{"id":5485,"date":"2009-11-27T15:27:09","date_gmt":"2009-11-27T18:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=5485"},"modified":"2010-04-30T12:39:03","modified_gmt":"2010-04-30T15:39:03","slug":"creditos-de-carbono-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/creditos-de-carbono-no-brasil-2\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9ditos de carbono no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>Luiz Aroeira<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente levou os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas a assinarem um acordo que estipulasse algum tipo de controle sobre as interven\u00e7\u00f5es humanas no clima. Este acordo foi ratificado por 141 pa\u00edses respons\u00e1veis por 55% das emiss\u00f5es globais e entrou em vigor em 16 de janeiro de 2005. Foi denominado Protocolo de Kyoto, devido ao fato de ter sido assinado na cidade de Kyoto, Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O protocolo estabelece metas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nos pa\u00edses industrializados e um modelo de desenvolvimento limpo para as na\u00e7\u00f5es emergentes. Determina que entre 2008 e 2012 os 30 pa\u00edses mais desenvolvidos diminuam em 5% as emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao total registrado em 1990. Para os pa\u00edses em desenvolvimento, como o Brasil, o protocolo n\u00e3o prev\u00ea compromissos de redu\u00e7\u00f5es na emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE). O principal papel dos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 o de diminuir as emiss\u00f5es a partir de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) e o papel de sumidouro de di\u00f3xido de carbono atrav\u00e9s das suas florestas.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Cr\u00e9dito de Carbono<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9\u00a0o mecanismo que permite aos pa\u00edses em desenvolvimento, vender &#8220;cr\u00e9ditos de carbono&#8221; a um pa\u00eds desenvolvido para que este possa atender parte da redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa exigida pelo protocolo de Kyoto. Portanto, os pa\u00edses que n\u00e3o conseguirem atingir suas metas ter\u00e3o liberdade para investir em projetos MDL de pa\u00edses em\u00a0 desenvolvimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e9-requisitos do MDL<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a <a href=\"http:\/\/www.biodiselbr.com\">www.biodiselbr.com<\/a> (2007) h\u00e1 uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios para reconhecimento desses projetos, denominados MDL. Devem estar alinhados \u00e0s premissas de desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds hospedeiro e definidos por uma Autoridade Nacional Designada. No caso do Brasil, tal autoridade \u00e9 a Comiss\u00e3o Interministerial de Mudan\u00e7a do Clima. Somente ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o pela Comiss\u00e3o, \u00e9 que o projeto pode ser submetido \u00e0 ONU para avalia\u00e7\u00e3o e registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os projetos, para serem aprovados, pela ONU, devem atender ao pr\u00e9-requisito da adicionalidade. Assim, al\u00e9m de uma redu\u00e7\u00e3o l\u00edquida de emiss\u00f5es significativa, existem outras exig\u00eancias para que o projeto seja considerado adicional, como uma classifica\u00e7\u00e3o preliminar referente \u00e0 data do in\u00edcio de suas atividades, identifica\u00e7\u00e3o de alternativas consistentes com a legisla\u00e7\u00e3o corrente e regulamenta\u00e7\u00e3o local, an\u00e1lise de investimento, an\u00e1lise de barreiras, e impactos do registro como MDL. Muitas vezes, os projetos que apresentam argumentos que demonstram que estes s\u00f3 se viabilizam caso recebam o aporte de recursos do MDL, t\u00eam sido preferidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a \u00f3tica do desenvolvimento sustent\u00e1vel, no caso do Brasil, a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 1 da Comiss\u00e3o Interministerial de Mudan\u00e7a do Clima determina que os projetos a ela submetidos, aportem substanciais benef\u00edcios ambientais e sociais, garantindo a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A metodologia a ser utilizada para desenvolvimento, monitoramento e verifica\u00e7\u00e3o precisam estar previamente avaliados, aprovada e registrada pelo Comit\u00ea Executivo do MDL. Isto visa garantir que os projetos sejam desenvolvidos obedecendo tal metodologia, reconhecida previamente pelo Painel Metodol\u00f3gico da ONU.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tanto, o projeto deve mostrar que muda toda uma realidade, baseado em cen\u00e1rios de tend\u00eancias caso este n\u00e3o se implante, o que tamb\u00e9m \u00e9 chamado de &#8220;linha de base&#8221;. Uma das principais dificuldades existentes \u00e9 a falta de pesquisas que subsidiem, tecnicamente, tais linhas de base, e que possibilitem a aprova\u00e7\u00e3o de metodologias, necess\u00e1rias ao desenvolvimento dos projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra grande limita\u00e7\u00e3o \u00e9 o custo de transa\u00e7\u00e3o dos projetos, cujo valor m\u00ednimo gira em torno de US$ 150 mil. Na tentativa de viabilizar o acesso a proponentes de baixa renda, ou mesmo fomentar projetos de menor volume de RCE (Redu\u00e7\u00e3o Certificada de Emiss\u00f5es), foi aprovada, no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o, uma modalidade diferenciada para contemplar projetos de pequena escala, com exig\u00eancias e metodologias simplificadas, no intuito de reduzir os custos de transa\u00e7\u00e3o, de forma a incentivar o envolvimento de pequenos empres\u00e1rios, atrav\u00e9s de arranjos associativistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, foi criado o Mercado Brasileiro de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es. A id\u00e9ia b\u00e1sica \u00e9 a de organizar o mercado prim\u00e1rio, por meio de um banco de projetos, com sistema de registro, armazenamento e classifica\u00e7\u00e3o dos mesmos. Isto ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es interessantes, como a redu\u00e7\u00e3o dos custos de transa\u00e7\u00e3o, conferindo maior visibilidade para os investidores, auxiliando inclusive na identifica\u00e7\u00e3o destes no mercado por parte dos proponentes.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o do Brasil nas atividades de MDL<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados em termos de prepara\u00e7\u00e3o para o Protocolo de Kyoto e para o MDL. Como j\u00e1 mencionado anteriormente, existe uma Autoridade Nacional Designada (AND) constitu\u00edda por onze Minist\u00e9rios coordenados pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia. Somente ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o pela Comiss\u00e3o, \u00e9 que o projeto pode ser submetido \u00e0 ONU para avalia\u00e7\u00e3o e registro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil deve se beneficiar deste cen\u00e1rio como vendedor de cr\u00e9ditos de carbono, e tamb\u00e9m como alvo de investimentos em projetos engajados com a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases poluentes, como \u00e9 o caso do biodiesel. O pa\u00eds possui 231 projetos de MDL que representam a n\u00e3o emiss\u00e3o de 204.314.584 toneladas de CO2 ou seu equivalente em outros gases. De acordo a estimativas do Banco Mundial, o Brasil apresenta uma participa\u00e7\u00e3o de 10% do mercado de MDL, em 2007.<\/p>\n<p>Os projetos de MDL referem-se principalmente:<br \/><strong>a)<\/strong> aterros sanit\u00e1rios, que impede o metano de ir para a atmosfera;<br \/><strong>b)<\/strong> uso de biomassa para produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool. A queima de \u00e1lcool libera tanto CO2 quanto \u00e0 queima de gasolina. S\u00f3 que na produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, h\u00e1 um seq\u00fcestro de carbono bem maior que na queima no motor.<br \/><strong>c)<\/strong> energia e\u00f3lica;<br \/><strong>d)<\/strong> hidrel\u00e9tricas;<br \/><strong>e)<\/strong> troca de combust\u00edvel f\u00f3ssil por energia renov\u00e1vel;<br \/><strong>f)<\/strong> suinocultura.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Florestamento e Reflorestamento<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente existe um pequeno numero de projetos, de florestamento e reflorestamento autorizado pela ONU a comercializar cr\u00e9ditos de carbono no Brasil. Dentre esses destaca o Projeto Plantar, localizado, em Minas Gerais e tem como objetivo a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa por meio do estabelecimento de plantios sustent\u00e1veis de florestas de eucalipto para suprir o uso de carv\u00e3o vegetal na produ\u00e7\u00e3o de ferro prim\u00e1rio, ao inv\u00e9s de coque de carv\u00e3o mineral ou biomassa n\u00e3o-renov\u00e1vel. Outra iniciativa no que concerne a reflorestamento refere-se ao plantio de Ac\u00e1cias (Acacia mangium), no lavrado de Roraima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, iniciativas de reflorestamento tamb\u00e9m pleiteiam cr\u00e9ditos-carbono nos mercados paralelos, pois, apesar de previstas no MDL, apresentam complica\u00e7\u00f5es. Sua metodologia ainda est\u00e1 sendo discutida, devido \u00e0 dificuldade de medir o carbono absorvido pelas \u00e1rvores em crescimento, particularmente se forem de esp\u00e9cies diferentes, como ocorre em uma floresta nativa. Al\u00e9m disso, nem todos preenchem o crit\u00e9rio da adicionalidade previsto pelo MDL, j\u00e1 que o reflorestamento \u00e9 uma atividade praticada h\u00e1 muito tempo, com objetivos comerciais. Tamb\u00e9m se coloca a quest\u00e3o do controle dessas \u00e1reas, uma vez que o governo j\u00e1 enfrenta obst\u00e1culos para fiscalizar as florestas ainda em p\u00e9. (Carlos Rittl, citado por Camargo, 2006). Assim, muitos desses cr\u00e9ditos s\u00e3o negociados bilateralmente, com a intermedia\u00e7\u00e3o de organismos de fomento, ou por meio de bolsas eletr\u00f4nicas. Algumas empresas brasileiras buscam neg\u00f3cios na Chicago Climate Exchange (CCX). Essa bolsa foi criada em 2003 como resultado da associa\u00e7\u00e3o de empresas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas norte-americanas que assumiram o compromisso de reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Em Chicago, o valor da tonelada de CO2 \u00e9 cotada abaixo do patamar das negocia\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito do MDL. Contudo, apesar da diferen\u00e7a de pre\u00e7o, essa bolsa \u00e9 particularmente atraente para o setor de reflorestamento que n\u00e3o encontra nas regras de Kyoto metodologia para aferir a quantidade de CO2 capturada pelo projeto. &#8220;As \u00e1reas de floresta re\u00fanem \u00e1rvores de esp\u00e9cies diferentes, com idades distintas, t\u00eam grande varia\u00e7\u00e3o regional e ainda por cima, s\u00e3o sujeitos a inc\u00eandios&#8221;, (<a href=\"http:\/\/www.CNI.ORG.BR\">www.cni.org.br<\/a> IND\u00daSTRIA BRASILEIRA 39, 2005).<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Florestas preservadas.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preserva\u00e7\u00e3o das florestas existentes n\u00e3o \u00e9 contemplada como fonte de cr\u00e9dito de carbono, nesta primeira fase do protocolo de Kyoto. Em julho de 2001, o acordo de Bonn definiu regras para projetos florestais no MDL referente ao primeiro per\u00edodo de compromisso (2008- 2012), e excluiu cr\u00e9dito para desmatamento evitado nesse per\u00edodo. Projetos de &#8220;uso da terra, mudan\u00e7a de uso da terra e florestas&#8221; seriam limitados a reflorestamento e florestamento, ou seja, o plantio de \u00e1rvores em locais que eram ou n\u00e3o historicamente florestados, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o MDL pudesse render bastante dinheiro para o Brasil (Fearnside, 1999b, 2000a), muito mais poderia ser ganho se o Pa\u00eds fosse aderir ao Anexo B e vender credito ganho pela diminui\u00e7\u00e3o do desmatamento, usando o &#8220;comercio de emiss\u00f5es&#8221; de Artigo 17 do Protocolo (Fearnside, 1999c). Segundo o autor, esta possibilidade independe da inclus\u00e3o ou n\u00e3o de desmatamento evitado no MDL e poderiam dar \u00eanfase aos projetos que, realmente, evitariam o desmatamento. Seriam financiados somente os projetos visando \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das florestas amea\u00e7adas de desmatamento imediato. Um exemplo t\u00edpico seria o de projetos enfocados para preservar as florestas de Rond\u00f4nia, muito amea\u00e7adas, enquanto que florestas em \u00e1reas remotas do Estado do Amazonas n\u00e3o receberiam nenhum benef\u00edcio de cr\u00e9dito de carbono, se protegidas como reservas. Em outras palavras, para ganhar o cr\u00e9dito de carbono, apenas as reservas pr\u00f3ximas \u00e0 frente de desmatamento seriam recompensadas, enquanto, para a biodiversidade, pode ser muito mais barato implantar grandes reservas em \u00e1reas relativamente pouco amea\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00e1reas mais amea\u00e7adas s\u00e3o tamb\u00e9m as \u00e1reas com os maiores problemas de conflitos de terra, com popula\u00e7\u00e3o precisando re-assentamento, com pre\u00e7os de terra altos, e com, provavelmente, custos altos de contrata\u00e7\u00e3o de guardas e outras medidas defensivas para afastar a amea\u00e7a de invas\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, principalmente, nestas \u00e1reas mais amea\u00e7adas poderia ser mais expandido o conceito do carbono social. Carbono social \u00e9 aplicado, atualmente em alguns projetos de MDL e de Mercado Volunt\u00e1rio de Carbono. Consiste em uma metodologia desenvolvida por algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) que compreende a avalia\u00e7\u00e3o de todos os recursos de sustentabilidade: recurso social, natural, humano, biodiversidade, financeiro e carbono, promovendo a intera\u00e7\u00e3o entre os projetos e as comunidades. O seu conceito surgiu da necessidade de garantir que projetos designados a reduzir e mitigar emiss\u00f5es de gases causadores do efeito-estufa pudesse fazer uma contribui\u00e7\u00e3o genu\u00edna para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, incorporando um m\u00e9todo transparente de mensurar e apresentar os benef\u00edcios vivenciados pelas comunidades envolvidas nos projetos.\u00a0 O conceito garante que os servi\u00e7os ambientais providos por estas comunidades tenham um valor justo. Isto incrementa as chances de sucesso dos projetos, e faz deles um investimento mais seguro para aqueles que querem financi\u00e1-los.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Sistema de pagamento por servi\u00e7os ambientais na Costa Rica<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1969 aprovou-se, na Costa Rica, uma Lei Florestal que previa a concess\u00e3o de incentivos econ\u00f4micos, principalmente exonera\u00e7\u00f5es de impostos aos que plantavam \u00e1rvores. Posteriormente, uma nova legisla\u00e7\u00e3o veio a produzir algumas mudan\u00e7as nos incentivos oferecidos, tratando n\u00e3o apenas de abarcar um maior n\u00famero de benefici\u00e1rios, mas tamb\u00e9m as atividades de conserva\u00e7\u00e3o. Se bem que estas altera\u00e7\u00f5es tenham melhorado o sistema de incentivos e reverteram a taxa de defloresta\u00e7\u00e3o, a floresta e as \u00e1rvores em p\u00e9, ainda, eram vistos apenas pelo seu valor como madeira ou produtos florestais. Recentemente, esta vis\u00e3o mudou ao sentir-se a influ\u00eancia de elementos do setor conservacionista que v\u00eaem na floresta uma fonte de produtos e benef\u00edcios n\u00e3o madeir\u00e1veis. Estes v\u00eaem na floresta o habitat onde vive a maioria dos seres vivos e em especial, muitas esp\u00e9cies em perigo de extin\u00e7\u00e3o, de onde s\u00e3o extra\u00eddas plantas medicinais, mananciais de \u00e1gua pot\u00e1vel, e beleza paisag\u00edstica. Assim, come\u00e7ou a tomar-se consci\u00eancia dos m\u00faltiplos benef\u00edcios fornecidos pela floresta e n\u00e3o apenas do seu valor como madeira, favorecendo a id\u00e9ia, na Costa Rica, da floresta como fonte de servi\u00e7os ambientais (RUSSO &amp; CANDELA, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes servi\u00e7os ambientais s\u00e3o definidos como os servi\u00e7os disponibilizados pelas florestas e as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores que apresentem um efeito direto sobre a prote\u00e7\u00e3o e melhoria das condi\u00e7\u00f5es ambientais. Estes incluem certificados de emiss\u00f5es de gases que provocam efeito de estufa, prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade (com objetivos de preserva\u00e7\u00e3o e objetivos de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, nomeadamente farmac\u00eautica), prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas, formas de vida e lugares de beleza paisag\u00edstica (para fins cient\u00edficos e recreativos) etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo concede estes pagamentos pelos servi\u00e7os ambientais a propriet\u00e1rios privados de terras, por um per\u00edodo de cinco anos. No que diz respeito ao financiamento, no Pa\u00eds existe um imposto sobre os combust\u00edveis de 5%, cujos fundos s\u00e3o utilizados para financiar o programa. Contudo, o mais inovador neste processo \u00e9 que, para al\u00e9m dos fundos deste imposto, a Costa Rica vende cr\u00e9ditos de carbono atrav\u00e9s de projetos de Implementa\u00e7\u00e3o Conjunta desenvolvidos, de acordo com o estabelecido na Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e estes fundos tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados para financiar os pagamentos aos propriet\u00e1rios. Por exemplo, o governo da Noruega comprou cr\u00e9ditos de carbono \u00e0 Costa Rica no valor de 2.000.000 d\u00f3lares americanos. Quando se efetuam estes pagamentos, faz-se um contrato obrigat\u00f3rio inscrito no Registro de Propriedade entre os propriet\u00e1rios que vendem o seu servi\u00e7o ambiental de fixa\u00e7\u00e3o de carbono e o governo (RUSSO &amp; CANDELA, 2006).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe d\u00favida de que a participa\u00e7\u00e3o do Brasil, no mercado de cr\u00e9ditos de carbono dever\u00e1 aumentar muito nos pr\u00f3ximos anos. Existe toda a perspectiva de programas de biodiesel a serem implantados e o aumento da energia denominada limpa como a el\u00e9trica e a e\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, projetos de florestamento e reflorestamento dever\u00e3o ser incentivados. Dever\u00e3o ser buscadas metodologias mais precisas que avaliem com maior precis\u00e3o a quantidade de CO2 seq\u00fcestrada a partir do uso desta tecnologia. Al\u00e9m disso, dever\u00e3o ser buscadas fontes alternativas de financiamento, visto que muitas das metodologias existentes atualmente, n\u00e3o se enquadrem, perfeitamente, dentro das normas do MDL, preconizadas pelo protocolo de Kyoto. Isto dever\u00e1 beneficiar projetos de menor escala e diminuir os gastos de implanta\u00e7\u00e3o registro dos mesmos com os chamados RCE (redu\u00e7\u00e3o certificada de emiss\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O denominado carbono social deve ser incentivado e a exemplo da Costa Rica, ser criado um mecanismo oficial que favore\u00e7a a preserva\u00e7\u00e3o de biomas amea\u00e7ados (Floresta Amaz\u00f4nia, Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado etc.), e estabelecendo incentivos ao uso ecol\u00f3gico da terra nas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o da floresta como o extrativismo controlado, agroflorestas, sistemas silvipastoris etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio do Banco mundial de sobre pesquisas de pol\u00edticas para Am\u00e9rica Latina e Caribe, de 2006, sugere: Nessa regi\u00e3o, a densa floresta tropical \u00e9 freq\u00fcentemente desmatada para criar pastos que valem pouco mais de algumas centenas de d\u00f3lares por hectare, ao passo que libera enormes volumes de di\u00f3xido de carbono. Por\u00e9m, as redu\u00e7\u00f5es dessas emiss\u00f5es poderiam valer muito mais para o mundo como um todo. Em outras palavras, a floresta vale mais como carbono armazenado do que como pasto. O desafio \u00e9 criar institui\u00e7\u00f5es que permitam aos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe tirar proveito desse valor e utiliz\u00e1-lo para manter os servi\u00e7os ambientais das florestas, bem como criar alternativas sustent\u00e1veis para a agricultura em terras j\u00e1 degradadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o com as florestas tropicais \u00e9 mundial. Iniciativas v\u00eam sempre surgindo no sentido de financiar esta a preserva\u00e7\u00e3o. Foi recentemente publicado que: As comunidades mais pobres dos pa\u00edses em desenvolvimento ser\u00e3o as grandes beneficiadas com o an\u00fancio, recentemente publicado, da segunda fase do BioCarbon Fund, do Banco Mundial. O fundo \u00e9 uma parceria p\u00fablico\/privada que fornece financiamentos para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, criado com o objetivo de abrir o mercado de carbono para atividades florestais e agr\u00edcolas.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<br \/><\/strong>CAMARGO, B. ONG Rep\u00f3rter Brasil, <strong>Com\u00e9rcio de Ar Puro<\/strong>, 01\/01\/2006.<\/p>\n<p>FEARNSIDE PHILIP M. Servi\u00e7os Ambientais como Uso Sustent\u00e1vel de Recursos Naturais na Amaz\u00f4nia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA) C.P. 478 &#8211; 9011-970 Manaus-Amazonas, Fax +55 (92) 642-8909 e-mail: <a href=\"mailto:pmfearn@inpa.gov.br\">pmfearn@inpa.gov.br<\/a> 26 de junho de 2002<\/p>\n<p>RUSSO, R.O., CNDELA, G. Payment of environmental services in Costa Rica: evaluating impact and possibilities. Earth University, Costa Rica, 2006.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Aroeira &#8211; Pesquisador aposentado da Embrapa Gado de Leite<br \/>\nE-mail: ljmaroeira@yahoo.com.br<br \/>\nJaneiro de 2006<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5485"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}