a aduba\u00e7\u00e3o foi constitu\u00edda por duas aplica\u00e7\u00f5es de 3 kg de composto org\u00e2nico (1,37% de N), realizadas em outubro de 2003 e mar\u00e7o de 2004.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O controle das ervas invasoras foi feito ro\u00e7ando-se as entrelinhas com ro\u00e7adeira costal e capinando-se as linhas de plantio com enxada.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Todas as despesas com material de consumo e m\u00e3o de obra foram contabilizadas nas fases de implanta\u00e7\u00e3o e durante os tr\u00eas primeiros anos de cultivo. As despesas com material de consumo foram divididas em custos com aquisi\u00e7\u00e3o de mudas (caf\u00e9 e outras), adubos e corretivos, combust\u00edvel (gasolina e \u00f3leo diesel) e outras.\u00a0 Foram consideradas como despesas com m\u00e3o de obra os servi\u00e7os de plantio e replantio de mudas, capina e ro\u00e7ada, aplica\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio, aduba\u00e7\u00f5es de plantio e de cobertura (cafeeiros e bananeiras), desbrota das bananeiras (deixando-se tr\u00eas pseudocaules por moita, isto \u00e9, av\u00f3, m\u00e3e e filha), colheita do caf\u00e9 e de banana, entre outras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3787\" title=\"des_lavoura\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/des_lavoura.gif\" alt=\"des_lavoura\" width=\"690\" height=\"432\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/des_lavoura.gif 690w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/des_lavoura-300x187.gif 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_3789\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3789\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3789 \" title=\"plantacao_a\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao_a.gif\" alt=\"plantacao_a\" width=\"380\" height=\"303\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao_a.gif 380w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao_a-300x239.gif 300w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-3789\" class=\"wp-caption-text\">Desenho das lavouras de caf\u00e9 a pleno sol e consorciada \u00e0 banana e \u00e0 eritrina.<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_3790\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3790\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3790 \" title=\"plantacao-b\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-b.gif\" alt=\"Aspecto do caf\u00e9 consorciado \u00e0 banana (A) e \u00e0 Erythrina verna (B). Valen\u00e7a, RJ, julho de 2003\" width=\"380\" height=\"275\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-b.gif 380w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-b-300x217.gif 300w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-3790\" class=\"wp-caption-text\">Aspecto do caf\u00e9 consorciado \u00e0 banana (A) e \u00e0 Erythrina verna (B). Valen\u00e7a, RJ, julho de 2003<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_3791\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3791\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3791  \" title=\"plantacao-c\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-c.gif\" alt=\"Aspecto do cafezal cultivado a pleno sol. Valen\u00e7a, RJ, abril de 2004.\" width=\"380\" height=\"271\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-c.gif 380w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/plantacao-c-300x213.gif 300w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-3791\" class=\"wp-caption-text\">Aspecto do cafezal cultivado a pleno sol. Valen\u00e7a, RJ, abril de 2004.<\/p><\/div>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">As produtividades obtidas no primeiro e segundo ano de produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 (anos 2003 e 2004) foram estimadas com base em 10 plantas \u00fateis selecionadas ao acaso em cada parcela e expressa em sacas beneficiadas por hectare.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A banana come\u00e7ou a ser colhida a partir de agosto de 2003, tendo sido contabilizada, em peso (kg ha-1), toda a produ\u00e7\u00e3o obtida nos per\u00edodos de agosto de 2003 a julho de 2004 e de agosto de 2004 a julho de 2005, efetuando-se colheitas em intervalos que variaram de 10 a 20 dias, dependendo da \u00e9poca do ano.<\/p>\n<blockquote><p><strong>RESULTADOS E DISCUSS\u00c3O<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">O custo do cultivo consorciado do caf\u00e9 foi maior 39,1%, 5,0% 9,5% e 17,7% (Tabela 1), respectivamente na implanta\u00e7\u00e3o e nos tr\u00eas primeiros anos de cultivo, quando comparado ao cultivo a pleno sol. Na fase de implanta\u00e7\u00e3o da lavoura os gastos com o preparo de \u00e1rea e aquisi\u00e7\u00e3o de mudas de eritrina e de banana e com m\u00e3o-de-obra para o plantio, foram os maiores respons\u00e1veis pelo aumento dos custos do sistema consorciado, os quais foram superiores 18,9 % e 9,5%, respectivamente, em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos itens no sistema a pleno sol (Tabela 2). Nos anos seguintes, o acr\u00e9scimo no valor total de custeio foi devido principalmente aos gastos com m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">No terceiro ano de cultivo, observou-se que as despesas com capinas e ro\u00e7adas no sistema consorciado foram 13,4% inferiores quando comparadas ao cultivo a pleno sol. Por outro lado, as despesas com m\u00e3o-de-obra para o manejo das bananeiras (desbrota, capina, aduba\u00e7\u00e3o e colheita), foram respons\u00e1veis por 20,6% do custo total de custeio.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Tabela 1. Custos em reais (R$) para aquisi\u00e7\u00e3o de materiais de consumo e pagamento de m\u00e3o-de-obra durante as fases de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o das lavouras nos tr\u00eas primeiros anos, referentes a um hectare de caf\u00e9 cultivado nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nico a pleno sol e consorciado. Valen\u00e7a, RJ.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4645\" title=\"tabela-14\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/tabela-14.jpg\" alt=\"tabela-14\" width=\"670\" height=\"135\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Inclu\u00eddos o pagamento de 20% de INSS recolhidos sobre o valor da m\u00e3o-de-obra. O valor do US$ em julho de 2001, 2002, 2003 e 2004, foi respectivamente R$ 2,70; R$ 2,72; R$ 2,96 e R$ 3,03.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt;\">As despesas de custeio (materiais de consumo e pagamento de m\u00e3o de obra) acumuladas desde a fase de implanta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o terceiro ano de cultivo foram respectivamente, R$ 12.272,00 e R$ 14.604,00, nos sistemas a pleno sol e consorciado, o que significa que o cultivo do caf\u00e9 consorciado foi 19% mais caro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 2. Percentuais referentes aos custos de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas primeiros anos, de um hectare de caf\u00e9 cultivado nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nico a pleno sol e sombreado. Valen\u00e7a, RJ.<\/p>\n<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4641\" title=\"tabela-2\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/tabela-2.jpg\" alt=\"tabela-2\" width=\"682\" height=\"274\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Inclu\u00eddos o pagamento de 20% de INSS recolhidos sobre o valor da m\u00e3o-de-obra.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tabela 3 mostra as produ\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e de banana obtidas nos dois primeiros anos de produ\u00e7\u00e3o das culturas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(2004 e 2005), nos diferentes sistemas de cultivo. Em 2006, o valor da saca de 60 kg de caf\u00e9 org\u00e2nico foi comercializada pelo pre\u00e7o m\u00ednimo de R$ 410,00 (ou US$ 180, sendo 1US$ = R$ 2,28, cota\u00e7\u00e3o de novembro de 2006), e a caixa de 20kg de banana org\u00e2nica por R$ 28,00 (US$ 12,28). Com base nesses valores, conclui-se que foi poss\u00edvel obter uma receita bruta com o cultivo do caf\u00e9 consorciado de R$ 30.538,00, contra R$ 18.327,00, obtida no sistema a pleno sol (valores de 2006), o que significa uma receita 66,6% maior. Portanto, baseado nos dados obtidos, percebe-se que o cultivo do caf\u00e9 consorciado \u00e0 banana \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o altamente lucrativa para o produtor, constituindo uma excelente alternativa de sombreamento de cafezais, especialmente nos primeiros anos da lavoura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 3. Produ\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e banana e receitas brutas obtidas (R$) em dois anos agr\u00edcolas consecutivos nos sistemas de cultivo a pleno sol e consorciado. Valen\u00e7a, RJ. 1<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4643\" title=\"tabela-3\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/tabela-3.jpg\" alt=\"tabela-3\" width=\"682\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt;\">Considerando o pre\u00e7o de R$ 410,00 e de R$ 28,00 como os valores da saca de 60 kg de caf\u00e9 org\u00e2nico e da caixa de 20 kg de banana org\u00e2nica, respectivamente (valores de 2006).<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt;\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt;\"><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong> <\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt;\">Embora os custos de implanta\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas primeiros anos da lavoura consorciada com banana e eritrina tenham sido 19% mais elevados que os custos da lavoura a pleno sol, a receita bruta obtida com a consorcia\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 com a banana, nos dois primeiros anos de produ\u00e7\u00e3o, foi 66,6% maior.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>BEER, J. Caf\u00e9 bajo sombra en Am\u00e9rica Central: hace falta m\u00e1s investigaci\u00f3n sobre este sistema falta m\u00e1s investigaci\u00f3n sobre este sistema agroflorestal exitoso? Agroforester\u00eda en las Am\u00e9ricas, v. 4, p.4-5, 1997.<\/p>\n<p>CEPA. Caf\u00e9: an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o e consumo: subs\u00eddios \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de um programa de incentivo \u00e0 cafeicultura no Estado do Cear\u00e1.\u00a0 Fortaleza: CEPA, 1971. 112p.<\/p>\n<p>DUBOIS, J. C. L. Biodiversidade de SAFs. Dispon\u00edvel em: www.rebraf.org.br Acesso em: 24 ago. 2004<\/p>\n<p>EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Manual de m\u00e9todos de analise de solo. 2.ed. rev. atual. Rio de Janeiro, 1997. 212p. (EMBRAPA-CNPS. Documentos, 1).<\/p>\n<p>ESCALANTE, E. Caf\u00e9 y agroforester\u00eda en Venezuela. Agroforester\u00eda en las Am\u00e9ricas, v.4, n.13, p.21-24, 1997.<\/p>\n<p>RICCI, M. S. F.; ARA\u00daJO, M. C. F.; FRANCH, C. M. C. Cultivo org\u00e2nico do caf\u00e9: recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia: Embrapa Informa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica, 2002. 101 p.<\/p>\n<p>RODRIGUES, V. G. S.; COSTA, R. S. C. da; LE\u00d4NIDAS, F. das C. Experi\u00eancia de agricultores em Rond\u00f4nia com arboriza\u00e7\u00e3o de lavouras de caf\u00e9 Conilon. In: SIMP\u00d3SIO DE PESQUISA DOS CAF\u00c9S DO BRASIL, 3., 2003, Porto Seguro, BA. Anais&#8230; Bras\u00edlia: Embrapa Caf\u00e9, 2003. p.297.<\/p>\n<p>SCHIBLI, C. Percepciones de familias productoras sobre el uso y manejo de sistemas agroforestales con caf\u00e9, en el norte de Nicaragua. Agroforester\u00eda en las Am\u00e9ricas, v.8, n.29, p.08-12, 2001.<\/p>\n<p>SEVERINO, L. S.; OLIVEIRA, T. S. de. Caf\u00e9 sombreado no Maci\u00e7o de Baturit\u00e9. Fortaleza, 2000. 57 p.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marta dos Santos Freire Ricci &#8211; Pesquisadora da Embrapa Agrobiologia, DS em Fitotecnia<br \/>\nNelson Geraldo e Oliveira &#8211; Licenciado em Ci\u00eancias Agr\u00edcolas, MS em Fitotecnia, bolsista de Apoio T\u00e9cnico da Embrapa Caf\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4588"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4588\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}