{"id":644,"date":"2010-02-09T09:56:54","date_gmt":"2010-02-09T12:56:54","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=644"},"modified":"2010-08-23T13:20:41","modified_gmt":"2010-08-23T16:20:41","slug":"historia-da-agricultura-organica-algumas-consideracoes-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/historia-da-agricultura-organica-algumas-consideracoes-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Agricultura Org\u00e2nica: algumas considera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte III: De 1990 at\u00e9 os dias atuais.<\/strong><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/?p=577&amp;preview=true\" target=\"_self\"><span style=\"color: #333333;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Clique aqui para a primeira parte<\/strong><\/span><\/span><\/a><br \/><a href=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/?p=577&amp;preview=true\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4256\" title=\"entrar29\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/entrar29.gif\" alt=\"entrar29\" width=\"36\" height=\"20\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><a href=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/?p=597&amp;preview=true\" target=\"_self\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Clique aqui para a segunda parte<\/strong><\/span><\/a><br \/><a href=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/?p=597&amp;preview=true\" target=\"_self\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4256\" title=\"entrar29\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/entrar29.gif\" alt=\"entrar29\" width=\"36\" height=\"20\" \/><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1989, o Conselho Nacional de Pesquisa (NRC) &#8211; um \u00f3rg\u00e3o formado por representantes da Academia Nacional de Ci\u00eancias, da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Medicina, todos dos EUA, dedicou-se a um estudo detalhado sobre a agricultura alternativa. Este trabalho culminou com a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio intitulado &#8220;Alternative Agriculture&#8221; um dos principais reconhecimentos da pesquisa oficial a esta tend\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<br \/>Em 1992, com a Confer\u00eancia Mundial da ECO92, no Rio de Janeiro &#8211; Brasil, surge o conceito de sustentabilidade, que manifestou uma nova ordem mundial que expressa a vontade das na\u00e7\u00f5es de conciliar ou reconciliar o desenvolvimento econ\u00f4mico e o meio ambiente, em integrar a problem\u00e1tica ambiental ao campo da economia. Mais do que um conceito que orienta de maneira imediata a\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o, a sustentabilidade manifesta em primeiro lugar uma problem\u00e1tica de aspectos m\u00faltiplos (cient\u00edfico, pol\u00edtico, \u00e9tico) oriunda da emerg\u00eancia de problemas ambientais em escala planet\u00e1ria e principalmente da percep\u00e7\u00e3o do risco subjacente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos anos 90 emergem os processos de certifica\u00e7\u00e3o ambiental dos produtos agr\u00edcolas &#8211; como os &#8220;selos verdes&#8221;. A certifica\u00e7\u00e3o ambiental fundamenta-se no princ\u00edpio da produ\u00e7\u00e3o com uso de t\u00e9cnicas e processos que n\u00e3o degradem o meio ambiente. A iniciativa de certificar tem partido quase que exclusivamente de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, que estabelecem os seus crit\u00e9rios pr\u00f3prios de certifica\u00e7\u00e3o, o que para a agricultura, refere-se a produtos org\u00e2nicos ou biodin\u00e2micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1999, ap\u00f3s a mobiliza\u00e7\u00e3o das ONGs brasileiras que trabalhavam direta ou indiretamente com a agroecologia, \u00e9 publicada a Instru\u00e7\u00e3o Normativa 007\/99, que traz, entre outras novidades a cria\u00e7\u00e3o de um \u00d3rg\u00e3o Colegiado Nacional e dos respectivos \u00f3rg\u00e3os estaduais, respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa e fiscaliza\u00e7\u00e3o das certificadoras e a exig\u00eancia de que a certifica\u00e7\u00e3o seja conduzida por entidades nacionais e sem fins lucrativos (BRASIL, 1999).<br \/>De acordo com Da Silva (1999), a transforma\u00e7\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o de produtos org\u00e2nicos de um processo interno e pr\u00f3prio das ONGs (que consideram as diversas caracter\u00edsticas de uma localidade: socioecon\u00f4micas, ecol\u00f3gicas, culturais, etc.) para modelos nacionais e oficiais de normas vai requerer alguns cuidados para quest\u00f5es que necessitar\u00e3o ser estudadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma delas \u00e9 que, a partir da institucionaliza\u00e7\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o abertos &#8220;nichos&#8221; de mercado que demandam produtos com caracter\u00edsticas e padr\u00f5es que oferecem grandes possibilidades de inser\u00e7\u00e3o para os produtos provenientes da agroecologia, nas diferentes redes de distribui\u00e7\u00e3o e nos seus diferentes n\u00edveis de abrang\u00eancia (local, regional, nacional e internacional). Contudo, a concretiza\u00e7\u00e3o de tais oportunidades vai depender das estrat\u00e9gias de organiza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das quantidades demandadas dos produtos (Campanhola, 1999). Neste cen\u00e1rio, \u00e9 o p\u00fablico, s\u00e3o os consumidores que, nos pa\u00edses de alto n\u00edvel tecnol\u00f3gico, levam \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de novos compromissos seja com os produtores, seja com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-649\" title=\"arvore2\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/arvore2.gif\" alt=\"arvore2\" width=\"401\" height=\"239\" \/>Globalmente, pode-se dizer que a agroecologia (incluindo todas as suas correntes: org\u00e2nica, biodin\u00e2mica, natural, ecol\u00f3gica, permacultura) emerge como uma nova vis\u00e3o de mundo ( chamada no meio acad\u00eamico de &#8220;paradigma&#8221;), que eleva a agricultura a um novo patamar, que sup\u00f5e uma diferencia\u00e7\u00e3o social. O recurso \u00e0s tecnologias sustent\u00e1veis passa por um investimento em equipamentos e t\u00e9cnicas espec\u00edficas e por um acesso privilegiado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, cabe uma pergunta. &#8220;Estar\u00e3o todas as formas de<br \/>agricultura em posi\u00e7\u00e3o de igualdade<br \/>diante de tais desafios?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o como um novo insumo n\u00e3o \u00e9 uma simples f\u00f3rmula e \u00e9 poss\u00edvel estimar que alguns segmentos ficar\u00e3o ainda mais dispersos, se considerarmos os desafios \u00e0 extens\u00e3o rural, cuja efici\u00eancia pode ser reduzida por pol\u00edticas p\u00fablicas que concentrem permanentemente a informa\u00e7\u00e3o e as tecnologias apenas nos agentes de maior poder econ\u00f4mico. Assim, aumenta o contingente de produtores suscet\u00edveis a serem exclu\u00eddos, por insufici\u00eancia de renda ou por impossibilidade de aumentarem um acr\u00e9scimo nas margens de trabalho ou de risco econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, no momento atual \u00e9 importante ressaltar que a agroecologia como um novo paradigma t\u00e9cnico-cient\u00edfico, ambiental e cultural est\u00e1 sendo constru\u00edda de forma progressiva e desigual, com base em uma grande multiplicidade de pr\u00e1ticas produtivas, de ecossistemas e de estrat\u00e9gias diversificadas de sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica&#8230;.(Almeida et. al, 2001:43). O aprendizado dessa nova maneira de pensar e fazer agricultura passa por experi\u00eancias de \u00eaxito e fracasso, como todo projeto que \u00e9 idealizado e realizado pela sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, \u00e9 razo\u00e1vel pensarmos que em pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil, o desafio da produ\u00e7\u00e3o de alimentos em sistemas agroecol\u00f3gicos dentro de uma economia globalizada e flex\u00edvel, implica na retoma do debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas amplas e diferenciadas, reforma agr\u00e1ria, agricultura familiar e seguran\u00e7a alimentar. Fica claro, por\u00e9m, que apesar de n\u00e3o ser pequeno, \u00e9 imprescind\u00edvel o esfor\u00e7o de toda sociedade para uma mudan\u00e7a de paradigma da pesquisa agr\u00edcola, principalmente, quando esta se encontra atrelada a altera\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas de car\u00e1ter estrutural.<br \/>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fontes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Almeida, Silvio G.; Petersen, P&amp; Cordeiro, A Crise Socioambiental e Convers\u00e3o Ecol\u00f3gica da Agricultura Brasileira: subs\u00eddios \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de diretrizes ambientais para o desenvolvimento agr\u00edcola. Rio de Janeiro: AS-PTA, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Billaud, Jean-Paul. Agricultura sustent\u00e1vel nos pa\u00edses desenvolvidos: conceito aceito e incerto. Agricultura Sustent\u00e1vel, p.25-44, jul\/dez. 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Agricultura e do Abastecimento. Instru\u00e7\u00e3o Normativa n. 007 de 17 de maio de 1999. Bras\u00edlia, 1999. 12p. (mimeo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da Silva, Marco Ant\u00f4nio. Normatiza\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica: presente e futuro. In: In: 3a Confer\u00eancia Brasileira de Agricultura Biodin\u00e2mica, Piracicaba &#8211; SP, 14 a 17 de outubro de 1998. Anais. Mikl\u00f3s, Andreas A de W. (organizador). S\u00e3o Paulo: SMA\/CED, 1999. 294p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Campanhola, Clayton. A agricultura sustent\u00e1vel, a agroecologia e a pequena produ\u00e7\u00e3o. In: 3a Confer\u00eancia Brasileira de Agricultura Biodin\u00e2mica, Piracicaba &#8211; SP, 14 a 17 de outubro de 1998. Anais. Mikl\u00f3s, Andreas A de W. (organizador). S\u00e3o Paulo: SMA\/CED, 1999. 294p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Carmo, Maristela Sim\u00f5es. A Produ\u00e7\u00e3o familiar como locus ideal da agricultura sustent\u00e1vel. Agricultura em S\u00e3o Paulo, v.45, n.01, p.1-15, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ehlers, Eduardo. O que se entende por agricultura sustent\u00e1vel? Projeto de Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. S\u00e3o Paulo: Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental\/USP, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ehlers, Eduardo. Agricultura Sustent\u00e1vel: Origens e perspectivas de um novo paradigma. S\u00e3o Paulo: Livros da Terra, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ehlers, Eduardo. Agricultura Alternativa: uma perspectiva hist\u00f3rica. Revista Brasileira de Agropecu\u00e1ria, ano 01, n.01, p.24-37, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frade, Carmem Oliveira. A constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o para pensar e praticar a Agroecologia na UFRRJ e seus arredores. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Rio de Janeiro: CPDA\/UFRRJ, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pianna, Airton. Agricultura Org\u00e2nica: a subjacente constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais e saberes. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Rio de Janeiro: CPDA\/UFRRJ, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Romero, Juan Ign\u00e1cio. Quest\u00e3o agr\u00e1ria: latif\u00fandio ou agricultura familiar. A produ\u00e7\u00e3o familiar no mundo globalizado. S\u00e3o Paulo: Moderna, 1998.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte III: De 1990 at\u00e9 os dias atuais. 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