{"id":6662,"date":"2010-01-19T16:19:42","date_gmt":"2010-01-19T19:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/?p=6662"},"modified":"2010-01-19T16:25:25","modified_gmt":"2010-01-19T19:25:25","slug":"ifoam","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/ifoam\/","title":{"rendered":"IFOAM"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6667\" title=\"ifoam03\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ifoam03.gif\" alt=\"ifoam03\" width=\"354\" height=\"71\" srcset=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ifoam03.gif 354w, http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\r\n\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ifoam03-300x60.gif 300w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6668\" title=\"geraldherrmann\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/geraldherrmann.bmp\" alt=\"geraldherrmann\" width=\"105\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Planeta Org\u00e2nico entrevista Gerald Herrmann, presidente da IFOAM, que vir\u00e1 ao Brasil para a BioFach Am\u00e9rica Latina e far\u00e1 um discurso na cerim\u00f4nia de abertura. Nesta entrevista ao Planeta Org\u00e2nico, Gerald Herrmann tamb\u00e9m responde a perguntas de Pedro Santiago, presidente da C\u00e2mara Setorial de Agricultura Org\u00e2nica.<\/strong><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Planeta Org\u00e2nico: Poderia a IFOAM apoiar o movimento org\u00e2nico brasileiro para acelerar a aprova\u00e7\u00e3o pendente da regulamenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no Brasil (O decreto que regulamentar\u00e1 a Lei 10.831\/03)?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: Estou ciente do processo em andamento no Brasil e, de fato, tenho a expectativa de que o decreto sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica o mais breve poss\u00edvel. A IFOAM, ela mesma uma federa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, aprecia os esfor\u00e7os do minist\u00e9rio para incluir as partes interessadas no processo, por exemplo, pelo estabelecimento da &#8216;C\u00e2mara Setorial da Agricultura Org\u00e2nica&#8217;. Uma quest\u00e3o muito importante que agora est\u00e1 esclarecida \u00e9 o uso da palavra &#8216;org\u00e2nico&#8217;, que no passado poderia ser usada para qualquer produto de origem vegetal. Outro t\u00f3pico importante \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o reconhecer\u00e1 os Sistemas Participativos de Garantia para os mercados locais, o que \u00e9 uma boa coisa para o movimento org\u00e2nico, tamb\u00e9m fora do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regulamenta\u00e7\u00e3o oferece uma oportunidade para a harmoniza\u00e7\u00e3o regional dos padr\u00f5es e regulamentos org\u00e2nicos dentro da Am\u00e9rica Latina e Caribe. A IFOAM tamb\u00e9m aprecia o envolvimento do Governo Brasileiro no processo de harmoniza\u00e7\u00e3o global da regulamenta\u00e7\u00e3o da agricultura org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da assinatura do decreto, o movimento n\u00e3o poder\u00e1 &#8216;relaxar&#8217;, mas tem um papel importante a cumprir: o de alimentar constantemente as estruturas do governo com as opini\u00f5es daqueles que vivenciam a regulamenta\u00e7\u00e3o. Experi\u00eancias na UE nos ensinaram que um regulamento pode parecer o fim do processo legislativo, mas na verdade \u00e9 o in\u00edcio de outro. O Direito \u00e0 Propriedade \u00e9 muito importante, e para o movimento org\u00e2nico poder influenciar ou mesmo conduzir novos desdobramentos, precisa de aten\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas. Tenho confian\u00e7a em que os movimentos org\u00e2nico e agro-ecol\u00f3gico sejam capazes de atuar como poder moderador para o beneficio do setor.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Planeta Org\u00e2nico: No Brasil, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas na certifica\u00e7\u00e3o participativa (por exemplo, a EcoVida), um sistema de certifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 aprovado pelo governo brasileiro para o mercado dom\u00e9stico. A IFOAM est\u00e1 envolvida no desenvolvimento de Sistemas Participativos de Garantia (SPGs) em muitas regi\u00f5es do mundo. Por que a IFOAM est\u00e1 engajada nisto? Quais s\u00e3o os benef\u00edcios dos SPGs? Isso poderia ajudar a desenvolver o com\u00e9rcio regional de produtos org\u00e2nicos na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: Primeiro deixe-me explicar que qualquer sistema que use os m\u00e9todos da Agricultura Org\u00e2nica e seja baseado nos Princ\u00edpios da Agricultura Org\u00e2nica \u00e9 considerado pela IFOAM como &#8216;Agricultura Org\u00e2nica&#8217;; e qualquer agricultor que pratique tal sistema poder\u00e1 ser chamado de &#8216;agricultor org\u00e2nico&#8217;. A Agricultura Org\u00e2nica traz contribui\u00e7\u00f5es valiosas para o agricultor e para a sociedade em geral, fora do \u00e2mbito do mercado. A IFOAM ap\u00f3ia a ado\u00e7\u00e3o da Agricultura Org\u00e2nica independentemente da maneira em que os produtos sejam garantidos e comercializados. A IFOAM considera a certifica\u00e7\u00e3o de terceiros como uma ferramenta confi\u00e1vel para garantir o status de org\u00e2nico de um produto, e tamb\u00e9m uma que parece ser a mais pertinente num mercado an\u00f4nimo, como o mercado org\u00e2nico internacional. A IFOAM desenvolveu um sistema abrangente de Normas e um programa de credenciamento para promover e desenvolver a certifica\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel de terceiros. Mas este tipo de certifica\u00e7\u00e3o definitivamente n\u00e3o \u00e9 &#8216;universal&#8217; e n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica ferramenta para descrever a agricultura org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da certifica\u00e7\u00e3o de terceiros h\u00e1 outros m\u00e9todos para garantir a qualidade org\u00e2nica para o mercado. Estes podem ser na forma de declara\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ou Sistemas Participativos de Garantia. Tamb\u00e9m h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es nas quais a rela\u00e7\u00e3o entre os consumidores e os produtores \u00e9 forte o bastante para servir como um mecanismo de cria\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a suficiente, n\u00e3o sendo necess\u00e1ria nenhuma outra verifica\u00e7\u00e3o em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica que conta somente com os mercados de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as externas no mercado global e enfrenta competitividade crescente. Tamb\u00e9m, no contexto dos mercados locais, a certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de terceiros poderia ser considerada um exagero para os prop\u00f3sitos do marketing direto e onerar demais os custos dos agricultores de pequena escala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Sistemas Participativos de Garantia s\u00e3o, na maioria, flex\u00edveis e enfatizam o processo de aprendizado. A IFOAM v\u00ea um potencial nesses sistemas participativos e iniciou um processo para a capacita\u00e7\u00e3o e para o melhor desenvolvimento de tais sistemas. S\u00e3o, por sua pr\u00f3pria natureza, localizados e diversos, portanto, enquanto se pode concordar sobre alguns princ\u00edpios gerais, eles n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o padronizados quanto a certifica\u00e7\u00e3o de terceiros. Tamb\u00e9m, os Sistemas Participativos de Garantia ap\u00f3iam e encorajam grupos de produtores a trabalharem juntos e aprimorarem suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas atrav\u00e9s do compartilhamento de conhecimento e experi\u00eancias &#8211; uma oportunidade que pode ser perdida por agricultores org\u00e2nicos que trabalham com o sistema de certifica\u00e7\u00e3o de terceiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, os Sistemas Participativos de Garantia podem ser usados como ferramenta para melhorar as condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas locais, atrav\u00e9s do est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e processamento de produtos em pequena escala. Nos mercados locais, eles ajudam os pequenos propriet\u00e1rios a terem seus produtos reconhecidos como org\u00e2nicos. As redes entre os consumidores e pequenos propriet\u00e1rios s\u00e3o fortalecidas e o \u00edmpeto para os pequenos propriet\u00e1rios expandirem suas bases de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ado. A EcoVida \u00e9 um exemplo positivo desse tipo de rede ao qual nos referimos com freq\u00fc\u00eancia. A IFOAM, portanto, ap\u00f3ia o semin\u00e1rio EcoVida a se realizar no final de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o potencial para os mercados org\u00e2nicos dom\u00e9sticos \u00e9 imenso. Os Sistemas Participativos de Garantia fornecem um mecanismo para pequenos propriet\u00e1rios que produzem volumes relativamente baixos de culturas variadas poderem comercializar sua produ\u00e7\u00e3o destinada a venda como comprovadamente org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos orgulhosos do fato que essas iniciativas, que usam seus pr\u00f3prios padr\u00f5es escritos, freq\u00fcentemente baseiam-se nos Princ\u00edpios e Padr\u00f5es B\u00e1sicos da IFOAM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gostaria de compartilhar com voc\u00eas os resultados do nosso projeto no Leste da \u00c1frica. O projeto &#8220;OSEA&#8221; &#8211; Regional Cooperation for Organic Standards and Certification Capacity in East Africa (Coopera\u00e7\u00e3o Regional para Padr\u00f5es Org\u00e2nicos e Capacidade de Certifica\u00e7\u00e3o no Leste Africano) &#8211; almeja melhorar a renda e o meio de vida de comunidades rurais no Leste da \u00c1frica, atrav\u00e9s da facilita\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de produtos org\u00e2nicos por meio de um padr\u00e3o regional e coopera\u00e7\u00e3o regional para certifica\u00e7\u00e3o. O East African Organic Products Standard &#8211; EAOS (Padr\u00e3o Leste-Africano de Produtos Org\u00e2nicos) \u00e9 o segundo padr\u00e3o org\u00e2nico regional no mundo, seguindo aquele desenvolvido pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. O EAOS e a associada East African Organic Mark (Marca Org\u00e2nica Leste-Africana) asseguram aos consumidores que os produtos assim rotulados foram cultivados em conformidade com um m\u00e9todo padronizado fundamentado em m\u00e9todos tradicionais complementados por conhecimento cient\u00edfico, e na gest\u00e3o do ecossistema ao inv\u00e9s do uso de fertilizantes e pesticidas artificiais. Como a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica geralmente \u00e9 vendida a pre\u00e7os com diferencial positivo em mercados externos de r\u00e1pido crescimento, espera-se que o padr\u00e3o aumente as vendas e os lucros para pequenos agricultores na regi\u00e3o. Uma maneira de fortalecer este efeito \u00e9 que a Marca Org\u00e2nica Leste-Africana tamb\u00e9m pode ser usada em produtos org\u00e2nicos verificados atrav\u00e9s de um Sistema Participativo de Garantia. Este \u00e9 um maravilhoso resultado do projeto que posiciona os esfor\u00e7os e mercados locais num mundo globalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo \u00e9 que a FAO-India e o Minist\u00e9rio da Agricultura da \u00cdndia iniciaram um programa para o estabelecimento de um Sistema Participativo de Garantia para a \u00cdndia, dentro de um programa de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a promo\u00e7\u00e3o da Agricultura Org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, os Sistemas Participativos de Garantia, atrav\u00e9s de sua natureza localizada e diversa, t\u00eam potencial global!<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Planeta Org\u00e2nico: H\u00e1 anos, a IFOAM est\u00e1 em campanha contra o uso de OGM&#8217;s na agricultura. No Brasil esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o bastante aguda. Como voc\u00ea avalia a situa\u00e7\u00e3o atual e qual \u00e9 o caminho que o movimento org\u00e2nico deve seguir?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: De fato, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida sobre a incompatibilidade de OGM&#8217;s com os princ\u00edpios da Agricultura Org\u00e2nica. A IFOAM se op\u00f5e \u00e0 engenharia gen\u00e9tica em toda a agricultura, em vista do perigo sem precedentes que representa para toda a biosfera e os riscos econ\u00f4micos e ambientais particulares que representa para produtores org\u00e2nicos. A IFOAM acredita que a engenharia gen\u00e9tica na agricultura causa impactos ambientais negativos e irrevers\u00edveis, atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o de organismos que nunca antes existiram na natureza e que n\u00e3o podem ser eliminados posteriormente. Existe uma polui\u00e7\u00e3o do gene pool de lavouras cultivadas, de micro-organismos e animais, e de organismos fora das lavouras. A libera\u00e7\u00e3o de OGM&#8217;s implica na nega\u00e7\u00e3o da liberdade de escolha, tanto para agricultores quanto para consumidores, uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais dos agricultores \u00e0 propriedade, e uma amea\u00e7a \u00e0 sua independ\u00eancia econ\u00f4mica. Todas estas s\u00e3o amea\u00e7as inaceit\u00e1veis para as pessoas, para a humanidade e para a nossa Terra. Estas pr\u00e1ticas s\u00e3o incompat\u00edveis com os Princ\u00edpios da Agricultura Org\u00e2nica (para consultar a vers\u00e3o em Portugu\u00eas dos Princ\u00edpios, acesse: <a href=\"http:\/\/www.ifoam.org\/about_ifoam\/pdfs\/POA_folder_portugese.pdf\">http:\/\/www.ifoam.org\/about_ifoam\/pdfs\/POA_folder_portugese.pdf<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a IFOAM est\u00e1 defendendo a aboli\u00e7\u00e3o total dos OGM&#8217;s em toda a agricultura, n\u00e3o podemos ignorar o fato que os OGM&#8217;s j\u00e1 est\u00e3o em uso, e em alguns pa\u00edses como o Brasil, mesmo amplamente difundidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os consumidores bem informados n\u00e3o querem OGM&#8217;s. Portanto a IFOAM insiste que seja introduzida rotula\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria e abrangente para produtos agr\u00edcolas geneticamente modificados, uma vez que \u00e9 necess\u00e1rio assegurar o direito de escolha do consumidor. A rotula\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para produtores e consumidores de alimentos org\u00e2nicos, como tamb\u00e9m para as entidades de inspe\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. Isto porque certos produtos da agricultura convencional ou de origem n\u00e3o agr\u00edcola ainda s\u00e3o permitidos na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. A fim de assegurar que a engenharia gen\u00e9tica n\u00e3o entre na cadeia da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica atrav\u00e9s de tais compostos, se faz necess\u00e1ria uma rotula\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel e abrangente. Ao mesmo tempo, a IFOAM \u00e9 de opini\u00e3o que a introdu\u00e7\u00e3o, nos regulamentos org\u00e2nicos, de um n\u00edvel limite para contamina\u00e7\u00e3o por OGMs, colocaria um \u00f4nus desnecess\u00e1rio sobre os produtores org\u00e2nicos, uma vez que o n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o est\u00e1 al\u00e9m de sua influ\u00eancia. Na verdade, o potencial de contamina\u00e7\u00e3o com OGM&#8217;s na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica tem a ver com o grau de rigor na regulamenta\u00e7\u00e3o da introdu\u00e7\u00e3o dos OGM&#8217;s, e n\u00e3o com a regulamenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica em si. Ao mesmo tempo, eu entendo o desejo do movimento org\u00e2nico de permanecer livre de OGM&#8217;s por todos os meios. Os nossos esfor\u00e7os de advocacia, tamb\u00e9m em coordena\u00e7\u00e3o com ONG&#8217;s ambientais, concentram-se em trazer o problema de volta \u00e0 sua origem: OGM&#8217;s e seus proponentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o caso \u00e9 mais amplo; os OGM&#8217;s s\u00e3o apenas um exemplo de um conceito atualmente dominante da chamada civiliza\u00e7\u00e3o, que leva \u00e0 perda de biodiversidade e a mudan\u00e7as no clima. Estes fen\u00f4menos s\u00e3o causados pelo homem e os efeitos s\u00e3o intimamente interdependentes. As id\u00e9ias na base da atual agricultura convencional s\u00e3o a padroniza\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o, melhor expressas por enormes monoculturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a estabilidade ecol\u00f3gica \u00e9 baseada na diversidade. Eu observo, felizmente, um movimento global, vindo de diferentes dire\u00e7\u00f5es, unindo-se para a causa comum de defender a diversidade contra as tend\u00eancias destrutivas e amea\u00e7adoras na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, no uso da terra e na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Uma variedade de movimentos de regi\u00f5es livres de OGM&#8217;s, consumidores, aqueles que combatem a fome e a pobreza, guardadores de sementes, agricultores de subsist\u00eancia, grupos femininos e os chamados movimentos &#8216;antiglobaliza\u00e7\u00e3o&#8217;, lutam para superar os desafios assustadores que a humanidade enfrentar\u00e1 no futuro. O Movimento da Agricultura Org\u00e2nica faz parte desse movimento maior que recorreu ao \u00fanico principio comprovado de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as de circunst\u00e2ncias que a hist\u00f3ria natural nos traz: a diversidade. A IFOAM est\u00e1 engajada na organiza\u00e7\u00e3o do &#8216;Planet Diversity&#8217; (&#8216;Diversidade Planet\u00e1ria&#8217;), um festival e um congresso globais de Diversidade a serem realizados em maio de 2008, durante a Reuni\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica e seu Protocolo sobre Bio-seguran\u00e7a, em Bonn, Alemanha. Ao realizar o evento em paralelo a essas reuni\u00f5es internacionais significativos, n\u00f3s tamb\u00e9m visamos influenciar e causar impacto sobre as negocia\u00e7\u00f5es governamentais, especialmente aquelas sobre a responsabilidade e a repara\u00e7\u00e3o dos danos causados por OGM&#8217;s. O &#8216;Planet Diversity&#8217; celebrar\u00e1 a biodiversidade natural e agr\u00edcola, a diversidade cultural dos alimentos e da agricultura. Seu objetivo principal \u00e9 o de discutir como os agricultores, consumidores, produtores de alimentos e suas comunidades podem cooperar para enriquecer e defender essa diversidade. Obtenha mais informa\u00e7\u00f5es aqui: (http:\/\/www.gmo-free-regions.org\/planetdiversity.html) e sinta-se convidado a participar!<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Planeta Org\u00e2nico: No Brasil (e em outras regi\u00f5es do mundo) a produ\u00e7\u00e3o de bio-combust\u00edveis (\u00f3leos vegetais, \u00e1lcool de cana de a\u00e7\u00facar) se tornou um novo setor comercial voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, com um forte impacto na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Como voc\u00ea v\u00ea esta evolu\u00e7\u00e3o? A IFOAM est\u00e1 trabalhando no desenvolvimento de diretrizes para a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de bio-combust\u00edveis?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: Devo dizer que n\u00e3o gosto do termo &#8216;bio-combust\u00edveis&#8217;, uma vez que sugere que tem algo a ver com org\u00e2nicos. Como voc\u00ea sabe, em outras l\u00ednguas como o Portugu\u00eas, o org\u00e2nico tamb\u00e9m pode ser chamado bio, biol\u00f3gico, etc. Portanto, por motivos de clareza, eu gostaria de promover o termo &#8216;agro-combust\u00edveis&#8217;, expressando claramente sobre o qu\u00ea estamos falando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa primeira impress\u00e3o, os agro-combust\u00edveis s\u00e3o muito atraentes, e vejo que muitas pessoas realmente pensam que o s\u00e3o. Os proponentes visualizam um mundo ensolarado onde teremos superado as emiss\u00f5es de CO2, enquanto seremos capazes de viver no mesmo padr\u00e3o de vida (ou mesmo mais alto, em termos de uso de energia) em que vivemos agora. No entanto, olhando mais de perto, eu devo concluir que os problemas mais importantes que surgem, tanto nos atuais esquemas de agro-combust\u00edveis como nos muitos que v\u00eam sendo propostos, espelham e at\u00e9 agravam os problemas inerentes nos modelos da Revolu\u00e7\u00e3o Verde para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A alta produtividade e lucros r\u00e1pidos s\u00e3o enfatizados, \u00e0s custas do ecossistema, da sa\u00fade humana e do desenvolvimento rural eq\u00fcitativo. Claramente, qualquer produ\u00e7\u00e3o de lavouras energ\u00e9ticas baseadas nas tecnologias da Revolu\u00e7\u00e3o Verde n\u00e3o estar\u00e1 em conformidade com os Princ\u00edpios da Agricultura Org\u00e2nica. Mesmo que houvesse potencial em termos de produ\u00e7\u00e3o de energia, outros efeitos, como os ambientais e sociais, devem ser avaliados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00e1reas extremamente extensas de terra necess\u00e1rias para produzir quantidades suficientes de biomassa em terras ar\u00e1veis, em climas temperados como os EUA e Canad\u00e1, mas especialmente nos UE, suscitam grandes d\u00favidas sobre a sustentabilidade de tais sistemas de produ\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas, e significam que as quest\u00f5es comerciais Norte-Sul ser\u00e3o muito importantes. Os problemas de seguran\u00e7a alimentar aumentar\u00e3o, tamb\u00e9m em regi\u00f5es em que atualmente se pode considerar que haja esta seguran\u00e7a, como a UE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso do Brasil, que tanto tem a experi\u00eancia mais longa, como parece exibir um potencial para a produ\u00e7\u00e3o de lavouras energ\u00e9ticas possivelmente mais sustent\u00e1veis, dever\u00e1 ser examinado em maior profundidade, para entender at\u00e9 que ponto alguns dos problemas iniciais realmente podem ser resolvidos, e qual potencial pode haver para se incorporar, por exemplo, a cana de a\u00e7\u00facar para a produ\u00e7\u00e3o de agro-combust\u00edvel num sistema de rota\u00e7\u00e3o de culturas nos padr\u00f5es da agricultura org\u00e2nica. Se os agro-combust\u00edveis org\u00e2nicos forem considerados uma op\u00e7\u00e3o de desenvolvimento em escala mais larga, ent\u00e3o estudos teriam que ser realizados sobre o rendimento de diversas esp\u00e9cies destinadas a agro-combust\u00edveis que possam ser cultivadas usando os m\u00e9todos org\u00e2nicos, quando incorporadas em diversos sistemas de agricultura org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que os agro-combust\u00edveis org\u00e2nicos n\u00e3o ser\u00e3o premiados no mercado como &#8216;org\u00e2nicos&#8217;, portanto ter\u00e3o dificuldades em competir com as lavouras energ\u00e9ticas cultivadas de forma convencional. No entanto, eu vejo potencial na otimiza\u00e7\u00e3o dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica atrav\u00e9s da reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem de recursos para uso energ\u00e9tico mediante processamento nas propriedades, para aumentar a sustentabilidade e a auto-sufici\u00eancia ao n\u00edvel das mesmas. E isso tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00e1 competir com o uso de subprodutos vegetais para fazer o composto &#8211; o chamado &#8216;ouro negro&#8217; do qual os agricultores org\u00e2nicos dependem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu me pergunto se a IFOAM precisa de um cap\u00edtulo separado sobre agro-combust\u00edveis org\u00e2nicos no IFOAM Benchmark for Standards (Par\u00e2metro para Padr\u00f5es), uma vez que estamos falando aqui de uma produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de plantas, portanto, lavouras para uso energ\u00e9tico teriam as mesmas exig\u00eancias que as lavouras org\u00e2nicas para consumo humano ou alimenta\u00e7\u00e3o animal. Para assegurar que a produ\u00e7\u00e3o de agro-combust\u00edveis seja sustent\u00e1vel ao n\u00edvel de fazenda e por toda a fase de processamento, ela n\u00e3o deve deslocar ou comprometer a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ou necessidades nutricionais, nem diminuir a biodiversidade ou a gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais. A rota\u00e7\u00e3o de culturas \u00e9 obrigat\u00f3ria, ao passo que os OGM&#8217;s e o desmatamento s\u00e3o pr\u00e1ticas proibidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas ONG&#8217;s ambientais e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa expressam suas preocupa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ap\u00f3iam a atual onda de desenvolvimento de agro-combust\u00edveis. Tamb\u00e9m, Miguel Altieri conclui que: &#8220;ao contr\u00e1rio das falsas declara\u00e7\u00f5es de companhias que promovem esses &#8220;combust\u00edveis verdes&#8221;, o cultivo extensivo de milho, cana de a\u00e7\u00facar, soja, dend\u00ea e outras lavouras, atualmente promovidas pela ind\u00fastria de lavouras para combust\u00edveis &#8211; e todas a serem geneticamente modificadas &#8211; n\u00e3o reduzir\u00e1 as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, mas ir\u00e1 deslocar dezenas de milhares de agricultores, reduzir a seguran\u00e7a alimentar em muitos pa\u00edses e acelerar o desmatamento e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental no Sul Global.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 melhor que ou\u00e7amos a essas preocupa\u00e7\u00f5es antes de nos engajarmos em algo como a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de agro-combust\u00edveis em grande escala.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Perguntas de Pedro Santiago, presidente da C\u00e2mara Setorial da Agricultura Org\u00e2nica a Gerald Hermmann, presidente da IFOAM<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-6689\" title=\"santiago-07\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/santiago-07.jpg\" alt=\"santiago-07\" width=\"150\" height=\"169\" \/>Santiago: Quais s\u00e3o os planos da IFOAM para a Am\u00e9rica Latina, agora que h\u00e1 um representante da Federa\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: Desde junho de 2007, t\u00e3o recentemente, a IFOAM tem uma representante oficial na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (AL&amp;C). Estamos satisfeitos porque a Sra. Patr\u00edcia Flores traz seus v\u00e1rios anos de experi\u00eancia e entendimento, especialmente ao facilitar a din\u00e2mica entre a regi\u00e3o da AL&amp;C, a Sede e a IFOAM de forma geral. Seu papel \u00e9 atuar como &#8220;olhos e ouvidos&#8221; para o Conselho Mundial e o pessoal na Sede, a fim de melhor entenderem o que est\u00e1 se passando nesta regi\u00e3o; mas ao mesmo tempo atuar como nossa voz, para que o movimento na Am\u00e9rica Latina esteja ligado mais intimamente \u00e0s nossas atividades globais. Sua fun\u00e7\u00e3o permite que a IFOAM esteja presente em reuni\u00f5es importantes na regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somente reduz os custos e tempo gasto com viagens, mas \u00e9 tamb\u00e9m um meio de manter liga\u00e7\u00e3o direta com os membros e acompanhar diretamente no idioma castelhano. No momento, s\u00f3 podemos agir assim em tempo parcial, o que naturalmente n\u00e3o faz justi\u00e7a a todos os desafios ou solicita\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m existem limites em termos de suas atribui\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis realiza\u00e7\u00f5es. A Sra. Flores ir\u00e1 trabalhar para a AL&amp;C no contexto global da miss\u00e3o da IFOAM, mas n\u00e3o pode, por exemplo, prestar assist\u00eancia para o estabelecimento de um mercado org\u00e2nico local. Tenho confian\u00e7a, entretanto, que com a ajuda do movimento ela possa atuar como um ponto central de informa\u00e7\u00e3o m\u00fatua e que possamos crescer da\u00ed em diante.\u00a0<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Santiago: Freq\u00fcentemente, ouvimos de certificadoras n\u00e3o acreditadas pela IFOAM que, como j\u00e1 existem normas oficiais org\u00e2nicas da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, Estados Unidos, Jap\u00e3o e outros, as normas da IFOAM perderam a for\u00e7a e n\u00e3o s\u00e3o mais necess\u00e1rias. Qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da IFOAM sobre isso?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: De fato, o papel e a posi\u00e7\u00e3o do IFOAM mudaram com o tempo. Na d\u00e9cada de oitenta, n\u00f3s t\u00ednhamos os \u00fanicos padr\u00f5es globais democraticamente acordados. Atualmente, existem mais de 60 regulamentos. Esta evolu\u00e7\u00e3o reflete o interesse dos governos e de ag\u00eancias inter-governamentais de se engajarem no setor org\u00e2nico; em grande parte, isto reflete o nosso sucesso. Mas agora, ao serem introduzidos tantos regulamentos, criaram-se barreiras ao com\u00e9rcio e n\u00e3o h\u00e1 harmonia entre os padr\u00f5es. A IFOAM v\u00ea o seu papel com o de moderador e para dar forma ao processo de harmoniza\u00e7\u00e3o, e isto necessita de refer\u00eancias. Estamos satisfeitos em ter, ao nosso lado, as organiza\u00e7\u00f5es da ONU voltadas para Alimentos e Agricultura (FAO) e a Confer\u00eancia sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (UNCTAD).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de ter &#8220;credenciamento da IFOAM&#8221; tem m\u00e9ritos em si mesmo, al\u00e9m de facilitar aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre as certificadoras. O credenciamento pelo governo ou por ag\u00eancias privadas \u00e9 um ato cheio de formalismo e burocracia. Entretanto, as entidades de certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica deveriam se esfor\u00e7ar por mais. O conceito org\u00e2nico n\u00e3o \u00e9 apenas como qualquer neg\u00f3cio de certifica\u00e7\u00e3o, faz parte de um setor de inovadores sociais. \u00c9 ficar na vanguarda e aprender dos outros, procurando solu\u00e7\u00f5es comuns para problemas que sem d\u00favida aparecem agora e futuramente. O credenciamento pela IFOAM facilita o progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto, como foi dito, \u00e9 que as normas da IFOAM s\u00e3o decididas democraticamente pelos membros, portanto pertencem ao movimento. Mas a quem pertencem, por exemplo, os regulamentos da UE? E, ao fazer lobby junto aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, com que informa\u00e7\u00f5es e par\u00e2metros os respectivos movimentos ir\u00e3o informar a administra\u00e7\u00e3o? N\u00e3o me interprete mal: existem m\u00e9ritos, com certeza, nos regulamentos governamentais; podem significar prote\u00e7\u00e3o contra o abuso da defini\u00e7\u00e3o de &#8220;org\u00e2nico&#8221;, aumentando a confian\u00e7a e credibilidade. Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever que, quando a pr\u00e1tica org\u00e2nica se tornar comum, um \u00f3rg\u00e3o &#8220;supervisor&#8221; privado se torna cada vez mais importante. Funcion\u00e1rios p\u00fablicos e governos, embora muito bem intencionados, se prendem a processos vagarosos e a uma estrutura de leis existentes que, uma vez decididas, s\u00e3o dif\u00edceis de mudar, mesmo se existirem novas percep\u00e7\u00f5es ou m\u00e9todos relativos \u00e0 pr\u00e1tica org\u00e2nica que mere\u00e7am ser adotados. Portanto, existe um papel para o movimento, que \u00e9 de manter vivos um documento e um sistema de garantia produzidos por acordos internacionais.\u00a0<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Santiago: Quais as a\u00e7\u00f5es da IFOAM a respeito da lista de certificadoras europ\u00e9ias que estariam isentas de certos procedimentos, a que, no entanto, seriam obrigadas as certificadoras n\u00e3o-europ\u00e9ias? Em que p\u00e9 est\u00e1 essa quest\u00e3o? Como ficariam os escrit\u00f3rios ou representa\u00e7\u00f5es fora da Europa das certificadoras europ\u00e9ias?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerald A. Herrmann: Gostei da sua pergunta, uma vez que parece existir um mal entendido sobre o novo regulamento para importa\u00e7\u00f5es. Antes deste ano, portanto sob o antigo regime, todas as importa\u00e7\u00f5es se baseavam numa avalia\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia com o Regulamento 2092\/91 da UE. Existiam duas op\u00e7\u00f5es: primeiro, um terceiro pa\u00eds poderia solicitar sua inclus\u00e3o na chamada &#8216;Lista de Terceiros Pa\u00edses&#8217; &#8211; por exemplo, a Argentina e Costa Rica est\u00e3o na lista. A segunda op\u00e7\u00e3o para a aprova\u00e7\u00e3o da UE ao exportar do Brasil, por exemplo, se baseia na determina\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia pelos Estados Membros da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e autoriza\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o de lotes individuais por solicita\u00e7\u00e3o de empresas de importa\u00e7\u00e3o. Por falar nisso, o IOAS deu assist\u00eancia aos certificadores de terceiros pa\u00edses com relat\u00f3rios de equival\u00eancia para aceita\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, pelo que eu saiba, sob o novo regime, as importa\u00e7\u00f5es ou t\u00eam que cumprir o Regulamento 2092\/91 da UE (compliance) ou cumprir padr\u00f5es equivalentes aos do Regulamento da UE. Existem as seguinte op\u00e7\u00f5es: Com rela\u00e7\u00e3o a compliance, a UE estabelecer\u00e1 uma lista de entidades de inspe\u00e7\u00e3o, que ainda n\u00e3o foi publicada porque ainda falta elaborar os procedimentos de implementa\u00e7\u00e3o. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 equival\u00eancia, o regime atualmente v\u00e1lido permanecer\u00e1 em vigor; entretanto, uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 acrescentada, a qual \u00e9 tamb\u00e9m uma lista de entidades de inspe\u00e7\u00e3o. Pelo que fui informado, os \u00f3rg\u00e3os de controle precisam solicitar sua inclus\u00e3o nas listas, conforme foi mencionado. A UE n\u00e3o diferencia mais entre os \u00f3rg\u00e3os de controle da UE e os de fora da Uni\u00e3o. O processo de solicita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o mesmo para ambos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendo que, sob o novo regulamento para importa\u00e7\u00e3o, as op\u00e7\u00f5es para acessar o mercado da UE aumentaram, e existem agora mais modos de entrar no mercado. Obter reconhecimento como terceiro pa\u00eds leva tempo e necessita que o regulamento para org\u00e2nicos naquele pa\u00eds espec\u00edfico seja equivalente. Entretanto, nem todos os pa\u00edses possuem regulamentos para org\u00e2nicos; alguns preferem ter sua regulamenta\u00e7\u00e3o mais adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais. A possibilidade de as operadoras exportarem em conformidade com o regulamento europeu ou com a equival\u00eancia de seus \u00f3rg\u00e3os de inspe\u00e7\u00e3o (locais) representa mais op\u00e7\u00f5es, e pode reduzir os custos j\u00e1 que inspetores externos n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A IFOAM teve um desempenho ativo ao fazer lobby para ampliar as op\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes at\u00e9 contra a posi\u00e7\u00e3o de algumas certificadoras da UE. Os produtos org\u00e2nicos deveriam ser comercializados, n\u00e3o apenas pelo interesse do com\u00e9rcio, mas em beneficio dos agricultores, que sem vender seus produtos n\u00e3o poder\u00e3o converter suas terras para o cultivo org\u00e2nico. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que a meta da IFOAM \u00e9 global: org\u00e2nicos para o bem do nosso planeta vivo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-6667\" title=\"ifoam03\" src=\"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ifoam03.gif\" alt=\"ifoam03\" width=\"279\" height=\"51\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ifoam.org\/\">http:\/\/www.ifoam.org\/<\/a><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gerald Herrmann<br \/>\npresidente da IFOAM<br \/>\nOutubro 2007<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6662"}],"collection":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/planetaorganico.agropecuaria.ws\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}